A segunda temporada de Sandman tem aprofundado as dores e dilemas dos Perpétuos como nunca antes. E o episódio 5, “Quem Degolou Orfeu?”, mergulha em um passado trágico que promete mudar o rumo da série.
Nele, acompanhamos o desdobramento da morte de Wanda, o reencontro entre Sonho e Delírio, e uma revelação sombria sobre o filho que Morpheus renegou: Orfeu. O episódio é, ao mesmo tempo, um memorial e uma preparação para um sacrifício que pode custar tudo a Sonho.
O luto por Wanda e a verdade cruel sobre o túmulo
O episódio começa com Sonho de volta ao Sonhar, pedindo a Lucienne que investigue quem está matando as pessoas que poderiam ajudá-lo e Delírio a encontrar Destruição. Mas antes disso, Lucienne finalmente faz a pergunta que todos esperavam: por que Destruição foi embora?
Em um flashback até Londres, em 1675, vemos o último encontro de Sonho e Destruição. O irmão mais velho acreditava que o avanço científico — simbolizado por Isaac Newton — levaria à autodestruição da humanidade. Já Sonho achava que os humanos tinham livre-arbítrio e que, mesmo com erros cíclicos, os Perpétuos não deveriam interferir. Incapaz de carregar a culpa pelos horrores humanos, Destruição escolheu o exílio.
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Essa conversa leva Sonho a visitar o funeral de Wanda, sua amiga e guia que morreu no episódio anterior. Lá, ele descobre que sua identidade como mulher trans foi apagada por sua família, que usou seu nome morto no túmulo. Sonho, indignado, corrige a lápide com magia e escreve “Wanda”. É a forma que ele encontra de honrar quem ela realmente foi. Morte então aparece e leva Wanda ao além, não sem antes lembrar Sonho de que ainda é tempo de se reconciliar com Delírio.

Uma visita à loucura: o reencontro com Delírio em Sandman
Convencido por Morte de que não pode perder mais um irmão, Sonho embarca para o reino de Delírio — e o caminho até lá é tão caótico quanto ela mesma. Um trem surreal o leva por visões sedutoras, inclusive uma de Nada, sua antiga amante. Mas Sonho resiste, entendendo que aquilo é um teste.
No encontro com Delírio, vemos um lado raro de Sonho: vulnerável, pedindo desculpas. Ele reconhece que errou ao usar a irmã para tentar reencontrar Nada e pede para recomeçarem a missão, agora com sinceridade. Delírio, emocionada, aceita — e a relação dos dois se fortalece.
Decididos a não recorrer mais aos antigos amigos de Destruição, eles seguem para uma nova fonte de informação: o irmão mais velho, Destino. Mas Destino se recusa a interferir diretamente, ainda que sugira que eles consultem um oráculo. E esse oráculo é justamente Orfeu, o filho de Sonho com a musa Calíope.
O mito de Orfeu recontado com dor e crueldade
Em uma longa sequência de flashbacks de Sandman, descobrimos o que aconteceu com Orfeu. Filho de um Perpétuo e de uma musa, ele era abençoado com talento e sensibilidade. Quando se casou com Eurídice, todos os Perpétuos compareceram à cerimônia. Mas a felicidade durou pouco: logo após o casamento, Eurídice foi picada por uma cobra e morreu.
Devastado, Orfeu implorou a Sonho que o deixasse ir até o submundo para trazê-la de volta. Sonho recusou, ciente dos perigos de negociar com Hades e Perséfone. Rejeitado, Orfeu renega o pai e parte por conta própria.
Destruição, comovido com o sobrinho, o ajuda a encontrar Morte, que concorda em levá-lo ao mundo inferior — com uma condição: ele não poderia olhar para Eurídice até os dois estarem sob a luz do Sol. Caso contrário, ela seria perdida para sempre.
Claro, Orfeu falha. No caminho de volta, tomado pela dúvida, ele se vira… e Eurídice desaparece, condenada eternamente às sombras. A lição: o amor de Orfeu não foi forte o suficiente para resistir à insegurança. E talvez Sonho estivesse certo desde o início.
Calíope abandona Sonho, e a dor de Orfeu o leva à destruição
Devastado por perder Eurídice novamente, Orfeu volta para Calíope, culpando o pai. Ela, por sua vez, rompe com Sonho, acusando-o de egoísmo. O relacionamento entre os dois se rompe, e Calíope avisa: as irmãs da Fúria — servas de Dionísio — estão vindo matar Orfeu.
Mas Orfeu, imortal desde a ida ao submundo, não pode morrer. Quando elas o degolam, ele permanece consciente. Seu sofrimento é eterno.
Sonho encontra o filho reduzido a uma cabeça viva, implorando pela morte. Mas por serem ligados pelo sangue dos Perpétuos, Sonho não pode matá-lo. Ao invés disso, entrega Orfeu aos cuidados de um grupo de sacerdotes em uma ilha, prometendo nunca mais vê-lo.
O preço da redenção: Sonho terá que matar o próprio filho?
De volta ao presente, tudo muda. Delírio precisa da ajuda de Orfeu para encontrar Destruição. E, segundo Destino, Orfeu só irá cooperar se Sonho finalmente acabar com seu sofrimento.
Ou seja: para seguir em frente, Sonho terá que matar o próprio filho. Um ato proibido entre os Perpétuos. Um ato que pode romper o equilíbrio entre deuses e entidades eternas.
Mesmo assim, Sonho parece disposto. Pela irmã. Pelo filho. Por redenção.
O que esperar a seguir?
Com o reencontro entre pai e filho prestes a acontecer, o episódio 5 prepara o terreno para um dos momentos mais impactantes da série até aqui. A questão não é mais apenas encontrar Destruição — é decidir até onde se deve ir por amor, por família e por perdão.
A 2ª temporada de Sandman continua mostrando que os verdadeiros conflitos não são entre mundos, mas dentro dos próprios Perpétuos. E a resposta para a pergunta “Quem degolou Orfeu?” é tão trágica quanto reveladora: foi a própria cegueira do amor.