Ringue Mix: Duelo no Tribunal

MIX-RINGE-Murder-TGW

Imagens: CBS/ABC/Divulgação. Montagem: Mix de Séries

No Ringue Mix de hoje duas belas advogadas se enfrentam, duas séries de peso duelam, mas não em cima de um ringue, em um lugar muito mais difícil, que exige muito mais da inteligência de nossas lutadoras, dentro de um Tribunal.

Faltando poucos episódios para terminar, The Good Wife enfrenta How to Get Away With Murder, que foi renovada recentemente para sua terceira temporada. Duelo difícil, requer muitos argumentos, fundamentos precisos e convincentes. O mais complicado, eu gosto das duas e já vou requerer uma revanche. Vamos à luta?

SPOILER ALERT: Este texto contêm spoilers das últimas temporadas.

Continua após a publicidade

 

De Um Lado do Ringue…

The Good Wife

7 temporadas (2009-2016)

156 episódios

Criado por Robert King e Michelle King

alicia-tgw

Imagem: CBS/Divulgação

A série da CBS, que estreou em setembro de 2009, conta a história de Alicia Florrick (Julianna Margulies), a boa esposa, que teve que advogar depois de muito tempo parada, quando seu marido, ex procurador de Estado, foi preso por corrupção e envolvimento com prostitutas. Depois de muito tempo como dona de casa, Alicia vai advogar no escritório de um colega de faculdade, que sempre teve uma paixãozinha, Will Gadner. Além da nova experiência no tribunal, Alicia tem que cuidar dos seus filhos e enfrentar a imprensa com vários boatos e pré julgamentos sobre seu casamento e sua família. TGW foi inspirado no escândalo de prostituição que envolveu Eliot Spitzer, ex governador de Nova Iorque, nos EUA, além de outros escândalos de políticos americanos, como de Bill Clinton. A série recebeu uma crítica positiva e teve pontos altos de audiência como na terceira e quinta temporada. Após sete anos, a CBS anunciou em 2016 que a sétima temporada será a última da série, fechando perfeitamente a história criada pelos showrunners.

 

... Do Outro Lado do Ringue

How To Get Away With Murder

2 temporadas (2014-atual)

30 episódios

Criado por Peter Nowalk

annalise-keating

Imagem: ABC/Divulgação.

Também conhecida por HTGAWM, ou simples Murder, a série estreou em 2014 e agora foi renovada pela ABC para uma terceira temporada. Peter Nowalk é o criador, mas a famosa Shonda Rhimes é a produtora executiva, por isso a carga excessiva de drama, talvez. Murder tem como estrela principal a atriz Viola Davis, que interpreta Annalise Keating, uma advogada que também é professora de Direito Penal em uma universidade renomada na Filadélfia. Em seu escritório, Annalise escolhe cinco dos melhores alunos para estagiar com ela, são intitulados 5keatings: Wes, Michaela, Connor, Laurel e Asher. Os alunos acabam se envolvendo na vida pessoal de Annalise, involuntariamente, devido a um assassinato. Ela que tem uma vida conturbada é casada com Sam, um psicólogo renomado, mas tem um detetive policial, Nate, como amante. Murder é cercada por mistérios, está tendo uma audiência alta nos EUA e está fazendo sucesso no mundo todo.

 

fight-300x169

Imagem: Mix de Séries

Muito difícil estabelecer critérios para este duelo jurídico. Mas vamos para lado comum das duas séries de sucesso. Ambas são dramas que tem como tema central o mundo jurídico. Mas não é apenas de Tribunal que a história se baseia. As duas conseguem manter uma história paralela fixa ao longo das temporadas. The Good Wife tem o estilo mais procedural, onde em cada episódio um caso da semana é exposto, mas nem sempre é assim. Há casos que duram vários episódios e se relacionam diretamente com a trama principal. Em Murder acontece parecido, apesar que no último caso da segunda temporada, a história durou uma temporada inteira e envolveu muito com a trama fixa. Logo, nem sempre podemos dizer que são do tipo procedural estas duas séries.

