Scandal – 7×03 – Day 101

Imagem: ABC/Divulgação

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“My persuasion

Can build a nation

Endless power

With our love we can devour

You’ll do anything for me”

(Beyoncé in  music Run the World)

E nós que aqui estávamos, prontos para a revelação do enigma de certo beijo fomos conduzidos ao passado para rever outro, aquele de despedida que fez a América se apaixonar pelo casal OLITZ de forma arrebatadora. Olivia agora é tudo: chefe do novo governo, chefe da poderosa organização que controla a “República” e ídolo nacional. “Quem controla o mundo? Uma garota!”

Day 101. Estamos em Vermont, naturalmente, no paraíso perdido dos verts monts daquele que é o estado mais rural, menos negro e menos povoado dos EUA aos pés da cordilheira Apalaches. Para receber o ex presidente que nasceu na ensolarada Califórnia e reinou por 8 anos o mundo livre. Uma multidão no caminho insiste em lembra-lo do sonho que não se realizou. Olivia não está ali e ele terá que enfrentar a nova realidade que vai assombra-lo pelos próximos 101 dias.

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Fitz, que até então tinha um exército pessoal para lhe propiciar conforto e segurança fazendo-o anular a própria vida, agora quer estar só e conviver com suas angústias, seus planos, seus defeitos, suas carências e suas incompletudes; mas sem plateia, ele quer ser o jardineiro, o chef, o assistente e governante de seu próprio território. Logo descobre que é quase  impossível para quem teve tanto poder se tornar alguém comum, imperceptível,  que faz compras, dirige o próprio carro, toma cerveja no bar ou cozinha sua própria comida.

O mundo cobra de forma rigorosa de todos aqueles que um dia ocuparam o trono e com ele não será diferente, ele não tem saída. Assim, os primeiros dias são de descoberta de potencialidades de uma vida comum, depois vem o tédio e a necessidade de iniciar logo seu projeto de fundação. Ele tem consciência de que se não o fizer é melhor morrer. A arma encontrada no meio dos documentos é um alerta.

“Então há esse presente/Esse revólver/com seis balas, que é/O lembrete da falha.” Trecho de um poema que o ator Joe Morton (Eli Pope) publicou nas redes sociais homenageando aquele a quem considera um herói, Fitzgerald Thomas Grant III. Quem é ele agora? Qual é o seu legado?

A chegada de Marcus Walker, que estava em Cuba, foi antecipada após constatação de que não existe paraíso. Marcus percebeu a crueza do prazer que se paga a peso de ouro nos hotéis lotados de “gringos” e suas acompanhantes. Marcus sente estranhamento e encerra as férias, agora está ali pronto a retomar ao trabalho.

O ativista queria ser prefeito ou governador, quando foi salvo por Olivia, virou gladiador, depois chefe de comunicação da Casa Branca e agora é diretor da Fundação Grant. Frustrado com o desenrolar das coisas, vem dele o diálogo mais duro travado no episódio. Ele quer enaltecer aquela que lhe deu voz, aquela que é “Hillary Clinton, Beyoncé, Oprah e Souljah “ ao mesmo tempo. Fitz quer que Olivia seja lembrada apenas como sua ex chefe de campanha e chefe de comunicação do seu governo, mas Marcus insiste, ” os teus feitos são da Olivia!”.

Fitz endurece e quer esta página de sua história rasgada. Marcus sabe que não é assim e o conflito fica maior, resultando como vimos em violência rasa, talvez desnecessária, mas Shonda deve estar com saudades das cenas de ação e aí nos brinda com um olho roxo e dores nas mandíbulas, coisas de amigos em fim de festa, bêbados que dizem verdades dolorosas.

Fitz é salvo pelo segurança e Marcus por Mellie. Ambos, Fitz e Marcus, tem poder na alma e isso é claro. Marcus talvez seja a chave para essa última temporada e a pedra fundamental da OPA do bem que será erguida em formato poderoso de fundação, mas isso é uma suposição pessoal desta que escreve, vamos adiante.

A presença de Eli Pope em Vermont faz com que  Fitz  desperte para o que deixou pra trás, sem questionar. Papa Pope agora é um homem amedrontado com o futuro da filha. Ele sabe que o poder absoluto corrompe absolutamente, não tem moral. Então ele faz as revelações que vão dar o tom da história de agora em diante, ele pede socorro de verdade, não quer ver a filha se tornar  amarga e cruel como ele foi. A frase que fica desse encontro é uma somente: “Quem controla o mundo? Uma garota”.  Parece tirado de uma música e é, basta ouvir Beyoncé e temos a confirmação. A nossa garota Liv controla tudo, mas de forma sombria. Ela precisa ser salva antes que todos nós a percamos de vista. “Seria Olivia Pope o mundo de todos ou apenas o meu?”, pergunta Fitz quase ao final. Sem resposta, ele vai ao encontro não agendado com seu passado e futuro. Shonda Rhimes marca assim o tom para o encerramento de sua jornada em Scandal, não tenhamos dúvidas disso.

Apenas para coroar o excepcional episódio, não poderia deixar de citar a oportuna e importante releitura do vergonhoso conflito recente da Virginia que deixou o mundo assustado. O caso se refere à marcha dos suprematistas de Charlottesville, que tinha por objetivo protestar contra a decisão da Prefeitura — impedida pela justiça — de retirar uma estátua de Robert E. Lee, escravocrata e general do Exército Confederado durante a Guerra Civil. Radicais de direita foram para as ruas com bandeiras e Trump foi conivente. O conflito em si mostra as feridas ainda abertas, onde negros e brancos continuam separados por enormes barreiras socioeconômicas. E ao som de Stevie Wonder, “Heaven Help Us All”, ficamos a pensar na mensagem fundamental. O dia 101 foi perfeito.

Fitz mereceu o episódio e Joe Morton ( Eli Pope), em outro trecho do belíssimo poema citado anteriormente, diz: “A paixão de Fitz,/O direito de Fitz/E magia indefinível ilusória de Fitz”.

Shonda Rhimes soube de forma magistral colocá-lo diante de duas missões para encerrar a história e não deixá-lo desistir: estar no centro do poder novamente, mas do poder civil, aquele que torna um cidadão orgulhoso de fazer parte da história e a de lutar pelo coração do mundo livre, porque Olivia representa a América de todos. “Quem somos nós? O que nós comandamos? O mundo!” (Who are we? What we run? The world), encerra Beyoncé na canção.

O destino de Fitz e Olivia Pope está traçado com perdas e ganhos, agora vamos somente segui-los, ou talvez guiá-los.

MZR

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