Ringue Mix: duelo entre amigos

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Um dos maiores poderes da ficção é a capacidade de fazer o telespectador se identificar com as histórias que ocorrem na telinha. Criar empatia com personagens que dividem sua rotina e conversam “bobagem” no sofá da cafeteria ou na mesa do bar é ainda mais fácil. As sitcons, surgidas nos anos 1940, nos EUA, passaram pela redefinição do gênero nos idos de 1980 com séries como Seinfeld e Cheers, resultando em duas das comédias mais icônicas das últimas décadas: Friends e How I Met Your Mother – as preciosidades que batalham no Ringue Mix dessa semana.

 

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De um lado…

Friends
10 temporadas (1994-2004)
236 episódios
Criada por: David Crane e Marta Kauffman

friendsDesenvolvida inicialmente com o título provisório Insomnia Cafe, a série acompanha a rotina de seis amigos que moram em Manhattan. O ponto de partida para a trama se dá quando Rachel Green, personagem interpretada por Jennifer Aniston, abandona o próprio casamento e reencontra Monica Geller (Courteney Cox), grande amiga da escola com quem passa a morar.

Com todas as temporadas figurando entre as dez mais assistidas em suas respectivas épocas, Friends chegou a receber 62 indicações ao Emmy. Considerada uma das comédias mais importantes de todos os tempos, é facilmente lembrada em qualquer roda de conversa sobre séries de TV.

 

…Do outro lado

How I Met Your Mother
9 temporadas (2005-2014)
208 episódios
Criada por: Carter Bays e Craig Thomas

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Também situada no estado de Nova Iorque, HIMYM traz novamente a premissa básica do grupo de amigos vivendo em um grande centro urbano. Por sua vez, apresenta a narrativa de Ted Mosby (Josh Radnor) de modo diferente. O protagonista reconta as histórias que viveu durante a vida para explicar aos filhos como conheceu a mãe deles.

Com ótimos números na primeira temporada, a audiência permaneceu regular até atingir os piores índices no sexto ano. Indicada ao Emmy 28 vezes, a produção da CBS teve seu número máximo de telespectadores na temporada final. HIMYM soube se manter no ar durante quase uma década, apesar dos altos e baixos e um final que dividiu opiniões.

 

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Primeiramente, vamos deixar algo bem claro aqui. Ambos os shows são referência no que fazem. Com roteiristas completamente cientes do que tinham em mãos, as duas séries souberam desenvolver seus personagens com maestria. As turmas são tão bem construídas que, depois de um tempo, fica até fácil imaginar como cada um reage a uma situação. Você pode até dizer que isso torna os programas previsíveis, mas convenhamos, a “previsibilidade” só aproxima mais o público daqueles personagens. Sabe aquele seu grande amigo que você até pensa o que ele vai dizer quando contar uma novidade? É mais ou menos assim. Mas saber o que esperar não é exatamente um problema, já que a proposta das “comédias de situação” é justamente trabalhar com trivialidades e a fácil identificação com a audiência.

Podemos dizer que Friends nasceu na era de ouro da NBC, acompanhada do drama médico ER e a memorável Will & Grace, que veio um pouco depois. A credibilidade do canal já era o primeiro sinal verde para conferir a série. Com Rachel, Monica e Ross (David Schwimmer), o roteiro trazia o resgate nostálgico das conexões que se perdem ao longo da vida, algo tão comum para qualquer pessoa. Redescobrir esses elos, na fase adulta, acabou se tornando o grande fio condutor. Kauffman e Crane sabiam, como poucos em sua época, juntar todas as peças de forma tão orgânica e verdadeira.

Para Friends, um dos maiores problemas foi a falta de ousadia. O show ainda é visto como politicamente correto, o que não atrapalha a qualidade. Há ainda da ausência de diversidade – por falta de uma expressão melhor – no núcleo principal. O que faltou de um lado, sobrou de boas histórias para retratar. O romance de Ross e Rachel teve desenvolvimento impecável nos primeiros anos, o suficiente para esfriar posteriormente e se tornar o que encerraria a série quase como um pagamento de dívida para o público. E o que falar de Monica e Chandler (Matthew Perry)? Com uma história construída com tanto cuidado ao longo dos anos, tornaram-se o principal casal da série. Ainda assim, Phoebe, brilhantemente interpretada por Lisa Kudrow, carregou parte das melhores e mais fortes histórias, tomando para si a atenção quando lhe cabia.

How I Met Your Mother nasceu em uma época em que, embora sua emissora não estivesse na pior, as comédias, ou talvez a programação como um todo, já não eram mais recebidas como antigamente. Mas então, por que o público iria acompanhar novamente a história de um grupo de amigos em uma cidade grande? Seria essa uma forma de preencher uma vaga em aberto? Em grande parte, sim. Mas com tantos anos de história televisiva para tomar como exemplo, os criadores de HIMYM fizeram o dever de casa. Se todas as histórias já foram contadas, o que restava para eles é encontrar uma nova forma de narrá-las.

A premissa de mostrar o protagonista, no futuro, contando tudo o que viveu com seus melhores amigos foi uma boa ideia para sair da mesmice, e descobrir quem seria a Mother se tornou o whodunnit da década. Se a série veio com um diferencial, ele acabou sendo seu maior problema. A comédia se arrastou por mais tempo do que o recurso narrativo poderia aguentar. De qualquer forma, a competência dos roteiristas com as situações de Lily (Alyson Hannigan), Marshall (Jason Segel) e Robin (Cobie Smulders), além do carismático personagem de Neil Patrick Harris, sustentaram a série.

Na última temporada, a série desafiou o improvável e se deu inteiramente em um fim de semana, com diversas idas e vindas no tempo. Conhecer a Garota do Guarda-Chuva Amarelo foi uma das experiências mais deliciosas que a série proporcionou nesses nove anos. E, em seu final brilhante, o que vimos foi um roteiro corajoso, sem medo de provocar quem pensava saber o que estava para vir.

 

E o vencedor é

Ambas as séries terminaram com o pé na realidade. Depois de dez anos, Friends brincou novamente com aquilo que foi seu gatilho: chegadas e partidas. O que pode ser mais real que isso? Na vida, escolhas são feitas a todo momento e são justamente elas que definem para onde ir. How I Met Your Mother foi pelo mesmo caminho, apenas seguindo para o drama. E embora Mother tenha conseguido ser genial explorando as possibilidades no lugar-comum, o clássico, meus amigos, ele é sempre maior do que qualquer renovação e inovação dentro do gênero.

A verdade é que não haveria HIMYM sem Friends. Não haveria o romântico Ted Mosby sem Ross Geller. Nem Barney Stinson sem Joey Tribbiani e Chandler Bing. É fato que todas as histórias já foram contadas, mas sempre haverão diferentes formas de contá-las. Dessa forma, sempre existirá aquela que serve de referência. Há sempre um motivo para olhar para trás e lembrar por que Friends é a série de uma geração.

 

KO-Friends

Equipe Mix

Equipe Mix

Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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