Ringue Mix: Os badalados anos 80

Se um dia você perguntar aos seus pais quais as melhores décadas na opinião deles, com certeza sete entre dez deles responderão os anos 80. Essa foi uma fase de muitas transformações ao redor do mundo, seja no cenário político, do entretenimento, do esporte, de moda, entre outros. Nos anos 2000 tais tempos voltaram a ser lembrados com ótimas recordações daqueles que viveram a época, e despertando a paixão daqueles que nasceram justamente entre 1980 e 1989, como dos que vieram ao mundo na década seguinte.

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Na TV americana isso não foi diferente. A extinta UPN antes de dar adeus ao público, deixou um último legado para sua sucessora CW: a continuidade da comédia Everybody Hates Chris. Quando a série chegou ao fim, muita gente que gostou do gênero ficou órfão, até que em 2013 a ABC decidiu lançar sua comédia dos anos 80, The Goldbergs.

 

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MIX-RINGE-Anos-80

 

Separe a calça poperô, as polainas e preparem os penteados exóticos, pois o Ringue Mix de hoje é direto do túnel do tempo.

 

De Um Lado do Ringue…

Everybody Hates Chris

4 temporadas (2005-2009)

88 episódios

Criado por Chris Rock e Ali LeRoi

everybody-hates-chrisEverybody Hates Chris, mais conhecida aqui no Brasil como Todo Mundo Odeia o Chris, foi uma comédia que retrata o início da adolescência do ator e comediante Chris Rock, baseada no bairro de Bed-Stuy, no Brooklyn, durante os anos 80. Chris é um garoto da periferia, filho mais velho da brava e rigorosa dona de casa Rochelle e do pão duro Julius, o qual tinha dois empregos para poder sustentar sua família. Além disso o garoto tinha dois irmãos, Drew, que fazia sucesso entre as garotas, e a caçula Tonya, que fazia a vida do protagonista um verdadeiro inferno, porém sempre se fazendo de vítima principalmente para cima do seu pai. O pontapé inicial da história começa quando Chris é matriculado para estudar numa escola chamada Corleone, caracterizada por ter apenas crianças brancas. O garoto sofre diversos bullying por ser negro, principalmente do mal humorado Caruso, mas tendo o loser Greg como seu único amigo. No meio disso tudo, ele ainda era apaixonado por Tasha, sua vizinha que era criada pela avó, pois sua mãe estava na cadeia.

 

Do Outro Lado do Ringue…

The Goldbergs

2 temporadas (2013-atual)

35 episódios

Criado por Adam F. Goldberg

the-goldbergs-The Goldbergs também é uma comédia biográfica passada nos anos 80, que retrata o início da adolescência do produtor e roteirista Adam F. Goldberg, nome por trás de séries como Breaking In, Community, Aliens In America, entre outras produções na TV e no cinema. O jovem é um garoto de classe média da Pennsylvania, filho caçula da vaidosa e geniosa dona de casa Beverly e do preguiçoso porém bondoso Murray, que é dono de uma loja de móveis da região. Adam é um garoto nerd que desde cedo é apaixonado por gravações de vídeos, e sempre está registrando em sua câmera diversos momentos de sua família nada normal. A irmã mais velha dele, Erica, é uma jovem vaidosa e típica garota popular do colégio, o qual apesar de às vezes aparentar ser fútil, defende seus irmãos com unhas e dentes se for necessário. Barry é o mais emotivo do trio, que sofre a síndrome da carência de “filho do meio”, e faz de tudo para chamar a atenção da família e dos amigos. No meio disso tudo, vive também com a família o “Pops”, pai de Beverly que apesar de já ter uma idade avançada, tem espírito jovem e é idolatrado pelos netos.

 

fight

 

Duas séries com a mesma proposta, e ainda por cima baseadas em fatos reais, essa batalha não é para qualquer um. Vamos conferir?

A primeira temporada Everybody Hates Chris teve uma audiência na casa dos quatro milhões de telespectadores, algo bastante satisfatório para os padrões da emissora, principalmente com o fim de suas atividades cada vez mais perto. Além disso, ela foi sucesso de crítica, principalmente por tratar sobre tabus da época, como o racismo e o dia-a-dia de uma família da periferia, de modo leve e bastante descontraído. A aceitação da atração foi tão grande que ela inclusive já chegou a ser nomeada em 2006 ao Globo de Ouro Emmy, mas acabou se contentando com o People’s Choice Awards.

The Goldbergs, por sua vez, estreou com uma audiência bastante satisfatória, com quase nove milhões de telespectadores, e os primeiros episódios seguintes conseguiram manter tais números, garantindo temporada completa ao show. Porém, com o passar do tempo, a comédia foi sofrendo uma brusca queda de audiência, que chegou a ter seu futuro questionado por conta disso. Na reta final ela conseguiu dar uma recuperada, assim garantindo sua segunda temporada, agora sendo exibida nas noites de quarta, clássico dia das comédias no canal ABC, fazendo com que a atração tenha números mais satisfatórios que no ano passado. Diferente de sua rival, The Goldbergs teve uma recepção mais moderada da crítica e até o momento não foi indicada a nenhuma premiação, quer dizer quase (Mix Awards aí para comprovar que ela já foi sim).

