Ringue Mix: Entre a montanha da árvore e o lago do Dawson

Séries adolescentes nos anos 1990 e 2000 eram uma febre. Uma fórmula que acabou dando certo e começou a moldar milhares de jovens americanos que se espelhavam nos dramas, dilemas e paixões de personagens com os quais passavam uma hora semanal.

Um canal que acabou por se consagrar no gênero foi o extinto The WB, hoje conhecido como The CW, após fundir-se com outro canal do gênero, UPN. Nesta fórmula de sucesso, por ser um universo bem próximo, as comparações são inevitáveis. Inúmeras séries poderiam entrar nesta batalha – e acredite, vão. Mas existem duas clássicas que o Ringue Mix de hoje não vai deixar passar…

Numa briga entre os dilemas de Dawson’s Creek e os jogos de basquete em One Tree Hill, apenas uma sai vitoriosa. Uma briga de peso.

 

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De um lado do ringue…

Dawson’s Creek

6 temporadas (1998 – 2003)
128 episódios
Criada por: Kevin Williamson

Dawson’s Creek foi uma série que marcou época. Enquanto esteve no ar entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 era referência para o gênero. Criada por Kevin Williamson, é considerada até hoje uma das séries de maior prestígio entre o público jovem. Para o grupo de adolescentes formado por Dawson (James Van Der Beek), Joey (Katie Holmes), Pacey (Joshua Jackson) e Jen (Michelle Williams), passar para o “mundo” adulto não poderia ser mais difícil. Em Capeside, uma pequena cidade do litoral perto de Boston, eles convivem com os mais diferentes tipos de problemas no cotidiano, o que os fazem crescer e entender melhor o mundo em que vivem. Cada um precisa decidir os rumos de sua vida, sendo nada fácil. Mas, com amor e amizade, esse caminho foi mais fácil de encarar.

 

Do outro lado do ringue.

One Tree Hill

9 temporadas (2003 – 2012)
187 episódios
Criada por: Mark Schwahn

No Brasil conhecida popularmente como Lances da Vida, One Tree Hill foi uma série exibida entre 2003 e 2012 nos canais The WB e posteriormente The CW. A história girava em torno de Lucas Scott (Chad Michael Murray), um jovem de 16 anos que sonhava em ser jogador de basquete. No começo era rival de seu meio-irmão Nathan Scott (James Lafferty) e de seu pai, Dan (Paul Johansson), pois este nunca o aceitou como filho, deixando-o sob criação total da mãe. Ao ser convidado para se juntar aos Ravens, time de basquete da Tree Hill High, escola onde estuda, Lucas tem de lidar com a pressão do pai e o temperamento forte do irmão. Além disso, ele se apaixona por Peyton Sawyer (Hilarie Burton), namorada do irmão e cheerleader do time. Para piorar, Brooke Davis (Sophia Bush), melhor amiga de Peyton, se apaixona pelo protagonista. Nathan usa Haley (Bethany Joy Galeotti), melhor amiga de Lucas, como alvo para atingir o garoto. Porém, seus planos dão errado, e ele acaba se apaixonando pela moça. Lutando pela aceitação do pai e enfrentando brigas com o irmão, Lucas tem de equilibrar sua vida emocional com o basquete.

 

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Ambas as séries são sempre citadas em uma roda de conversa sobre séries teens. Tanto Dawson’s Creek quanto One Tree Hill acabaram criando uma fã-base forte, mostrando a grande popularidade que as mantém vivas até hoje. Colocá-las para duelar pode até parecer injusto, mas é uma briga das boas.

Dawson’s Creek estourou logo de cara. O piloto marcou 6.8 milhões de audiência, e sua primeira temporada com treze episódios encomendados foi suficiente para uma renovação. Apesar de ter sido exibida nas terças com seu primeiro ano, foi mesmo nas quarta feiras que se consolidou mantendo uma média de 4 milhões de espectadores semanalmente. A linguagem adulta – principalmente abordada pelos personagens Pacey e Jen, foi algo que se destacou no formato do show, e que, ao longo dos episódios começou a ser um fio condutor para os showrunners.

