[Contém spoilers da 3ª temporada de Round 6, já disponível na Netflix]
Sim, você não leu errado: Thanos está de volta em Round 6. Não o vilão roxo da Marvel, claro, mas o jogador 230 — apelidado assim pelos fãs por sua postura ameaçadora e nome artístico. O personagem, vivido por Choi Seung-hyun (T.O.P), teve um retorno tão inesperado quanto simbólico na reta final da série coreana mais sangrenta da Netflix.
Morto na 2ª temporada, Thanos reaparece em uma das cenas mais surreais da terceira parte da série, deixando os espectadores se perguntando: foi real ou foi só uma viagem? A resposta: um pouco dos dois.
Relembrando quem foi Thanos em Round 6

Thanos (Player 230) marcou a 2ª temporada como um antagonista cruel e instável. Antigo rapper, ele se destacou pelos embates violentos e pela presença intimidadora, até ser morto brutalmente por Myung-gi (Player 333) — dentro de um banheiro, em uma das cenas mais chocantes daquele ano.
Mas sua influência não morreu com ele. O colar com um compartimento secreto de drogas psicodélicas que Thanos usava passou para as mãos de seu fiel escudeiro: Nam-gyu (jogador 124). A partir dali, a presença de Thanos passou a se manifestar de forma diferente — mais como um fantasma emocional do que um inimigo físico.
Drogas, culpa e delírios: Thanos reaparece no jogo final
A volta de Thanos acontece no penúltimo episódio da 3ª temporada de Round 6, em uma alucinação vivida por Park Min-su (jogador 125). O jogador, que roubou o colar de Nam-gyu após sua morte e passou a usar as mesmas drogas, começa a ter visões distorcidas da realidade — e é aí que a imagem de Thanos volta à tela.
Durante o jogo final, o “Sky Squid Game”, Min-su está à beira de uma das plataformas aéreas quando vê Thanos pendurado no abismo, estendendo a mão e pedindo ajuda. O que parece um apelo comovente logo vira um tormento: a alucinação muda para Nam-gyu zombando dele, depois volta para Thanos, num ciclo frenético de provocações e delírio.
Min-su, completamente abalado, começa a chutar o ar como se estivesse afastando as mãos que só ele vê. Para os outros jogadores, ele parece fora de si — e vira o alvo ideal para ser eliminado. Resultado: Min-su é atacado e eliminado da partida.
O legado de Thanos ainda assombra os jogadores
Mesmo após morto, Thanos é lembrado por seus antigos aliados. Nam-gyu, enquanto vivo, imitava seus trejeitos, como a icônica dança com a cabeça e expressões faciais exageradas. O comportamento violento de ambos contagiou até Myung-gi, com quem formaram uma verdadeira milícia durante o jogo de esconde-esconde.
A ideia da produção parece clara: mesmo quando um personagem morre fisicamente, sua influência — especialmente quando movida por violência, vício ou trauma — continua viva entre os jogadores. Thanos virou um símbolo, uma sombra que paira sobre os que o conheceram.

Outras alucinações também marcaram a temporada
A 3ª temporada de Round 6 mergulhou de cabeça na psicologia dos jogadores. Além da aparição de Thanos, Min-su também tem visões de Se-mi (Won Ji-an), uma participante morta por Nam-gyu. Apesar de ter tentado salvá-la, Min-su se culpa por sua morte — e a vê em uma das provas, como um fantasma da própria consciência.
Esses momentos psicodélicos criam uma camada mais densa à série, explorando o impacto psicológico da violência extrema. Os jogos já não são apenas sobre sobrevivência física — são também um campo de batalha mental, onde os traumas acumulados explodem na mente dos sobreviventes.
A volta de Thanos é real?
Não. O retorno de Thanos em Round 6 é fruto de alucinação induzida por drogas. Mas ainda assim, sua presença no roteiro tem peso simbólico. Ele representa os traumas passados dos jogadores, os fantasmas que não deixam que a mente deles descanse, mesmo quando estão a um passo da vitória.
Foi uma escolha ousada dos criadores — e que agradou os fãs. Afinal, trazer um personagem tão marcante de volta, mesmo que apenas como imagem distorcida, foi uma forma eficaz de encerrar um ciclo.