Scandal – 6×12 – Mercy

Imagem: Youtube/Reprodução
Imagem: Arquivo pessoal

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“Você está pronta pra luta?”

Já começo esta review dizendo que “Mercy” (6×12) foi um dos grandes episódios da temporada, extremamente bem montado e dirigido. Não só me entreguei ao seu ritmo como fiquei boquiaberta com a duração de algumas de suas sequências, uma das quais falarei mais à frente. Porém foi também um episódio que nos fez questionar sobre o fim de Scandal. Talvez por isso um episódio paradoxal.

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Explico. A série se fez em casos procedimentais combinados com tramas que duravam a temporada inteira. Lá pelas tantas, os casos procedimentais foram perdendo espaço e tramas mirabolantes, a exemplo daquela chatice do B613, tomaram conta absoluta. Tomaram tanta conta que virou uma prática em Scandal uma infinitude de reviravoltas que nunca nos deixavam piscar os olhos. É complicado porque ao mesmo tempo que essas reviravoltas nos atraem, se usadas à exaustão nos cansam.

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Isso tudo para dizer que: não inventem de colocar um motivo mirabolante por trás dessa indicação de Luna Vargas à vice-presidência. Assim, me surpreendi e adorei sua indicação, levemente desconfiada de algo porque ela estava tendo certo destaque, achei acertado e importante termos duas mulheres à frente de uma das maiores nações do mundo, sendo uma de origem latina e do partido democrático. Quero ver Luna sendo tão forte, convicta e poderosa quanto Mellie. Preocupa-me se daqui a alguns episódios descobrirmos que, na verdade, ela estava por trás de tudo de alguma forma, especialmente por conta daquele discurso de integridade e justeza como parâmetros para a indicação, sabendo que é uma das premissas da série o fato de que ninguém sobrevive em Washington D.C. sem cometer pecados. E uma outra coisa é certa: não foi uma nem duas vezes que nos deram a impressão de que a salvação do país havia morrido com Frankie Vargas. Em todo caso, impressões que só serão comprovadas mais adiante.

Retrocedendo um bocado na narrativa e falando de outros pontos altos dos episódios, precisamos destacar a genialidade que foi a formação do “Time dos Sonhos para a Preservação do que Ainda Resta de Democrático nos Estados Unidos da América”. Os enfrentamentos,  os diálogos, Marcus mais perdido que tudo (coitado) – “o que é Defiance?” -, os desafetos, os egos e a movimentação de câmera. O posicionamentos dos corpos naqueles quadros foi um deleite à parte. Tudo muito milimetricamente pensado e encenado. Até sequências maiores foram capazes de nos prender com olhos fixos, temerosos  de perder qualquer ação. Pensem vocês que uma sequência de sete minutos não é pouca coisa se considerarmos que estamos falando de um episódio de um canal da TV aberta, em que estavam em cena dez personagens com um volume massivo de diálogos, não é pouca coisa. Estou falando da parte em que Papa Pope chega à sala da reunião secreta e dá aquele showzinho particular junto com Fitz.

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Imagem: Arquivo pessoal

Sobre os dois, a treta havia sido posta desde o começo do episódio com troca de provocações absurdas. Custa-me a engolir essa disputa de ego entre os dois, uma disputa que também é uma disputa  para saber quem manda mais em Oliva. Quanta tolice! O pior de tudo é que a própria Olivia é convicta de que não é influenciada por nada disso. Repito: ela não precisa ser salva por ninguém. O que não significa que ela não caia sempre no papo de Fitz e do pai. Como disse na review passada, ela tem problemas de carência e isso, aliado a sua personalidade forçadamente fria, ofusca algumas de suas decisões. Logo, Jake pode não ter nada a ver com quem Olivia dorme ou deixa de dormir, mas que ele tem seus pontos de razão ele tem.

Sobre o restante do episódio, alguns pontos merecem destaque, não significando necessariamente momentos bons ou ruins. Um deles é  a pontualíssima interação entre Marcus e Mellie – eu ainda acredito e shippo -,  que ajudou a Presidenta Eleita dos EUA a se colocar como Presidenta Eleita e tomar as rédeas de seu governo. Mellie pode não ter chegado aonde está do jeito que gostaria, todavia ela está onde queria e deve se colocar como Presidenta.

Agora, aquele triângulo amoro entre entre Quinn, Charlie e Huck foi a famosa trama para preencher tempo de tela e não rendeu em nada porque não tinha para onde render. Outros dois comentários que precisam ser feitos são que Abby cínica é a melhor versão de si e que Theodore Peus é um ser desprezível. Aliás, não só Ms. Ruland merecia aquela sambada, ele também, porque não se derruba Olivia Pope, Olivia Pope te derruba.

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.