Ringue Mix: Os Bastidores do Poder

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Ahhh o poder, dizem que ele corrompe. Ahh os políticos…

Tão próximos (afinal somos nós que escolhemos eles) e ao mesmo tempo tão longe, todos os dias vemos novos casos de corrupção surgindo, e no meio desse covil, poucos se salvam. Não é raro perguntarmos para nós mesmos coisas como “mas por que fulano fez isso?”, “com um salário maravilhoso, por que arranjar novas maracutaias?”, ou o mais clássico “como eu não percebi que ele (a) era tão mentiroso?”

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Bom, nos bastidores do poder são muitos os motivos e alianças que levam os políticos para cada um dos lados do jogo, e ninguém está a salvo, todos tem o “rabo preso em algum ponto do seu mandato”. O Ringue Mix de hoje coloca frente a frente duas séries que falam exatamente sobre os bastidores da política, e quantas nuances e camadas há nesse mundo, Veep e House of Cards. Hora da batalha!

 

De um lado do Ringue…

Veep

3 temporadas (2012 – atualmente)

28 episódios

Criado por Armando Iannucci e Simon Blackwell

veepEm Veep acompanhamos a vida da ex-senadora Selina Meyer, agora vice-presidente dos Estados Unidos, que se vê despreparada ao encarar a possibilidade de assumir a presidência quando a saúde do presidente chega a um estado crítico. Selina e sua equipe descobrem que nada é como se esperava, e terão muito trabalho para passar pelas intrigas da política com classe.

Toda trabalhada no humor negro, e cheia de situações cômicas e constrangedoras, Veep é diferente de tudo que aTV já trouxe. Pela primeira vez vemos uma série de comédia sobre política, e sem os risos fáceis do modelo sitcom (como acontecia em Spin City). As vezes até dói rir das piadas (afinal elas são carregadas de preconceito e deboche, muitas vezes com o próprio eleitor), e nada vem de graça, tudo é extremamente pensado para que, depois da risada, venha a reflexão.

 

…Do outro lado do ringue

House of Cards

duas temporadas (2013 – atualmente)

26 episódios

Criado por Beau Willimon

house of cardsHouse of Cards conta a história de Frank Underwood (Kevin Spacey), um político que lidera a bancada majoritária da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Underwood fica decepcionado quando descobre que não ocupará o cargo de Secretário de Estado da nova gestão, posto que foi prometido anteriormente a ele, pelo agora recém-eleito presidente. Em vez de aceitar a derrota, Frank decide usar seu conhecimento sobre os bastidores da política para orquestrar sua vingança.

No início da série Frank sempre fala com o público sobre os passos que dará, e isso nos aproxima ainda mais do personagem. Mas ao longo da série ele começa a agir sozinho, e a narrativa fica ainda mais grandiosa. O legal de House of Cards é que o protagonista é o tipo de articulador que se daria bem em qualquer cenário, mas o grande trunfo da série é colocá-lo em Washington, e mostrar o mundo político americano de uma forma que ninguém viu. Ele usa as pessoas ao seu favor, e quando não são mais necessárias, simplesmente descarta, claro que sempre de um jeito magistral. Ambicioso e sem limites, Frank vai crescendo cada vez mais, e a sua última e incrível jogada nos deixa super ansiosos para a terceira temporada que está por estrear.

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Como foi visto, Veep e House of Cards tem a mesma proposta, o mesmo cenário, mas a grande diferença (além dos gêneros, Veep ser comédia e House of Cards drama) está na construção dos personagens. Selina e Frank tem trajetórias parecidas, mas são pessoas bem diferentes. Enquanto Frank é um articulador de primeira, extremamente inteligente, que sempre tem uma carta na manga, Selina é o oposto. Atrapalhada, inexperiente, super dependente de sua equipe de um milhão de assessores (enquanto Frank só precisa mesmo de um), ela também é rainha de fazer as piores declarações, sempre preconceituosas e erradíssimas ao extremo.

