Querido Hongrang | O verdadeiro Pintor e o segredo mais sombrio

Querido Hongrang, k-drama histórico lançado pela Netflix em 2025, cativou o público com seu misto de romance, vingança e mistério. Em meio às intrigas da família Sim, uma figura silenciosa, quase mitológica, assombrava a trama desde o primeiro episódio: o Pintor. Mas quem era ele, de fato? E por que ele se tornou o verdadeiro vilão da história?

O monstro por trás da arte

Durante grande parte da série, o “Pintor” era uma figura envolta em mistério. Sabia-se apenas que ele havia torturado garotos no passado, entre eles o impostor que se passava por Hongrang e seu amigo In-hoe. Ambos carregavam nas costas marcas tatuadas com imagens grotescas, talismâs criados para um ritual de ascensão espiritual. O que parecia apenas um crime isolado logo se revelaria parte de algo muito maior e mais perturbador.

A identidade do Pintor vem à tona apenas nos últimos episódios: ele era ninguém menos que o Príncipe Real Hanpyeong, um dos homens mais poderosos da região. Aos olhos da sociedade, Hanpyeong era um aristocrata excêntrico e apaixonado por arte. Mas nos bastidores, era um psicopata obcecado por um ritual proibido que prometia transformá-lo em uma divindade.

A arte como ferramenta de horror

Hanpyeong acreditava que poderia transcender a existência humana se realizasse um ritual ancestral. Para isso, precisava de seis talismãs vivos que representassem diferentes aspectos da vida. Em vez de apenas confeccionar amuletos, ele decidiu tatuar diretamente a pele de crianças inocentes com suas obras macabras. Com a ajuda do “Homem da Neve”, um albino considerado por muitos como um fantasma, o príncipe raptava meninos das vilas e os usava como telas humanas.

Foi assim que Hongrang e In-hoe, ainda crianças, foram sequestrados e submetidos a torturas químicas e físicas, tendo seus corpos transformados em instrumentos de um plano cruel. O objetivo de Hanpyeong era usar os meninos como parte central de um ritual que o tornaria imortal e lhe daria controle sobre as forças naturais.

O confronto final em Querido Hongrang

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Imagem: Divulgação/Netflix.

O impostor conhecido como Hongrang, que passou a vida marcado por esse trauma, eventualmente descobre toda a verdade. Movido pela sede de vingança e pela vontade de impedir que o ritual se concretize, ele invade o palácio do príncipe. A cena é brutal e simbólica: Hongrang decepa as mãos de Hanpyeong, o maior orgulho do artista, antes de matá-lo. O toque final é cruel e poético: o príncipe morre encarando as costas de Hongrang, agora cobertas por cicatrizes que desfiguram a obra-prima que tanto idolatrava.

A origem do mal: um artista corrompido pelo poder

O que torna o vilão de Querido Hongrang tão memorável é a forma como o drama mistura arte, poder e corrupção. Hanpyeong não era um assassino qualquer; ele acreditava genuinamente que sua arte poderia elevá-lo a outro plano de existência. Seu narcisismo e delírio espiritual tornaram-no cego ao sofrimento que causava.

Além disso, ele é o reflexo distorcido de uma sociedade hierárquica e cruel, onde crianças podiam ser descartadas em nome da ambição de um homem. Seu arco revela não apenas um vilão, mas um sistema inteiro baseado em privilégios e silências convenientes.

O legado do Pintor

Com a morte de Hanpyeong, a história de Querido Hongrang ganha seu clímax moral. O terror que ele espalhou foi contido, mas as marcas do que ele fez continuam vivas nos sobreviventes. Hongrang, mesmo vitorioso, sofre os efeitos das substâncias tóxicas que lhe foram aplicadas na infância e morre pouco depois nos braços de Jae-yi. O fim do Pintor, portanto, é também o fim de uma era de dor.



A revelação de que o Pintor era o próprio príncipe Hanpyeong é um dos grandes acertos do roteiro: tira a figura monstruosa das sombras e a coloca bem no centro do poder. Um lembrete de que os piores horrores nem sempre estão longe — às vezes, estão sentados no trono.



Querido Hongrang | O verdadeiro Pintor e o segredo mais sombrio
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.