Ringue Mix: A guerra entre as superproduções da HBO

Imagem: Divulgação (HBO)

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Senhoras e senhores, e todos aqueles no meio termo, bem-vindos a primeira luta da nova temporada do Ringue Mix. E hoje a briga é entre pesos pesados!

Da invenção da televisão até atualmente, a “caixinha mágica” passou por muita evolução, tanto em tecnologia quanto em conteúdo; a oferta de shows televisivos tem sido tão grande que a qualidade demandada é cada vez maior. Desse modo, as duas séries no ringue são expoentes da alta TV.

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As superproduções do cinema que se cuidem, porque os programas televisivos (incluindo também streaming) estão vindo com tudo. Mas vamos ao que interessa… A BATALHA! Preparados?

De um lado…

Game of Thrones
7 temporadas (2011 – )
61 episódios
Criada por: David Benioff & D. B. Weiss

Imagem: HBO/Divulgação

Game of Thrones já se tornou parte da cultura pop, não sem motivo: a série é uma das mais assistidas, comentadas, investidas e queridas na TV. Tão viral quanto vídeos de desastre, escândalos de famosos e a família Kardashian, deve ser apenas um novo episódio de GoT indo ao ar. A adaptação televisiva dos livros de George R. R. Martin é, sem dúvida, a produção mais importante da HBO atualmente, gerando um hype avassalador para o canal. Faltando pouco para sua conclusão – duas temporadas totalizando treze episódios, – o drama fantástico/político/medieval já pode figurar na lita das melhores.

…Do outro lado

Westworld
1 temporada (2016 – )
10 episódios
Criada por: Jonathan Nolan & Lisa Joy

Imagem: HBO/ Divulgação

Também da HBO, Westworld chega para ameaçar a coroa de Game of Thrones no posto de série mais popular. Criada por Jonathan Nolan – responsável por escrever Batman: O Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque e Interestelar, – e sua esposa Lisa Joy – que também assina roteiros de Pushing Daisies -, Westworld deixou bem claro que não veio para brincadeira; com apenas uma temporada a série já alcançou grandes alturas em termos de complexidade. Se estamos de fato na Era de Ouro da TV, o western futurista é uma das evidências desse período.

Começando pela ambientação: em Game of Thrones temos um mundo fantástico e mitológico recheado de paisagens naturais e construções medievais. Já Westworld remonta o faroeste incorporado com tecnologias de última geração. Ambas as séries se aproveitam muito das locações naturais para construir suas identidades visuais. Em um programa como Game of Thrones, passado em diferentes partes de um mesmo mundo, é preciso haver uma certa diferenciação de um local para o outro, e isso acontece muito bem.

Imagem: HBO

Westworld é menos diversa em seus cenários, não significando que é menos impressionante. A série mergulha no faroeste clássico ao entregar lugares desolados, cheios de tons avermelhados e, por que não, lindos. Nessa briga, porém, quem leva a melhor é GoT, por ter uma gama extremamente variada e bem planejada de locais deslumbrantes, com momentos de cair o queixo como o Ninho Da Águia, Braavos e a Muralha.

Com Game of Thrones na frente é hora da revanche de Westworld.

O faroeste sci-fi da HBO tem uma arma poderosíssima a seu favor: trama. Jonathan Nolan não é nenhum desconhecido no meio cinematográfico – seus roteiros são famosos pela densidade e complexidade que carregam, – e nessa primeira temporada do programa não seria diferente. Com uma história cheia de reviravoltas bem posicionadas, mergulhávamos cada vez mais fundo na mente de robôs, nisso trazendo a tona uma variedade de questões filosóficas e morais. Não lembro a última vez que vi uma representação tão boa de androides. A grandiosidade que Westworld conseguiu alcançar com sua narrativa em tão pouco tempo é o motivo da série ter saído na frente nesse quesito.

E a luta continua acirrada!

O próximo golpe (fora temer!) de GoT vem na forma de seus personagen. A série acompanha de perto o crescimento e queda de vários deles, tornando a proximidade com a ficção ainda mais latente; ou vai me dizer que você não ficou triste quando um personagem querido morreu? *lembrando de Hold the door!* *lágrimas caindo*. Suas histórias evoluem constantemente, além de ser extremamente prazeroso acompanhar a jornada de uma pessoa que tinha um objetivo até o momento que ela o concretiza, como Dany Targaryen. O western não leva a melhor nessa categoria por ainda ter muito o que mostrar nas subsequentes temporadas.

Imagem: HBO

Ainda falando de personagens, não poderia faltar uma menção aos indivíduos que levam eles a vida: os atores. Algumas dessas pessoas já tinham uma carreira antes de seus papéis nos programas televisivos, outras delas só começaram a obter um nome após interpretar os personagens que as deixaram famosas. De qualquer forma, de ambos os lados temos exemplos magníficos de atuação, tendo as duas já ganhado indicações ao Emmy por isso.

Socos de um lado e de outro! Que batalha!!!

No quesito investimento, é praticamente empate. A HBO é famosa por colocar dinheiro em suas séries originais – bem, pelo menos nas que têm retorno, – e para ambas o custo foi de praticamente 10 milhões de dólares por episódio. Porém vale lembrar que Game of Thrones começou com um custo de 6 milhões, que depois passou para 8 milhões, até chegar agora em dez. Westworld já começou sua primeira temporada custando 10 milhões, então as expectativas estão altas para ela.

E mais um assunto merece uma menção antes da decisão final, a representatividade nessas séries. As duas têm alguns altos e baixos que precisam ser levados em conta. GoT apresentou personagens femininas fortíssimas, principalmente em seu sexto ano onde as mulheres foram a força motor da temporada, mas várias vezes o programa utilizou de violência gratuita apenas no sentido de entretenimento. Lembram do estupro de Cersei e das mulheres além da Muralha? Isso gerou grande revolta por parte de grupos feministas. Outra crítica é a falta de personagens negros como protagonistas no programa, assim como homossexuais. Alguns tentam justificar que é do jeito que é porque “naquele mundo é assim”, mas isso não é explicação suficiente. Em um mundo tão diverso como aquele, a falta de protagonismo é injustificável. Apesar disso a última temporada  parece ter ouvido as críticas e é claramente uma evolução em comparação com as outras, o que significa que o programa está tentando ir no caminho certo. Westworld também apresentou personagens femininas donas da própria pele, mas sua representação de estupro também gerou revolta. A própria protagonista Evan Rachel Wood defendeu o programa dizendo que essas cenas seriam importantes depois. E apesar de dois protagonistas negros integrarem o elenco principal, o velho homem branco patriarcal é a peça central por trás da história, de novo. Não querendo problematizar demais, mas os dois programas têm grandes momentos de representatividade e grandes momentos falhos. Muita evolução ainda precisa acontecer.

Um vencedor começa a se formar…

Vimos muitos pontos dessas duas séries e está chegando a hora de coroar uma campeã. Impecáveis em quesitos técnicos, assim como em atuação e desenvolvimento de personagens, as duas não deixam a desejar em nada uma para a outra.

Mas a vantagem de Game of Thrones está nela ter tido mais tempo para provar sua excelência; muito mais do que sua adversária que teve apenas uma temporada. Uma temporada excelente, mas ainda há muito para vir. GoT já é parte da história da TV, e sua coroa permanece intacta. Westworld tem o potencial para ultrapassar a qualidade e importância da primeira, mas ainda precisa de tempo para isso. E talvez no futuro, se outra disputa for feita, o resultado seja diferente.

E o vencedor é…

Concorda com o resultado? Aguardamos seus comentários.

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