Scandal – 6×04 – The Belt

Imagem: Banco de Séries

“Eu sei uma coisa ou outra sobre poder.”

Consistência e coerência são elementos que têm definitivamente guiado esta primeira parte da sexta temporada de Scandal. E mais uma vez, Jeff Perry e seu Cyrus Beene dominaram a história e a tela. A trama de “The Belt” (6×04) focou nos primeiros dias de cárcere de Cyrus, após ter sido indicado por Tom como o mandante do assassinato do presidente eleito Frankie Vargas.

Desde a entrada na penitenciária, passando pela revista, tendo um primeiro contato com a  cela e descobrindo quem eram aquelas pessoas que o cercariam dali em diante, acompanhamos Cyrus passar por várias provações e estágios emocionais. É só pensar em quem é Cyrus e os cargos que ocupou ao longo da carreira. Dá para imaginar uma figura que já praticamente governou uma das nações mais poderosas do mundo sendo submetido às humilhações pelas quais passou? Vá lá que Cyrus não seja um santo nem peço que esqueçamos tudo o que ele já fez ou mandou fazer, mas vou invocar os direitos humanos e defender que ninguém merece uma cusparada na cara ou a privação de ar puro.

Por suposto também que Tom estaria na mesma penitenciária. Coincidência seria pouco. Porém era o que Cyrus precisava para se lembrar de quem era: alguém que entende de poder. E como o moço entende. Do jeito que controlava Fitz, controlou o guarda. Do jeito que levou uma esnobada de Fitz, foi traído pelo guarda. Consequências da busca pelo Salão Oval, quer dizer, pelo papel e caneta?

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Porque ali já estava valendo tudo. Aliás, a dinâmica da penitenciária, seus esquemas, suas ameaças muito parecia a dinâmica dos bastidores do jogos políticos que fazem parte do cerne da série. Só o simples fato de Cyrus tentar usar Tom mais uma vez reforça esse embaralhamento. Só o simples fato de Liz North ter entregado a carta para Michael reforça essa semelhança. Os diálogos entre Cyrus e o canibal reforçam essa proximidade. Toda a relação desenvolvida entre Cyrus e o guarda é prova cabal de que o jogo é o mesmo, o que se alterou foram as peças.

Dali, vimos Cyrus passar pelos estágios da aceitação, da depressão, da ascensão e da epifania, nunca cedendo à conformidade. A aceitação se deu quando Cyrus percebeu que deveria agir para conseguir o quer que fosse e isso significava formar alianças. A depressão veio com o espancamento, com a alucinação e com aquele telefonema para Olivia. A ascensão com o plano de enganar o oficial e ir atrás de Tom. A epifania ao descobrir que era inocente. No fundo sabia-se que Cyrus, por mais sujo e escroto que fosse, por mais desesperado que estivesse, não sucumbiria à pressão do suicídio.

Imagem: Banco de Séries

E, minha gente, que sequência final foi aquela?! Eu fiquei boquiaberta! Foi de uma voracidade e de uma violência rasgada que não víamos  em Scandal desde os tempos do B613.

Em paralelo, Olivia tremia na base. Não por menos. Mellie dançou, repito, D-A-N-Ç-O-U em seu escritório e era praticamente a presidente eleita. Só que em mais uma reviravolta, Huck teve a sacada de se lembrar de Jenny. Era como se eles estivessem sido enebriados pelo frisson de tirar Cyrus Beene da posse presidencial, não era a busca pela tal justiça que Olivia vinha berrando pelos quatro cantos de Washington D.C. – Se isso não ficou nítido, revejam os dois últimos episódios.

Que Cyrus não era de fato o culpado pela morte de Vargas era um fato praticamente posto, só faltava uma confirmação oficial. E parece que a única, mas a única pessoa que sabia disso era Abby Whelan. E ela esteve disposta a atravessar até o presidente para evitar que seu mentor na Casa Branca fosse sentenciado à pena de morte por um crime não cometido.

Enquanto isso a pergunta continua: quem matou Frankie Vargas?

P.S. 1: Huck e uma nova obsessão? Procura ajuda, migo. Isso não é normal.
P.S. 2: Fitz garanhão ataca novamente! Só uma dica Angela: não se apegue!
P.S. 3: Bora todo se juntar para dar um abraço em Mellie? Porque ela vai precisar!

Tags Scandal
Melina Galante

Melina Galante

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.

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