Ringue Mix: Carnificina e canibalismo

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Depois do cancelamento de Hannibal pela NBC nessa segunda-feira, dia 22, nossa cota de sangue da TV está com os dias contados. Existem séries que abordam a vida e as ações dos Serial Killers, e elas fazem sucesso entre o público que não tem medo de ver sangue escorrendo. Como em Dexter, existe uma narrativa policial, e uma tentativa absurda de fazer o vilão se encaixar na sociedade como uma pessoa normal. Eles não são normais, eles matam, sem dó. Possuem um trauma que os fazem ter um gosto pela morte e pelo poder de tirar uma vida. Eles são os deuses da morte, que em cada temporada tentam tirar um outro vilão principal de cena, além de vilões secundários. Mas o que mais gostamos? Quando alguém descobre a verdadeira natureza deles, o que esta por trás da máscara. O Ringue Mix de hoje será sangrento, qual Serial Killer é mais legal? Ou mais doente? Espero que já tenham almoçado…

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De um lado do ringue:

Dexter Dexter

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8 temporadas

96 episódios

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Criada por James Manos Jr.

Dexter começou em outubro em 2006 no canal Showtime e foi finalizada em setembro de 2013 contando a história de um assassino em série politicamente correto que trabalha como analista forense, analisando os padrões de sangue em crimes da cidade de Miami/Flórida. Por trabalhar dentro da polícia, Dexter tem acesso aos criminosos, e devido ao seu código de conduta Harry (seu pai adotivo), ele só mata os que tem culpa no cartório, e não deixa pistas. Harry também o ensinou a se relacionar com as pessoas, para que seu comportamento negro não seja descoberto. Foram oito temporadas focadas na vida dupla e na necessidade de matar “dark passenger” do sociopata mais queridinho da América. Sua primeira temporada foi baseada no livro Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay mas as outras temporadas se distanciaram da literatura.

 

 

Do outro lado do ringue:

HannibalHannibal

3 temporadas (2015-atualmente)

29 episódios

Criada por Bryan Fuller

Hannibal iniciou suas atividades canibalísticas na NBC em abril de 2013 e por enquanto está fadada a acabar daqui 10 episódios, em sua terceira e épica temporada. Com requinte e sofisticação essa obra se baseia no livro Red Dragon de Thomas Harris contando uma história de amizade entre o problemático agente especial do FBI Will Graham e Dr. Hannibal Lecter, um psiquiatra forense, esperto, astuto e esfomeado. Will tem uma mente brilhante, que reconstrói cenas de crime, Hannibal fica muito interessado com essa habilidade, e ao mesmo tempo com medo de ser descoberto por esse expert. Eles, juntos do agente Jack Crawford desvendam crimes tensos e intrigantes enquanto desenvolvem uma amizade intensa e perigosa.

 

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Dexter e Hannibal despertam sentimentos que você não encontra em outras séries. É difícil de explicar, mas quase tudo que você acredita, opina e tem certeza pode ser mudado ao assistir essas séries. Você passa SIM a gostar de dois vilões que possuem um extremo sangue-frio. A princípio, a sua reação é o susto, a surpresa com tamanha frieza, tamanho cinismo. A partir daí é só ladeira abaixo. Você começa a ver o brilhantismo do personagem que eles construíram, o poder que eles tem sobre as pessoas. Então você começa a torcer para que tudo dê certo e ninguém jamais os pegue no ato. De vilões sanguinários, eles passam a mocinhos, bem na frente do seu nariz. E quando cancelam, você fica triste. Eu fiquei.

Hannibal é uma obra de arte, tudo é cuidadosamente organizado, não existe um figurino que não seja um luxo, um diálogo que não te deixe pensando, – Puts, eles vão fundo na psicologia! E cada cena de crime foi tão maravilhosamente arquitetada que aquilo parece uma cobertura de bolo. E a amizade de Will com Hannibal é a cereja. Os dois levaram o bromance para o outro nível, porque eles sempre ficam no quase, eles beijam intelectualmente, homens inteligentes que na segunda temporada brincam de gato e rato de um modo tão sujo, tão gostoso e instigante. O problema de Hannibal é que eles tentam pegar leve para deixar o canibalismo requintado. Mas acabaram deixando muito pesado, fotografia escura demais, câmera lenta, músicas instrumentais de fundo, ou seja, a receita do sono profundo. E não possui personagens que te despertam o riso, não possuem nenhuma pegada cômica, satírica. É tudo muito sério e quadrado. É sofisticado e não para o gosto da população em geral.

