Ringue Mix – A verdade além das fronteiras

O gênero sci-fi ganha destaque hoje no nosso Ringue Mix. Duas grandes séries do gênero são chamadas para o duelo do século na nossa arena. Arquivo X ou Fringe? Quem ganha essa disputa?

Continua após as recomendações

 

MIX-RINGE-FRINGE-X-FILES

Continua após a publicidade

 

De um lado:

Arquivo X

9 temporadas (1993-2002)
201 episódios
Criada por Chris Carter

ARQUIVO XArquivo X é a cultuada sci-fi criada por Chris Carter que acompanha os agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully, investigando casos sobrenaturais nos Estados Unidos e ao redor do globo. A base da série são invasões e abduções alienígenas, muito embora o programa aborde diversos temas extraordinários (de fantasmas a vampiros, de metamorfos/transmorfos ao chupa-cabra). Durantes as nove temporadas, podemos encontrar de tudo nos episódios de The X-Files. A mitologia, porém, sempre volta aos visitantes extraterrenos.

Arquivo X lançou na TV a moda das ficções científicas e das investigações sobrenaturais. Mulder e Scully viraram ícones da televisão e a série conquistou milhares de fãs em todo o mundo. Em uma era onde a internet ainda engatinhava e o Brasil não desfrutava dos benefícios da TV a cabo, The X-Files é praticamente um milagre sobrenatural: quebrou barreiras e se tornou um fenômeno

 

Do Outro Lado:

Fringe

5 temporadas (2008-2013)
100 episódios
Criada por Alex Kurtzman, Roberto Orci e J.J. Abrams

FFringe é bem mais jovem e bebe diretamente da fonte criada por Arquivo X. Não quer dizer, porém, que a série não tenha autonomia, sua própria mitologia e seus personagens originais. Fringe acompanha Olivia Dunham que, depois de investigar um misterioso incidente dentro de um avião, é apresentada à Divisão Fringe, uma organização criada para investigar anomalias do universo. Olivia se junta a Peter Bishop, filho do gênio Walter Bishop, que pode ajudar no caso do avião. Os três acabam juntos e investigando casos extraordinários que envolvem monstros, viagens no tempo, universos paralelos, etc.

A complexa mitologia da série se debruça na existência de universos paralelos e versões diferentes de cada pessoa. Alguém pode morrer no nosso universo enquanto sua outra versão permanece viva na realidade alternativa. E é com base nisso que quase tudo acontece: Peter do “lado A”, quando criança, fica doente e morre. Walter, transtornado, cria um portal para o “lado B” e sequestra o Peter do universo alternativo, que cresce no “lado A”, criando uma série de alterações e interferências entre os dois mundos. É conversa longa que rendeu cinco temporadas.

 

 

Fight

 

Arquivo X tem a seu favor toda a relevância cultural e histórica que conquistou com o passar dos anos. A criação de Chris Carter é o exemplo perfeito de “série cultuada”. Os fãs do programa estão entre os mais fiéis do mundo da televisão. Até hoje, doze anos após o fim, Arquivo X ainda é um sucesso, sendo descoberta e discutida por inúmeras pessoas no mundo todo. As teorias e análises são feitas até hoje. A impressão que se tem é que a série não esfria e nunca cai no esquecimento.

Fringe, por outro lado, não tem a mesma abrangência que sua concorrente. A série ainda não teve tempo de se tornar um clássico, haja visto que toda obra considerada como tal precisa da passagem dos anos para se mostrar um trunfo ou apenas outra peça lançada em algum lugar do passado. Ainda que tenha fãs fiéis, Fringe não parece suscitar as calorosas discussões que Arquivo X desperta. A mitologia da criação de Alex Kurtzman, Roberto Orci e J.J. Abrams, porém, rende mais debate. Calcada em mistérios mais complexos (não há nada que renda mais assunto que viagem no tempo e universos paralelos), Fringe frita mais o cérebro e faz pensar mais do que Arquivo X jamais fez.

Lançada em 1993, Arquivo X estabeleceu seus personagens e sua base com maestria logo na primeira temporada. Mesclando os casos da semana com episódios que construíam uma história maior, a série ia conquistando pela criatividade dos mistérios e pela consistência do arco principal. E The X-Files permaneceu impecável até o quarto ano. A partir do quinto as coisas começaram a derrapar na curva. O que precisa ficar claro é que até a pior temporada de Arquivo X é uma grande história para se acompanhar. Não podemos fechar os olhos, porém, para a visível queda de qualidade que acometeu o programa nos anos finais. Nas duas últimas temporadas, por exemplo, David Duchovny deixou de ser o protagonista e o grande herói da saga, Fox Mulder, se tornou um coadjuvante. O grande problema é que Arquivo X durou demais. Ver sua série favorita durar vários anos é excelente, mas é inevitável que, depois de um tempo, a qualidade caia.

Fringe estreou em 2008, em um mundo pós 11 de setembro, quando o terrorismo e a insegurança se tornaram assuntos recorrentes. A série abraça esse novo modo – mais cínico – de enxergar as coisas e impressiona por criar ficção científica com base no real. Tudo é estudado e tem uma razão para existir. Por mais absurdo que seja o fato de alguém conseguir “acessar” as memórias de um cadáver, Fringe explica como isso pode ser possível de uma forma aceitável. A série durou cinco temporadas e manteve o padrão de qualidade todo o tempo. Os roteiristas souberam quando – e como – parar. É claro que o cancelamento também é fruto de decisões do estúdio, que sempre se mostrou um tanto preocupado com a audiência do programa; ainda assim, as mentes por trás do show souberam levar sua mitologia a patamares inimagináveis. Com o tempo, Fringe abandonou os monstros da semana e se tornou um drama consistente.

Uma grande qualidade que ambas as séries possuem são seus personagens. Mulder e Scully em Arquivo X são engraçados, inteligentes, sagazes, além de possuir uma invejável química entre si. Muitas das duplas e casais que vemos hoje na TV existem graças a esses dois. Scully, por exemplo, é uma das pioneiras no quesito “mulher forte e independente”; não à toa, por exemplo, tornou-se a protagonista quando o Duchovny abandonou o navio. Além disso, Scully (e sua intérprete, a ótima Gillian Anderson) consegue carregar a série sozinha sempre que necessário. Fringe também conta com protagonistas fantásticos. Walter Bishop, vivido com maestria por John Noble, é um dos personagens mais cativantes da TV. Olivia Dunham, a heroína, é outra versão de Scully. Linda, forte, determinada, inabalável. A agente secreta é daquelas que não precisa de um homem para trocar o pneu furado. Anna Torv, que dá vida a Dunham, é a alma de Fringe e não há dúvidas sobre isso.

 

E o vencedor é…

É uma disputa ponto a ponto. Não há nocaute. Com duas concorrentes tão fortes, é impossível dar a vitória a uma delas sem ter uma dúvida que atormenta. Analisando os fatos aqui apresentados – e outros tantos que não entraram por falta de espaço no ringue –, e colocando um pouco do coração na disputa, declaro como vencedora: Fringe!

 

Fringe-wins

 

E pra vocês? Quem é a grande vencedora desta batalha?

Nenhum comentário

Adicione o seu