Como citado acima, a comédia sobre a vida de Chris Rock soube abordar temas muito sérios da época de forma muito leve e descontraída. As coisas que ele passou nos anos em que estudou na Corleone, mostrou que o racismo era uma coisa de forma geral. As piadas de Caruso, a rotulagem da maravilhosa Senhorita Morelo, professora de Chris, de que por ele ser negro os pais tinham problemas com drogas e coisas do tipo. O fato de Julius ter dois empregos e dele ser pão duro, querendo ou não mostrava como era difícil um chefe de família da periferia em se manter. Tudo isso sempre rodeado de muito humor pastelão, ou até mesmo negro, em muitas vezes.

Em The Goldbergs, por mais que seja uma série biográfica e lembre às vezes sua rival, tais temas não são abordados por lá. na verdade, a rotina dos Goldbergs dá aquela impressão de um comercial de margarina, onde tudo é perfeito. A forma como a comédia é abordada é justamente uma sátira a esse modelo de família americana, que tudo é uma fachada. Que a família briga, grita, fala palavrão, o pai está sempre andando de cueca pela casa, a mãe com um dramalhão mexicano sem fim. É uma abordagem bem mais leve, porém tão engraçada quanto. Há também outros pontos muito interessantes a serem abordados na série, que são a riquíssima exploração da cultura pop da época, além dos vídeos reais da família, que são apresentado no final de cada episódio, mostrando a incrível recriação dos fatos.

Se tem uma coisa que as duas histórias são iguais é no quesito mães. É incrível a tamanha semelhança entre Rochelle Rock e Beverly Goldberg em coisas como drama típico de mãe, o jeito temperamental, a relação entre tapas e beijos com o marido, a vaidade. A primeira faz mais sucesso, por conta de seus bordões que já caíram na boca do público como “eu não preciso disso, meu marido tem dois empregos”, “garoto vou te dar uma surra até você ficar branco”, “eu vou te bater até virar do avesso”, “está com cara de quem vai aprontar”, “toma um xarope que passa”, entre outros.

Os protagonistas propriamente são totalmente diferentes, Chris é o típico loser da turma, que vive se ferrando seja na escola, em casa, no amor, não importa qual o aspecto, ele sempre se dá mal em todos os episódios. Já com Adam nem sempre é assim, apesar de ser o garoto nerd, por sua vez tem mais sorte pelo fato de ter alguns amigos (apesar de ser bem poucos), mas no quesito amor ele pode andar até com o rival, porque nem sempre ele se dá bem nessa parte. O caçula da família Goldberg pode ser mais inocente, e não ter ainda uma certa malícia, só que uma coisa é fato: Adam é anos-luz mais esperto que Chris, por isso que nem sempre ele se dá tão mal assim, e talvez por isso seja legal o diferencial de The Goldbergs nesse ponto, ou senão a série uma cópia escancarada da concorrente, porém com pessoas brancas.

 

E o vencedor é…

As duas séries são ótimas, e isso é algo incontestável. The Goldbergs está apresentando episódios incríveis nessa segunda temporada, e encontrou o seu tom ideal. A prova disso é que depois que foi migrada para as noites de quarta-feira, onde divide espaço com outras famílias cômicas da rede, sua audiência vem apenas crescendo a cada semana, e a renovação dela já podemos considerar algo como praticamente certo de se acontecer.

Mesmo com essa boa fase, Everybody Hates Chris tem um apelo mais popular, com uma linguagem mais simples e plots bem realistas, sempre misturados com um humor impecável. A família Goldberg tem com certeza um futuro brilhante pela frente, e ainda vai cativar o público, mas na batalha de hoje são os Rock que merecem todo o mérito.

 

k-o chris

 

A vitória foi justa? Será que ainda teremos uma revanche entre as duas séries no Ringue Mix? Tomara, pois a disputa foi bem acirrada.

CHRISSSSSSSS!!!!!!!

 

Eduardo Nogueira

Eduardo Nogueira

Administrador apaixonado por séries e música, sou fã assumido de Friends, e tenho guilty pleasure pelas séries da CW. No Mix sou editor de reality show, cobrindo atrações do gênero como as franquias The X Factor , The Voice, American Idol, entre outros. Faço também reviews das séries Mom, Supergirl, The Good Place, Scream, Fuller House e da brazuca A Garota da Moto. Além disso, deixo vocês sempre atualizados com as nossas Bolhas de Cancelamento, e também escrevo as colunas de Elenco e Teu Passado Te Condena. No tempo que me sobra faço um café para as visitas, rs. Ufa!

2 comments

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  1. Anderson Narciso
    Anderson Narciso 27 janeiro, 2015 at 09:05 Responder

    Ahhh eu gosto de ambas. Mas The Goldbergs atualmente me faz rir MUITO. Acho que até daria a vitória pra ela =P.

    Mas qual é, Chris é um clássico também.

    Só sei que rola uma revanche fácil hahha

  2. Avatar
    Paula Reis 27 janeiro, 2015 at 15:41 Responder

    Entrei p confirmar se o Chris ganhava mesmo hehehe
    Animei em ver The Goldbergs…tá na lista p assistir… hehehe
    Ótimo texto Duh!

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