Ao contrário, One Tree Hill começou de forma mais light. Números modestos – 2.5 milhões de espectadores assistiram o episódio piloto – assustaram a produção, que logo de cara começaram a reestruturar algumas histórias. Por conta disso, a cada semana a audiência foi crescendo, finalizando a primeira temporada com 3.5 milhões de espectadores. O resultado foi tão positivo, que no ano seguinte, o show abocanhou uma média de quase 4,5 milhões de espectadores, se tornando um grande sucesso da emissora e do público jovem. Entretanto, achar um dia certo para a série foi um desafio. Nos nove anos presente no ar, a série alternou entre segundas, terças e quartas. As histórias nos primeiros anos eram bem leves, e o teor dramático que assistíamos em Dawson’s passava bem longe por aqui, o que pra mim, era mais atrativo em uma série high scool.

A maturidade de One Tree Hill veio de fato quatro anos depois. Um salto no tempo após o final da quarta temporada, levou os personagens direto para o “depois da faculdade”. Formados, adultos, com filhos. As “crianças” da série se tornaram mais velhos, e ali, os personagens encararam dilemas de gente grande. Esta pra mim, é algo que OTH conseguiu se sobresair muito bem à Creek. A série de Kevin Williamson talvez tenha cometido um erro ao, após a formatura do ensino médio, ter acompanhado mais dois anos de faculdade dos personagens. Praticamente os mesmos dilemas enfrentados. Nada de novo. O desgaste foi visível, e o cancelamento da série veio logo em seguida. Já para OTH, o acerto foi comemorado. A série durou bem mais tempo nesta fase adulta no que fase teen.

Os personagens de ambas as séries são um assunto à parte. Gosto muito da dinâmica entre os quatro protagonistas de Dawson’s, merecendo cumprimentos pela estabilidade de seus personagens. Apesar de altos e baixos em suas histórias, os quatro mantiveram-se firme durante todos os seis anos da série – com uma chocante morte no series finale do show. Já em OTH, a coisa não foi muito bem assim. Os protagonistas mudaram bastante durante os longos nove anos de exibição. Inicialmente, os irmãos eram protagonistas, a mocinha era uma, a vilãzinha era outra. Mas ao decorrer dos episódios, tudo se misturou e já não sabíamos mais quem era o verdadeiro protagonista da história. Adiciona-se isto ao fato de Chad Michael Murray e Hilarie Burton terem partido ao final da sexta temporada.

Ainda sobre os protagonistas, algo é certo: os personagens de One Tree Hill eram bem mais carismáticos que os de Dawson’s Creek. Ok, em Creek tinhamos o Pacey que é um dos personagens mais legais de todas as séries teen do universo. Jen tinha sua ideologia rebelde que muitos garotos e garotas se inspiravam… Mas o que é o casal central? Dawson e Joey talvez tenham protagonizado um dos romances mais tediosos das séries de TV. O personagem de James Van Der Beek era de uma chatice e dramaticidade exagerada sem tamanho. O dilema de ambos sobre a virgindade foi algo que se arrastou sobre anos. Convenhamos? Estamos em uma série teen americana, e o casal central tem um dilema sobre virgindade? Já em OTH, os protagonistas estavam longe dessa monotonia, e tratavam de sexo, drogas, álcool… Algo bem mais próximo do universo daqueles garotos de 16 a 18 anos. Destaque para a Brooke de Sophia Bush que roubava a cena cada vez que aparecia.

E a trilha sonora? One Tree Hill dava um banho em Dawson’s. A trilha inclusive era uma das essências da série de Mark Schawhn, que trouxe para este universo o assunto através da carreira musical de Haley. A cada semana, tínhamos uma banda de peso do mundo jovem se apresentando na série, principalmente após a abertura da casal de shows Tric na segunda temporada. Esse foi um dos pontos mais positivos da série, que semanalmente formava uma excelente mixtape para seus espectadores.

A locação deu empate técnico. Ambas eram filmadas em Wilmington, Carolina da Norte. Um cidade pequena que dava um ar de interior, e a atmosfera perfeita para as histórias a serem contadas aqui. Entretanto, reconheço que essas paisagens foram melhor utilizadas em Dawson’s Creek. As praias, os lagos e o natural sempre estiveram presentes nos episódios. Era uma bela vista semanal.

Cada uma tem golpes fortes para derrubar o adversário, se tornando bem acirrada a disputa.

 

E o vencedor é…

Se tem algo que me conquista em uma série, é a forma como ela é escrita. O cuidado, a atenção e principalmente o caminho que o showrunner traça para seu projeto. Isso é algo que One Tree Hill teve desde o início. Apesar de sempre estar na bolha, One Tree Hill soube muito bem contar suas histórias, com muita tragédia, inovação. Prova disso foi o episódio do tiroteio no colégio, um dos mais famosos do show, que mostrou toda a genialidade do criador Mark Schawhn – que permaneceu escrevendo a série do começo ao fim.

