Ringue Mix: Do Ordinário ao Extraordinário

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“Podemos ser heróis, só por um dia”, já dizia David Bowie, uma música-tema dos heróis que fazem parte deste Ringue Mix. Heroes e The Tomorrow People se assemelham por abordarem grupos de pessoas com poderes especiais, mas se distinguem na premissa. Porém, ambas beberam na mesma fonte ao agarrarem com unhas e dentes detalhes desse tipo de universo que tornam pessoas ordinárias em extraordinárias. Pesquisa, genética, preconceito, repressão e intolerância… Tópicos que humanizaram as respectivas histórias.

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Heroes e The Tomorrow People repetiram aquele mantra (que amo citar toda vez que tenho oportunidade): com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Mas que grandes poderes definirão o vencedor deste embate carregado dos mais variados heróis e superpoderes?

 

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De um lado do ringue…

Heroes
4 temporadas (2006-2010)
80 episódios
Criado por Tim Kring

HeroesHeroes foi uma produção da NBC que, atualmente, conta com uma minissérie (até então) – Heroes Reborn. Estreou em 2006 e explorou várias pessoas, em diferentes partes do mundo, descobrindo que são detentoras de poderes especiais. Um a um se vê na saia justa entre os problemas da vida real enquanto o eclipse solar lhes mostra que seu cotidiano ordinário está prestes a se transformar em extraordinário. Demora, mas todos descobrem que estão interligados e passam a combater o mal juntos.

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… Do outro lado do ringue

The Tomorrow People
1 Temporada (2013-2014)
22 episódios
Criado por: Julie Plec, Greg Berlanti, Roger Price, Phil Klemmer

The-Tomorrow-PeopleThe Tomorrow People foi um remake transmitido pela CW, inspirado na série britânica dos anos 70 de mesmo nome. Aqui também há o dilema dos poderes especiais, mas apenas do ponto de vista de Stephen Jameson, o único que sente a transição da vida ordinária para a extraordinária. Logo, o personagem conhece John, Cara e Russell, integrantes de um grupo de seres do amanhã que vivem no túnel do metrô. Simplesmente porque se escondem dos agentes Ultra, os inimigos desse universo.

 

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Antes de termos essa enxurrada de super-heróis na televisão, havia Heroes. Tim Kring criou a história lá no andar de baixo, tendo como inspiração o modelo dos quadrinhos. Por isso, a série vingou tão rápido, pois o formato criou relação com um tipo de leitura muito estimulada na infância americana. Difícil encontrar uma criança gringa que não tenha conhecido Super-Homem ou Homem-Aranha antes da puberdade.

Cada episódio de Heroes era como ler um quadrinho. Um formato de narrativa que se tornou a marca registrada da série – e que foi carregada com louvor para Reborn. É possível ver isso ao longo das temporadas, todas divididas em Volumes que denunciavam a premissa do respectivo ano.

Heroes traz uma relação com X-Men por causa dos personagens que um dia foram humanos e, de repente, descobriram que são detentores de poderes especiais. Não há máscaras ou identidades secretas, só a necessidade de esconder que do ordinário alguém passou a ser extraordinário. Ao longo dessa jornada, a trama os une e os coloca de frente ao icônico inimigo em comum: Sylar. Só não antes de cada um ter certeza do que possui nas mãos.

Em seu primeiro ano, Heroes foi aclamada pela crítica e entrou para a listinha de séries mais vistas da NBC. A emissora amou, claro, pois não via um hit em sua grade há muito tempo. Esse projeto foi um belo tiro que deu certo, até porque não havia saga de heróis seriada, só cinematográfica. A novidade logo criou frisson e conquistou indicações nas premiações badaladas, tais como Emmy, Globo de Ouro e BAFTA, sendo reconhecida especialmente pelo trabalho em efeitos visuais.

O glamour de Heroes se manteve por certo tempo, até que as dificuldades e os contratempos deram as caras e empacaram o desenvolvimento da segunda temporada. A começar pela NBC que meteu o bedelho no trabalho de Kring, pois a ideia inicial dele era fazer uma espécie de antologia. Depois, veio a greve dos roteiristas que encolheu a história e cancelou um spin-off antes mesmo de nascer. Por causa desses dois fatores, o segundo ano foi reescrito em curto espaço de tempo, principalmente porque a emissora achava que ninguém veria mais a série se o elenco fosse trocado.

Com essas barragens, Kring e Cia. sentiram dificuldade de criar, pois a ideia que deu aval à primeira temporada, e que ganharia um viés diferente no ano seguinte, foi aniquilada. Isso afetou tudo.

A terceira temporada ainda conseguiu ser eletrizante, mas a quarta veio preguiçosa e se arrastou até o último suspiro. O cancelamento foi esperado e até hoje é complicado afirmar com propriedade o que aconteceu com o brilhantismo da série. Quem culpar?

Em contrapartida, The Tomorrow People nem teve tempo de mostrar serviço. Nem de virar hit. O remake tem todas as glórias por ter dado um update na premissa do original, mas não foi o bastante para manter esse universo vivo por mais uma temporada.

