Scandal – 6×09 – Dead In The Water

Imagem: Arquivo pessoal

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“Você mexeu com a gladiadora errada.”

Quem está bem aí depois de ter assistido a este episódio de Scandal, por favor, se manifeste. Porque por aqui, não está nada bem. Há vários tipos de episódio e “Dead In The Water” (6×09) é um daqueles que talvez tenha feito você dar uma pausa para poder retomar o fôlego. Eu  pausei umas duas vezes.

A coisa toda já começou tensa quando antes do episódio rolou um aviso de conteúdo violento, algo que, se minha memória já fraquejada lembra, não aparecia desde aquele episódio das cadeiradas, aquele mesmo em que Olivia sai do compasso e mata Andrew. Estava aí o primeiro sinal de que, dali para frente, veríamos minutos chocantes.

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A sacada foi começar dos momentos finais de dois episódios atrás, “A Traitor Among Us” (6×07), nos deixando do lado de fora da ação, estabelecendo que não saberíamos tão logo sobre o paradeiro e o estado de Huck. A tensão foi lá na alturas ao colocarem Jake tentando entrar no quarto e dando de cara com o vazio. Mas acabamos descobrindo aonde estava Huck e pensem no susto de vê-lo com os dois olhos arregaladíssimos, todo ensanguentado, dentro daquele porta-malas, dado como morto.

Claro, a tensão só foi escalando com Jake chutando porta na OPA, Olivia desesperada, Quinn e Charlie vasculhando o quarto, Abby descobrindo que Olivia sabia da existência dos charlatões e que Huck estar morto é, muito provavelmente, consequência de algum feito deles. Mas pera aí! Huck está vivo. Respirando pelas tabelas, ainda vivo ou praticamente morto, vai do referencial. Desespero atrás de desespero e tudo isso nos cinco primeiros minutos. Foi como se o ritmo frenético do início da temporada tivesse retornado.

Aliás, este episódio ajudou a elevar novamente o patamar da temporada que, para mim, havia caído nos últimos dois episódios. Isso se deve muito em parte pelo andamento da trama, mantida em suspenso por conta de tantos episódios focados nos diferentes pontos de vista sobre os acontecimentos que culminaram no assassinato de Vargas. Entendo a necessidade de tais episódios para a trama central como um todo, todavia eu já havia apontado que isso estava deixando a temporada bastante truncada.

Imagem: Arquivo pessoal

“Dead In The Water” (6×09) não teve nada de agarrado, a não ser nosso fôlego durante a excelente sequência que foi Huck se descobrindo preso no porta-malas do carro, ao lado do cadáver de Jennifer Fields, prestes a ser engolido por água. Fomos transportados para a luta de seu subconsciente pela sobrevivência e foi incrível ele, ali, encharcado, ferido, desesperado, sendo guiado e barrado por vozes externas que na verdade era suas próprias vozes. Muito louca essa pegada psicanalista para fazê-lo sobreviver, colocando-o para enfrentar a dor dos tiros, o medo do fracasso, o arrependimento por ter confiado em mais outra pessoa que o traiu, a possibilidade de deixar Olivia e Quinn.

Enquanto isso, a galera da OPA seguia desesperada em busca dele, um membro da família, e até Charlie não desistiu. Talvez não por motivação própria, mas por saber o que Huck significa para aquelas pessoas, para Quinn, e que isso valia um discurso motivacional de Olivia Pope para Olivia Pope. Pobre Charlie. Foi fundamental para a descoberta do paradeiro do colega, mas parece ter percebido que ainda tem muito o que percorrer para se tornar de fato um membro do grupo, incluindo-se aqui um espaço profundo no coração da noiva.

Falando em Quinn, a menina tem muita sede pela tortura! Tinha tanto tempo que esse lado animalesco dela estava controlado que nem sequer lembrava do que ela era capaz. Bizarro é como tem momentos em que Olivia trata Quinn (e Huck) e se refere a ela como um cão de guarda obediente, que ao menor sinal parte para o ataque. A abordagem é tão animalesca que Quinn pareceu um lobo subindo na mesa para atacar Abby. Porém, vamos levar para o lado belo da coisa e pensar no que somos capazes de fazer para proteger, salvar quem amamos, né?

Então se explicou o aviso de imagens fortes do começo do episódio, com aquela cena de tortura de Meg (a franzina que consegue carregar um corpo pesando o dobro do seu, mas tudo bem, a gente voa junto, culpa a adrenalina, o treinamento paramilitar). Uma gastura que subiu da cabeça aos pés, deixando até Charlie impressionado. E é importante destacar que quando se trata de alguém tão importante, haverá horas em que o sangue sobe, a razão se perde e você apenas reage. Não que esse seja o caminho, porém foi o que aconteceu com Quinn e … Abby.

Red reagiu a tudo o que acontecia em sua vida. Ela foi ingênua, precipitada e errou feio, errou com força . Só que eu não contava em ter que concordar com Fitz: Olivia mais do que ninguém sabe o que é estar nos sapatos de Abby, sabe o que é fazer de tudo e mais um bocado para estar no Salão Oval. (Gente, isso parece até uma doença, um vírus que vai infectando a todos e todas). Louvável Olivia ter sido capaz de perceber isso e prestar um ato de misericórdia ao se sentar ao lado da amiga, uma Abby inconsolável e assustadíssima, com o peso de toda a culpa nas costas.

No fim de tudo, a grande força do episódio esteve em trazer uma dinâmica há muito deixada de lado, trazendo elementos e uma trama que reuniu os gladiadores se descabelando para resolver um caso, reviveu (ainda que eu torça o nariz e entenda ao mesmo tempo) a ligação que há entre Olivia e Fitz, a relação de mentora e pupila porém amigas e rivais entre Abby e Liv. Enfim, ressurgiu com aquele sentimento lá do início que nos fazia querer ser da OPA. Ressurgiu com a ideia de que Scandal não é sobre política, é sobre relações interpessoais.

P.S.: Convenhamos que Olivia dando tapas na cara de Abby beirou o pastelão. Mas, como um amiga minha apontou, a cena foi claramente inspirada nesta cena da teledramaturgia brasileira. Mas, convenhamos…

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Melina Galante

Melina Galante

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.

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