A estreia da 2ª temporada de Sandman na Netflix, com o episódio “Estação das Brumas”, mostra que o épico sombrio baseado na obra de Neil Gaiman está de volta em sua forma mais madura e introspectiva. Logo de cara, percebemos que os ventos do destino sopram com mais força do que nunca – e nem mesmo um ser eterno como Sonho consegue escapar das consequências de suas escolhas.
O início da mudança: um reencontro entre os Perpétuos em Sandman
O episódio 2×01 de Sandman abre com um sonho — ou melhor, com uma metáfora sobre eles. Sonhos mudam, assim como aqueles que os vivem. Sonho, o Senhor dos Sonhos, está reconstruindo seu reino, reformando castelos e redefinindo seu papel. Mas sua contemplação é interrompida por um chamado raro e inevitável: Destino convoca seus irmãos e irmãs, os outros Perpétuos, para um encontro que promete abalar as estruturas do universo.
A reunião entre os sete irmãos é rica em simbolismo e tensão. Morte aparece com sua ternura irreverente; Desejo e Desespero com suas provocações afiadas; Delírio, como sempre, é caos puro. Mas a ausência mais sentida é de Destruição, o irmão que abandonou tudo e todos. Destino, como guardião do Livro que registra tudo que foi e será, anuncia uma profecia sombria revelada pelas Parcas: um rei abandonará seu trono, a vida e a morte entrarão em conflito, e uma batalha antiga será retomada.
O peso de um erro milenar: o destino de Nada
Enquanto os Perpétuos divagam sobre a mensagem das Parcas, é Desejo quem reacende feridas antigas. O alvo? Nada, a antiga amante de Sonho, que foi condenada por ele a milênios de sofrimento no Inferno por ter recusado viver ao seu lado eternamente.
O comentário de Desejo atinge Sonho como uma lâmina. Sua reação é intensa, e até Morte, a mais empática dos irmãos, reconhece que o irmão foi cruel. A história entre Sonho e Nada é retomada em flashbacks e memórias: um amor verdadeiro, uma tragédia inevitável e um orgulho que se sobrepôs ao afeto. Ao perceber a gravidade de seu erro, Sonho decide fazer o impensável — voltar ao Inferno para resgatar a alma de Nada.
- Leia também: Por que Sandman 2ª temporada tem parte 1 e parte 2?
Uma missão suicida: o retorno de Sonho ao Inferno
A decisão de Sonho não é apenas arriscada em Sandman. É quase uma sentença de morte. Ele sabe que, ao enfrentar Lucifer novamente, sua existência pode ser extinta. Mesmo assim, ele acredita que resgatar uma única alma — especialmente uma que ele condenou injustamente — é mais importante do que preservar sua própria segurança.
Essa escolha mexe com seus aliados. Lucienne, sua bibliotecária e confidente, o questiona: vale a pena colocar o Sonhar em risco por causa de um único erro? Mas Sonho está convicto. E já enviou Caim, o primeiro assassino, como emissário até Lucifer.
A resposta do Inferno é clara e ameaçadora. Caim retorna com a notícia de que o Inferno está esperando por ele. E Lucifer está pronto para se vingar da humilhação sofrida durante o duelo de palavras na 1ª temporada.

Despedidas e incertezas: um legado em jogo
Ciente de que pode não voltar, Sonho começa a preparar o mundo para sua ausência. Em um momento poderoso, ele visita o filho de Lyta Hall — uma criança concebida no mundo dos sonhos com a essência do falecido Hector Hall. Esse filho carrega um destino misterioso, e Sonho, ainda que brevemente, mostra que ele será importante.
Ele também visita Hob Gadling, seu velho amigo imortal, para uma despedida velada. Em um brinde com vinho raro, Hob prevê que Sonho enfrentará o próprio Diabo — e talvez essa seja sua última taça juntos.
Quando finalmente chega ao portão do Inferno, Sonho hesita. Ele sabe o que está em jogo. E admite estar com medo. Do outro lado, Lucifer sorri — não com os lábios, mas com o olhar que arde de desejo por vingança.
O que esperar do confronto com Lucifer?
O episódio de estreia da 2ª temporada de Sandman termina com Sonho às portas do Inferno, e o suspense no ar é denso como neblina. Será que Lucifer vai conseguir sua revanche? Ou será que, assim como os sonhos, até o Primeiro Caído está suscetível à mudança?
Os próximos capítulos prometem explorar o impacto do retorno de Sonho ao Inferno, o legado de Nada e os efeitos dessa decisão nos demais reinos. A profecia das Parcas ainda está apenas começando a se concretizar — e o que vem pela frente é uma jornada de culpa, redenção e, inevitavelmente, destruição.