Enquanto Heroes deu chance para todo mundo, quem norteia a história em TTP é Stephen Jameson, um revelado ser do amanhã e um tipo de escolhido para salvar a sua espécie – que vive escondida nos túneis do metrô. Ele é o ponto de atrito e que movimenta John e Cara, dois já assumidos e confortáveis com o que são – levando em conta a exclusão dos flashbacks.

Aqui, temos um drama familiar com pessoas dotadas de habilidades especiais, que se voltam contra uma organização que quer capturá-las para fins científicos. Como em Heroes, ninguém usa máscaras ou identidades secretas, e dão a cara pra bater.

Em 22 episódios, deu para sentir o drama de ter poderes em The Tomorrow People, um clima que se assemelha ao de Heroes, mas só de um ponto de vista. Um detalhe que faz parte do combo de diferenças entre as duas.

Outros pontos que as afastam são: no mundo de Stephen todos têm os mesmos poderes e não são capazes de matar. Enquanto os heróis da NBC são abençoados por um eclipse solar, os seres do amanhã nasceram com a genética predisposta. Bastava chegar na adolescência que o mundo caía. Além disso, The Tomorrow People trabalhou logo de cara a empatia entre os seres do amanhã enquanto em Heroes a trama norteia seus personagens a se encontrarem e depois define as parcerias.

O grande dilema dessa série foi ter que mostrar serviço em curto espaço de tempo para ser renovada. E acabou cancelada. Se Heroes foi “boicotada” pela NBC, os seres do amanhã não se beneficiaram com a emissora que lhes deu moradia. Há muito tempo não se via uma boa jogada de marketing da CW. No caso, o Amell Wednesdays, que promovia os primos Amell, o que contribuiu para The Tomorrow People ter bons picos de audiência.

A morte terrível aconteceu quando os seres do amanhã foram jogados para o pior dia da semana da emissora: segunda-feira. A queda na audiência foi brutal, mas a série lutou arduamente. Não gerou muitos views, não em comparação ao rendimento nas quartas, mas eles não deixaram de ser significativos levando em conta o novo dia de exibição. Infelizmente, não rolou segunda chance, pois o boicote da CW foi brutal: o finale de TTP foi transmitido em outros países antes do próprio canal. Assim não tem como competir.

 

E o vencedor é…

Pausa dramática porque essa decisão é muito difícil! Aqui, temos dois casos em que os heróis foram barrados pelos humanos da vida real. Contudo, ambas trouxeram a moral de aceitar o diferente e de vencer as adversidades. Abordaram a questão de ser o próximo passo da evolução, com um mapa genético pra lá de especial. Aonde está a justiça para cada uma quando foram enxotadas pelos vilões que lhe deram oportunidade?

Como a vida é injusta, o vencedor é Heroes, por ser mais abrangente e rica visualmente, por ter dado atenção a vários personagens e por ter se apoiado em diversos poderes. Saliento também a importância dada ao background dos heróis no presente e não por meio dos flashbacks como aconteceu em TTP.

A intenção de Heroes não foi apenas salvar a si mesmo, mas o mundo do qual se vivia. Não que os seres do amanhã não lutaram por isso, mas é meio difícil quando não se tem a habilidade de matar. Um detalhe que afeta a série da CW nessa decisão, pois, na época, soou como um empecilho futuro para o desenvolvimento de trama.

Nem dá para colocar totalmente a culpa nesse quesito, pois a premissa de TTP é focada nos três poderes e na inabilidade de sair dando tiro por aí. Assim como Doctor Who, essa série foi escrita e moldada para entreter as crianças nos anos 70. Porém, no mundo contemporâneo, queremos ação e heróis no mesmo frame.

Considerando que se tratava de um remake e que Julie Plec ama fazer mudanças, ela e os amigos poderiam ter considerado uma pequena repaginada para anular a ideia de que Stephen e Cia. eram fracos demais para lidar com os vilões. Vale até mencionar que Jameson era um adolescente, não podia fazer muito, outro ponto perdido se comparado aos momentos de brutalidade dos heróis de Heroes em vários episódios.

Apesar de tudo isso, o formato de Heroes é o principal fator que lhe dá a vitória. Uma ideia que ampliou o universo fora das telinhas, deu novos ares para a TV e alimentou enlouquecidamente a cultura pop. Essa é uma série que marcou não só por se inspirar nos quadrinhos, mas também pelos personagens, pelos poderes e até mesmo pelos jargões e frases de efeito que foram imortalizados (Yatta!).

 

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The Tomorrow People perde e muito por ter sido um remake, o que deixou a série muito presa ao contexto do original. Ela não criou sua assinatura e é difícil resgatar algo marcante dos 22 episódios, a não ser o romance que a CW faz questão de vender como água. Tudo bem que me lembro de mais coisas, mas sou fanzoca, não vale.

Heroes trouxe personagens independentes e poderes individuais. Histórias únicas que impulsionaram um elenco formado em grande parte por adultos, outro ponto satisfatório. Enfim, essa belezinha pode ter sofrido com a interferência nos anos que se seguiram, mas nunca fugiu do objetivo: pessoas comuns se tornando extraordinárias.