Dawson’s Creek não teve a mesma sorte. Sua inconstância era percebida entre uma temporada e outra. A troca constante de showrunners era a principal causa disso. Você pode ver que, após a segunda temporada, aconteceu uma transformação geral na personalidade dos protagonistas, existe uma troca de casal que dá até um up por certo momento. Acaba gelando as coisas nas temporadas seguintes, e vê em seu series finale, tudo ser jogado fora, com o retorno do criador Kevin Williamson. É como se prestasse assistir apenas as três primeiras temporadas e o series finale. Não, não é legal isso.

Talvez este tenha sido um dos fatores que tenha conseguido deixar One Tree Hill mais tempo no ar do que Dawson’s Creek, provando que mesmo sem dois grande protagonistas, era possível sim continuar a história. Por também ter inovado ao mostrar os protagonistas adultos, ter apresentando uma imensidão de catástrofes, acidentes, plot twist de prender o fôlego, e também por sua trilha sonora incomparável, One Tree Hill é detentora do cinturão de Séries Teen no Ringue Mix. Que venha a próxima série, ou uma revanche que provavelmente irá aparecer…

 

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Anderson Narciso

Anderson Narciso

Criador, editor e redator do site Mix de Séries, é apaixonado por séries desde sempre. Fã incondicional de One Tree Hill, ER, Friends, e não perde um episódio da Franquia Chicago.

5 comments

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  1. Avatar
    Alice Risso 13 janeiro, 2015 at 10:35 Responder

    Sempre desconfiei que Dawsons e OTH eram gravadas no mesmo lugar. Obrigada pela informação hein Anderson? 😀

    Sobre Peyton e Lucas….eu contava as horas para eles explodirem e nunca mais aparecerem no programa, tá, só no casamento da Brooke, o que não aconteceu, e eu achei absurdoooooooooooooo.

    Joey e Dawson estão lado a lado com Peyton e Lucas em relação ao casal mais chato. Afff….

    Enfim, só para falar que eu concordo com vc!

    • Anderson Narciso
      Anderson Narciso 13 janeiro, 2015 at 11:53 Responder

      Sim. Além disso outras séries já passaram por ali como Revenge, Hart of Dixie, Everwood…

      Wilmington tem locações baratas e belíssimas.
      Fica ligada que vai estrear uma coluna em breve que falará melhor sobre isso 😛

      Já sobre os protagonistas, bem…

      Eu gosto de Leyton, mas por causa da Peyton. Como disse com o Edu, eu gosto de muitos plots dela. Mas o Lucas é tenso. Aliás, a Brooke sempre foi minha personagem predileta e comemorei quando o Lucas terminou com ela, pq a Brooke merecia algo melhor.

      Mas, é isso, OTH pra mim vence Joey’s Creek – pq vamos combinar, o Dawson nunca foi dono daquele show hahaha

      • Avatar
        Alice Risso 14 janeiro, 2015 at 18:52 Responder

        Joey´s Creek HUASHUASUASAHSHUASUHASUHSAUASUUHASHUASUH rachei
        mas continua sendo chato, pq ela era outra mala. Somente o Pacey mesmo para salvar aquela bagaça. Eu gostava da Jen, mas as vezes ela extrapolava o limite também e ai me irritava um pouco também. Mas o Pacey, aaaah o Pacey, era só amor. Puro amor.

  2. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 13 janeiro, 2015 at 10:47 Responder

    Era óbvio que OTH ia ganhar essa batalha. Gosto, e muito, de Dawson’s Creek, mas ele e Joey eram os personagens mais sem sal inexpressivos da vida. Lucas não fica muito atrás, mas Peyton pelo menos salvava a relação, apesar de eu ser eternamente Brucas (polêmica!).
    OTH soube usar melhor das histórias, e o fator de avançar a história no tempo foi um tiro no escuro, mas que foi muito bem certeiro.

    • Anderson Narciso
      Anderson Narciso 13 janeiro, 2015 at 11:51 Responder

      Olha eu gosto muito da Peyton. O plot com a mãe biológica dela por exemplo na terceira temporada, me emociona muito. A relação dela com a Brooke, a gravidez… são todos plots muito bons.

      O Lucas é um sem sal que estraga tudo, nunca fez falta na série. Mas mesmo assim, ele consegue ser melhor que o Dawson!

      Enfim, pra mim, OTH tem um pacote melhor a oferecer do que Dawsons 😀

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