Ringue Mix: Entre a sala de cirurgia e a emergência

A batalha de hoje vai terminar no hospital! Sangue? Morte? Acidentes e… Sexo? Sim, hoje o Ringue Mix terá tudo isso. O tema escolhido da semana foi drama médico, e quando falamos do gênero existem dois nomes de peso que logo vem em nossas mentes: E.R. – Plantão Médico e Grey’s Anatomy.

Apesar de tratarem do mesmo universo, apresentavam uma ótica e dinâmica diferente. Claro que existem diferenças, mas as semelhanças são visíveis, tornando inevitável as comparações.

 

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De um lado do Ringue…

E.R. – Plantão Médico
15 temporadas (1994 – 2008)
331 episódios
Criada por Michael Crichton

Inicialmente pensada como um filme, Plantão Médico estreou nas noites de quinta da NBC inaugurando uma nova fórmula de se fazer séries médicas. Focado nos casos clínicos e nos dilemas e desafios da profissão, E.R. se consolidou como um grande sucesso, arrebatou prêmios, lançou atores e fez escola para o gênero. Semanalmente acompanhávamos o drama dos pacientes do County General Hospital em Chicago, um lugar que acabou virando referência para todos os fãs da série.

 

 

 

Do outro lado do Ringue…

Grey’s Anatomy
11 temporadas (2005 – atualmente)
226 episódios
Criada por Shonda Rhimes

Grey-s-Anatomy-greys-anatomy-10397326-2560-1638Grey’s Anatomy é a referência médica dos tempos atuais na TV. Há quase 10 anos no ar, durante 11 temporadas acompanhamos a trajetória de Meredith Grey, inicialmente uma interna e hoje uma renomada cirurgiã em um grande hospital de Seattle (que já trocou de nome umas três vezes na série). Grey’s Anatomy não só intenciona mostrar o cotidiano de um hospital como também foca no lado emocional e sentimental dos médicos. Aqui, digamos que o “particular” das pessoas que trabalham é o protagonista.

 

 

 

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A briga é intensa. As duas séries são do mesmo gênero e acabaram se tornando rivais por inúmeras razões. E.R. chegou na frente. Como dito acima, em 1994 fez escola. Dominou o gênero naquele período – apesar de concorrer diretamente com outro drama médico na época, Chicago Hope. Lançou muitos atores, entre eles George Clooney e Julianna Margulies, e quebrou recordes e recordes de audiência – sem precisar anteceder qualquer evento como o Super Bowl. Inovou com suas “histórias rápidas” e as filmagens em steady cam. Trabalhava com uma medicina real e dava muitos destaques para outros membros do hospital como secretários, diretores, enfermeiros…

Grey’s Anatomy veio depois. Apesar de ter alcançados números expressivos, nunca marcou metade da média de audiência de E.R. Tudo bem que, a série estreou mais de uma década depois, mas mesmo assim, E.R. manteve-se em alta até o seu series finale em 2008, quando marcou em torno de 16 milhões e demo de 6.0 em sua despedida. Hoje, a audiência de Grey’s se mantém na casa dos 8 milhões e 2.5 de demo.

Se uma coisa que prende espectador são personagens carismáticos, Grey’s tem isso de sobra. Praticamente todo o elenco é um rostinho bonito que faz você torcer por ele. Não que isso seja ruim. Aliás, a série tem méritos, justamente por após 11 anos, manter ainda parte do seu elenco original – coisa que E.R. não conseguiu segurar muito. Na décima primeira temporada do drama da NBC, somente Noah Wyle estava presente no time original.

Grey’s é criticada no fato de ter semelhança demais com muitos plots de E.R.. Inclusive, alguns “eventos catástrofes” que atingiram o Seattle, remetem claramente à alguns de Chicago. Por exemplo, o episódio em que Izzie faz um atendimento com uma furadeira no local do acidente da barca, faz alusão ao episódio em que Carter faz um atendimento com uma serra no local do acidente de trem no episódio 150 de Plantão Médico. Muitos outros plots como tiroteio em hospital e acidentes aéreos apareceram primeiro na série de Michael Crichton. Adiciona-se a isto, o fato de que esses eventos geralmente aconteciam em um episódio “comum” de E.R., enquanto em Grey’s geralmente servem de plano de fundo para o “final da temporada”.

A série de Shonda Rhimes entretanto é mestre na emoção. Com músicas inesquecíveis em sua trilha sonora, se tem uma coisa que o drama médico da ABC sabe fazer é tocar o coração de seus espectadores e ninguém consegue batê-la neste quesito. Quando E.R. e Grey’s dividiram a fall season a partir de 2005, a série da NBC começou a se “novelizar”, talvez para agradar parte do público que via em GA algo que não via em Plantão Médico. Entretanto, o tiro saiu um pouco pela culatra e não deu muito certo, uma vez que essa característica quebrou completamente a dinâmica do foco nos casos médicos.

Ainda podemos falar da equipe de produção. Shonda Rhimes até se tornar famosa por escrever a série médica havia escrito um filme protagonizado por Britney Spears e comédias do gênero Diário da Princesa. Já E.R., foi encabeçada por Michael Crichton e Steven Spielberg, dupla responsável por levar Jurassic Park às telas, um ano antes. Além disso, John Wells, um dos mais importantes showrunners da série teve no seu currículo Third Watch e West Wing, além de ter sido presidente do sindicado dos roteiristas.

 

E o vencedor é…

Não é implicância. Passei muitos anos sendo um fã incontestável de Grey’s Anatomy. Acompanho desde o começo a série, e vivenciei por muitos anos o auge do drama médico. Reconheço cada uma de suas características e seus méritos. Entretanto, a partir do momento em que Grey’s Anatomy atingiu o ponto de ser aquela série “que já deveria ter acabado”, é inegável ver o quanto E.R. tem mais qualidade. A série da NBC chegou à sua décima quinta temporada com fôlego – mesmo que bem mais lenta do que quando começou, e fez uma temporada final que deixou um gostinho de quero mais para todos. Fora isso, recebeu 124 indicações ao Emmy – UM RECORDE, abocanhando aí 22 prêmios (8 só na primeira temporada) além do Golden Globes durante muitos anos, coisa que Grey’s deixou-se perder logo em suas primeiras temporadas. Além do mais, por ter se tornado referência, acaba por “inspirar demais” o atual drama médico, fazendo-o este parecer uma cópia em determinados aspectos. A briga foi feia, e E.R. venceu Grey’s por nocaute. É dona do cinturão dos dramas médicos… até que apareça uma revanche.

 

ER-WINS

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

2 comments

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    Allan Padoan 26 novembro, 2014 at 04:04 Responder

    Não lembro muito de ER, assisti somente alguns episódios avulsos por aí. Gosto de começar uma série do começo e ir acompanhando, mas como em 1994 eu tinha 5 anos era impossível hahahaha. Mas se pá faço que nem Friends e baixo pela net ou vou comprando os boxes, se valer mesmo a pena. A matéria me deixou animado.

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