Ambas as séries levam o nome do personagem principal, e isso já nos coloca na comparação – qual dos assassinos é melhor? Ou mais doentio? Dexter tem seu código de conduta para apoiá-lo. Não, espere, ele já matou por impulso, por raiva, depois que a esposa foi morta. Droga, mas isso não apaga todo seu esforço para controlar seus impulsos. Ele tentou, arduamente fazer tudo certo, ele lutou com seu passageiro sombrio. Sempre guarda um troféu bem biológico das vítimas, uma lâmina com sangue. Hannibal não, ele ama aquilo, ele acha que é Deus, o poder que ele tem sobre as pessoas o move na escuridão, um verdadeiro doente, que come seus troféus, e as vezes faz as vítimas comerem seus próprios membros. Seu trauma tem nome: Mischa, a irmã que foi morta, e que ele foi obrigado a comer, para não morrer. Forte? Sim, claro. E Dexter, que foi encontrado pelo policial Harry, um bebê dentro de uma poça de sangue da sua mãe morta. Sendo que depois teve que repetir essa visão com seu filho, no sangue da esposa. Todos os fatos tem um peso muito grande para o PORQUÊ principal do enredo. Traumas, mas será que eles justificam as ações dos mesmo? Dificilmente, mas o que acontece com o psicológico das pessoas que experimentaram da morte é muito complexo, e não deve ser julgado.

Dexter é mais alegre na medida do possível, tem personagens cômicos, como a Debra, Vince Masuka e Angel Batista. A trilha sonora é alegre, mexicana, cubana, muita salsa. O clima é tropical, caliente, o que move os personagens a terem a cabeça meio esquentadinha. Vários plots paralelos acontecem o que dá leveza a série, Dexter se casa com a doce Rita, tem um filho muito fofo, e pelo fato dele se encaixar na sociedade, a série foi mais aceita pelo público pois o que matou Hannibal foi a audiência. Dexter Ganhou vários prêmios, Emmy, Globo de ouro ao longo dos anos de exibição onde Michael C. Hall foi o astro como Melhor Ator em Série de Drama. Nisso tenho que dizer que Hannibal está sendo injustiçada, a interpretação dos atores é impecável, Mads e Hugh são um show a parte, eu me esqueço bem fácil que eles são atores, e mergulho na loucura deles durante os episódios, torcendo, vibrando, incentivando, lamentando e chorando.

 

E o vencedor é…

Para quem me conhece sabe que o resultado não é uma novidade, quem ganha é Hannibal, que nunca ofendeu minha inteligência, que me mostrou requinte, fotografia perfeita, diálogos magníficos e enredo intrigante. É uma série para poucos, mas que eu recomendo mesmo tendo sido cancelada. Me surpreendeu sempre genuinamente, com cenas como a da final da segunda temporada que deixaram sem chão a mim e aos fãs. Dexter não te surpreende, pois ele narra o que está pensando, então acaba que você já sabe tudo, já prevê os passos. As atuações, todas no geral, são muito bem ensaiadas em Hannibal. Já em Dexter temos atores bons e outros nem tanto!

Dizem que Hannibal é arrastada, sim ela tem um ritmo mais lento, mas ela sempre manteve o mesmo ritmo, e nunca se perdeu do roteiro ou me deixou desinteressada. Dexter teve altos e baixos ao longo de suas oito temporadas, momentos difíceis de continuar fã e momentos fáceis de amar. Hannibal me satisfaz mais, intelectualmente falando, me sinto privilegiada em assistir, um trabalho de primeira linha, qualidade indiscutível a não questionável – ao contrário das escolhas do protagonista.

 

k.o