A segunda temporada de Sandman, da Netflix, atinge um ponto crítico em seu nono episódio, “The Kindly Ones”, mergulhando em um conflito que tem se formado desde os eventos trágicos envolvendo Orfeu, filho de Morpheus. Agora, o Rei dos Sonhos enfrenta uma ameaça iminente não apenas ao seu reino, mas também à sua própria existência — um ciclo de dor, redenção e responsabilidade que o aproxima de seu destino final.
Tudo se intensifica após a aparente morte de Daniel Hall, filho de Lyta Hall e herdeiro escolhido de Dream para comandar o Sonhar. Loki, disfarçado de detetive Pinkerton, enganou Lyta ao entregar supostos restos mortais da criança. No entanto, descobre-se que Daniel não foi morto — Loki realizou um ritual semelhante ao de Deméter, queimando a humanidade do garoto para transformá-lo em um verdadeiro Senhor dos Sonhos. Puck, parceiro de Loki e agora traído, abandona o deus da trapaça.
Desafios se intensificam em Sandman
Enquanto isso, Lyta, dilacerada pela dor, é manipulada pelas Fúrias, figuras vingativas ligadas às Moiras. Encaminhada até elas por Mad Hettie, uma misteriosa mensageira a serviço das entidades, Lyta aceita se tornar o avatar das Fúrias, lançando sua fúria contra Morpheus sob a acusação de filicídio — a morte de Orfeu, cometida pelo próprio Dream. A antiga regra dos deuses determina: esse crime só pode ser punido com a morte.
Para investigar o paradeiro de Daniel, Dream recria Corinthian — outrora seu pior pesadelo — e o envia junto de Johanna Constantine, agora relutantemente aliada. A parceria inusitada entre os dois ganha contornos românticos, uma distração que pode parecer deslocada diante da iminência de guerra, mas que também revela a transformação de Corinthian: menos monstro, mais humano.
O caminho para o fim
A dupla localiza Loki com a ajuda de Puck e confronta o deus. Antes que Corinthian possa puni-lo, Odin e Thor aparecem para levá-lo de volta à prisão. Odin, em um momento revelador, não demonstra rancor por Dream ter escondido a fuga de Loki. Em vez disso, prediz que Morpheus terá uma morte pacífica — algo raro entre os Imortais.
Enquanto isso, Delirium, a mais jovem dos Perpétuos, visita Morpheus em busca de ajuda para encontrar seu cachorro falante, Barnabus. Ao relatar ter visto múltiplas versões de Destino, ela sem saber oferece uma fagulha de esperança: múltiplos Destinos significam múltiplas possibilidades. Talvez o fim não seja inevitável, afinal.
Porém, uma sucessão de eventos catastróficos continua a se desdobrar. Na Terra das Fadas, Titania, movida por desejo e vaidade, usa um amuleto de invocação dado por Morpheus para trazê-lo até ela. Com isso, o Rei dos Sonhos é forçado a sair de seu reino — exatamente o que as Fúrias esperavam. Em sua ausência, o Sonhar está vulnerável.
O clímax do Episódio 9
No clímax do episódio, Lyta — possuída pela fúria e guiando as Fúrias — invade o Sonhar. Em um dos momentos mais emocionantes da série, ela assassina Fiddler’s Green, um dos personagens mais amados e símbolos do próprio mundo dos sonhos. O primeiro sangue foi derramado. A guerra contra Morpheus começou.
Com apenas poucos episódios restantes, Sandman se aproxima de seu desfecho. A série equilibra com maestria fantasia sombria, psicologia dos mitos e narrativa filosófica. O destino de Morpheus — e do próprio Sonhar — está mais incerto do que nunca. A pergunta que paira no ar é: será que o Rei dos Sonhos aceitará o inevitável… ou encontrará uma nova verdade em meio à destruição?