Ransom é o reflexo limitado das séries da CBS

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Em tempos de streaming, Netflix, e do avanço cada vez maior da internet, as emissoras nos Estados Unidos precisam se desdobrarem cada vez mais para conseguirem audiência. Enquanto alguns canais correm para apresentar séries que mostrem seu diferencial e cativando o espectador desde o primeiro momento, outros ainda insistem em ficar na mesmice. Esse é o caso da CBS.

Entra ano, sai ano, o canal se prende em projetos que não acrescentam em nada à televisão, destacando séries policiais e procedurais, que mais se preocupam em explorarem os casos da semana do que os personagens protagonistas. É caso das Hawaii Five-0, NCIS e MacGyvers da vida… Mesmo com raras exceções, vide a já cancelada The Good Wife, infelizmente, Ransom vai por este mesmo caminho das primeiras que citei e reafirma como o canal é limitado com sua linha de shows.

A co-produção canadense não tem o pior time de roteiristas – criada por Frank Spotnitz (The Man in the High Castle, Arquivo X, Transporter: The Series), é também escrita por David Vainola (Combat Hospital) e inspirada na vida de Laurent Combaltert, especialista em negociar situações que envolvem reféns. Porém, a necessidade de fisgar um público específico, que não quer se ligar muito a personagens e, sim, mais assistir um “caso da semana”, faz com que os roteiristas joguem nos primeiros cinco minutos informações que acham suficientes para que o público se conecte com a história. Mas falham miseravelmente. Aos 10 minutos, eles já agem como se já estivessem em episódios mais avançados, pouco se importando em apresentar quem eles são ou os seus propósitos. Aos 20, você já está decidido a largá-la.

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O show aborda uma equipe composta por um um especialista em negociações, um advogado, um hacker, um terapeuta e um especialista em artes marciais, que viajam por diversos locais dos Estados Unidos para ajudar multinacionais e órgãos governamentais a lidarem com situações complexas, muitas envolvendo reféns. O elenco é bom, liderado por Luke Roberts, de Black Sails, que tem até um personagem interessante e instigante, o típico “líder sabe tudo”, que projeta passos e passa um ar de que no final tudo dará certo. O problema, talvez, seja a personagem de Sarah Greene, Maxine Carlson, que é a grande responsável por fazer as peças do roteiro jogarem-se umas sobre as outras. Em poucos minutos ela é rejeitada no emprego, consegue se desfaçar como uma agente de uma forma “porca”, e só de assistir aos eventos que sucedem na abertura, consegue uma chance para trabalhar na equipe. Bobo, para não dizer desinteressante.

Em meio a essa correria, somos apresentados à duas histórias, uma introdutória que resulta na abertura até interessante, e um sequestro de uma criança que é cheio de aspectos clichês e pontas mal resolvidas. Esse caso serve para corrigir a correria da primeira metade do episódio e chegar ao final com um ponto chave – a personagem de Greene tem um passado com o de Roberts, envolvendo sua mãe. Interessante não é mesmo? Ehr... não.

Totalmente dispensável, Ransom é aquele típico show que passa despercebido entre o público – que já não foi um dos maiores, e deverá ser esquecida assim que a sua temporada, provavelmente a única, terminar. Um desperdício de bom elenco e produtores presos à só “mais uma” série procedural. Mesmo com o dedo da produtora canadense Entertainment One – eOne, em parceria com as também canadenses Shaw Media e Sienna Films, com o canal francês TF1, a inglesa Big Light Productions, empresa de Spotnitz, e a americana Wildcats Productions, Ramson, fica estagnada no reflexo dos shows da CBS, que não passam de máquinas procedurais sem conteúdo. Quem sabe um dia eles aprendam a ousar e nos apresente algo realmente interessante?

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Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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