Ambas as séries possuem uma mulher como protagonista. Elas são advogadas, fortes, maduras, determinadas e independentes. Alicia Florrick vimos progredir, sua evolução foi lenta, mas o crescimento foi significativo. Annalise Keating já vimos sua regressão, suas crises, intercalada com flashbacks, mostrando como ela chegou até aqui.

Murder e TGW são bem escritas e possuem um enredo bem casado. Digo isso porque seus produtores já pensaram em tudo desde o começo. Principalmente TGW, desde o início os showrunners já sabiam como a série iria terminar. Murder você também reconhece como tudo é interligado, como tudo tem uma explicação, e tenho certeza que praticamente está definido como será o fim da série.

O mais legal da história ser fechada assim é que se evita furos. Todas as coisas que acontecem em Murder tem uma explicação, mesmo que seja no futuro, tudo faz sentido quando é visto a história completa. Da mesma forma é TGW, os episódios são bem definidos e estrategicamente pensados. E uma coisa bem legal disso é que todos os títulos dos episódios da primeira temporada tem uma palavra, da segunda temporada tem duas palavras, da terceira, três, da quarta, quatro palavras, mas a partir da quinta, as palavras diminuem para três, na sexta são duas e, finalmente, na sétima, os títulos tem apenas uma palavra. Bacana, não?! Tudo metricamente calculado.

Em termos de Direito, as séries se aproximam, pois vimos muitas cenas em Tribunais. Annalise e Alicia arrasam na arguição oral, nos depoimentos e nos bons argumentos. Imaginem elas se enfrentando na Corte? Que sonho este crossover! Mas pelo visto só veremos as duas poderosas se duelando aqui no Ringue Mix. Os casos de Annalise são criminais, quanto Alicia já fez de tudo, cível, tributário, consumidor, empresarial, até militar. Os casos de ambas são sempre interessantes que nos fazem pensar e refletir. Fora que muitos são inspirados em casos reais. No entanto, temos que levar em conta que o Direito americano é muito diferente do Direito brasileiro. Mas mesmo assim, dá para entendermos o sistema de júri deles, dos protestos e tudo mais. Quem nunca torceu para nossas advogadas ganharem, hein?!

No quesito mortes, nossas amadas também tem muito em comum, mas lógico com as devidas proporções. Murder tem 24987402 mortes por dia, o que não acontece em TGW. No entanto, mesmo que muitas, as mortes em Murder são sempre chocantes e rendem ótimos plots. A morte de Sam, Laila, Rebecca e outros rendem muito até hoje, e se discute a legalidade da ação e a responsabilidade dos assassinos. Se for ver, quase ninguém sai inocentado dos personagens haha. Em TGW, o número de mortes é bem mais reduzido, mas as poucas também foram marcantes, durante os casos, e renderam histórias intrigantes. Sobre entes queridos, como em Murder, a morte é mais chocante. Quando ficamos sabendo que Sam morreu, muitos ficaram em choque e querendo punir os responsáveis. Em TGW, não foi diferente com a morte de Will. As histórias renderam várias temporadas após as mortes dos amados das protagonistas. Eu pelo menos sinto até hoje a morte do Will, e não entendo alguns detalhes da morte do Sam. Mas enfim, vida que segue… Nossas advogadas estão no ringue pau a pau, e a competição está acirrada!

 

E o vencedor é…

Foi muito difícil a disputa, pois estas duas divas arrasam. Comparar The Good Wife com How to Get Away With Murder não é fácil, as duas são minhas queridonas e merecem vencer. Mas a decisão foi feita.

Temos que levar em consideração que uma série veterana, de sete anos, têm muito mais vantagens que uma série jovem. Uma série veterana já está consagrada, sólida, tem o gosto do público. Fica mais complicado para a série jovem que ainda está conquistando seu espaço vencer. Apesar que Murder já faz um tremendo sucesso, e para mim já fixou em seu terreno.