Veep caminha para sua quarta temporada, enquanto House of Cards está indo para a terceira, no entanto os dois personagens se encontram no mesmo dilema, por motivos diversos tanto Selina quanto Frank estão prestes a ser tornar Presidentes dos Estados Unidos. Como chegaram até aqui? Pois então, enquanto Frank derrubou tudo e todos para chegar até o Salão Oval, Selina ficou só sentada em sua sala toda recalcada fazendo voodoo para a saúde do presidente piorar de vez.

Outro ponto onde as séries se diferem é o núcleo de coadjuvantes. Enquanto em Veep ele é praticamente formado apenas pelos assessores de Selina, com eventuais participações da filha e do ex-marido maluco, em House of Cards tem todo um universo de personagens. Claire, a atual Primeira Dama dos EUA tem papel muito importante para a trama e para o destino de seu marido. Assim como Doug Stamper, o assessor de Frank que teve um final trágico na segunda temporada. A própria assessoria de imprensa da Casa Branca está sempre presente, assim como outros políticos do congresso. E como esquecer da sempre presente Zoey Barnes? Em matéria de coadjuvantes, as duas séries estão, cada uma ao seu modo, muito bem servidas.

 

E o vencedor é…

As duas séries são muito ousadas, ao pegar um tema tão importante para o público americano e apresentá-lo com tanta crueza na tela. Nunca tínhamos visto nada parecido na TV, em West Wing nunca foi assim. Tanto em Veep quanto em House of Cards as pessoas são cheias de falhas, com poucas virtudes, sempre beirando o erro e sem medo de passar por cima de quem precisar. As duas séries tratam os jogos de poder do governo americano de um jeito cínico e verdadeiro, destruindo aquela imagem correta que eles sempre tentar aplicar. Nós brasileiros nos sentimos representados ao ver que não é só Brasília que funciona daquele jeito né!

Podemos também dizer que nada disso seria mostrado dessa forma se a HBO e o Netflix não estivessem por trás dessas produções incríveis. Ao dar liberdade para os criadores dizerem o que precisam dizer, podemos ver materiais com essa riqueza.

Ao comparar as duas séries é fácil perceber aquela que tem um destaque maior. Veep vem sim melhorando a cada temporada, com episódios inesquecíveis e trazendo para a TV uma nova faceta do humor negro e inteligente. Mas House of Cards é transgressora desde seu início, ao trazer um personagem que muda a narrativa para primeira pessoa no momento que quer. Trazendo um casal romântico cheio de química e ódio, impossível não shipar Frank e Claire forever. E principalmente, com uma trama que nos surpreende a cada episódio. É que agradecer aos céus que essa série é disponibilizada por streaming, e não precisamos esperar uma semana para ver como Frank derrubará mais uma peça do seu tabuleiro. Por trazer inúmeras qualidades que a tornam a melhor série dramática do momento, House of Cards ganha o Ringue Mix de hoje!

 

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Letícia Bastos

Letícia Bastos

Publicitária, social media, mangaká e dançarina em protestos. Também sou apaixonada por séries e admito que novelas são meu Guilty Pleasure. Apaixonada por comédias cult/pop/nerd, ainda pretendo fundar uma seita para os Adoradores de Arrested Development. Aqui no Mix sou editora de Realitys Show e escrevo as reviews de todos os realitys do mundo, como Masterchef BR, The X Factor UK e BR, The Voice US, AUS e BR, BBB e RuPauls Drag Race.

2 comments

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  1. Avatar
    Tainara Hijaz 24 fevereiro, 2015 at 09:30 Responder

    Não!!! Exijo revanche! hehe

    Mentira, nem vi House of Cards ainda e apesar de achar difícil superar meu amor por Veep, é perfeitamente compreensível a preferência. Muito bem argumentado, parabéns. 😉

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