How to Get Away With Murder é uma série excelente, tem um enredo ótimo e consegue nos prender do começo ao fim. O que pode ser muito bom é também o seu defeito. Explico. Por tentar nos prender a cada episódio e durante uma temporada inteira, se cria muitos mistérios, muitas mortes, muitos nós, que às vezes fazem com que os telespectadores fiquem perdidos. Isso acaba ficando um pouco cansativo, pois a solução demora a vir, e nós demoramos a entender o desfecho da história e fica exaustivo. Acho que isso é um ponto muito negativo da série, querer impressionar demais.

The Good Wife não, é mais linear, faz mais sentido. Te prende também, mas de forma mais suave, sem mistérios insolucionáveis, apenas plots que serão solucionados no máximo nos próximos episódios. Mas logicamente que TGW tem seus cliffhangers, nos finais de temporadas, que quase nos matam de curiosidades. TGW ganha muito por ser assim, equilibrada, sutil nos suspenses, sem grandes nós, mas que ao mesmo tempo você quer continuar acompanhando Alicia no tribunal, Peter e Eli na política e por aí vai.

Sobre os personagens, a vitória mais uma vez é de TGW. Murder tem bons personagens, mas não nos envolvemos tanto com eles quanto em TGW. Esta é uma série que tem personagens cativantes. Não tem como não torcer por Alicia, rir com Eli Gold, odiar Peter e querer trabalhar no escritório de Will e Diane. As histórias de cada um são densas, e podemos acompanhar seu crescimento ao longo de sete anos. A evolução de Alicia, principalmente, é nítida, e ficamos orgulhosos em ver seu progresso até a sétima temporada. Como o recomeço foi bom para ela, a sua independência, todos os sufocos que ela passou, todas dificuldades enfrentadas, seja no mundo jurídico, seja na política, fizeram com que ela se tornasse uma pessoa mais forte, determinada, segura de si. Alicia Florrick é a materialização do empoderamento feminino, ela mostra do que uma mulher é capaz e quebra todos os tipos de preconceito possíveis.

Mais um ponto para TGW é o enredo rico, várias histórias distintas se relacionam de maneira equilibrada. Há política, há direito, há relacionamentos amorosos, há família, há amizade, há de tudo um pouco. Ao longo das temporadas, os núcleos vão mudando também. Já teve foco na política de Peter como procurador, como governador, como vice-presidente, de Alicia como procuradora. No mundo jurídico, de Alicia como associada júnior até como sócia nominal, como dona do próprio escritório, como home officer. Na parte familiar, Alicia já passou por mulher traída, esposa sofredora, mãe de dois filhos, mulher independente, pegadora, bebum haha, até sendo uma boa esposa, porque não. Eita, são tantas histórias nestes sete anos que com certeza eu esqueci de muita coisa. De Diane sonhando em ser juíza, do envolvimento de Cary e Kalinda, das investigações de Kalinda, das discussões de princípios e conceitos da vida, de religião, de governo, de casos similares ao que vem acontecendo nos EUA. Com TGW, além de entretenimento, você adquire cultura, conhecimento e informação. Olha o quanto aprendemos sobre eleições americanas, que isso! Em termos de enredo rico e diversificado, TGW dá um nocaute em Murder!

Agora com TGW chegando ao fim, quem sabe Murder não conquista os admiradores da boa esposa para continuar esta saga no tribunal e na vida de uma mulher batalhadora, que enfrenta preconceitos e desafios diários.

 

KO-TGW

Imagem: Mix de Séries

Obs.: Acho que Annalise só leva uma vantagem perante Alicia, no uso da peruca. Ela arrasa em cada episódio com perucas lindas. Porque já da Alicia, vou te falar, eita peruca feia! Arruma isso produção, ainda dá tempo para a finale!

Paula Reis

Paula Reis

Advogada e concurseira de plantão, no Mix, é editora de reviews e colunas. É viciada em tudo sobre Game of Thrones e adora séries jurídicas.

No comments

Add yours