Animix: Scooby-Doo, Cadê Você?

Scooby Doo Animix

 

A força e a importância de Scooby-Doo são tão grandes que o programa tornou-se atemporal. As crianças crescem e as gerações se alternam, fazendo com que os gostos mudem, ainda assim, Scooby-Doo sobreviveu a todos os testes do tempo. Os jovens detetives encantaram e divertiram crianças do mundo todo; seus pais podem ter assistido os episódios da primeira versão do desenho animado enquanto ainda eram almas inocentes. É provável que seus tios, primos, irmãos, amigos e inimigos tenham crescido assistindo as aventuras de Scooby, e esse elo que nos liga, que ultrapassou gerações, é o que mais encanta.

 

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A História

Se você esteve no planeta Terra ou não estava em sono criogênico nos últimos 45 anos, sabe do que Scooby-Doo se trata. A série acompanha os jovens Fred, Daphne, Velma e Salsicha e o dogue alemão Scooby-Doo que viajam pelos Estados Unidos (e muitas vezes em outros países) em uma van desvendando mistérios e correndo perigos sobrenaturais. A Máquina Mistério já levou as “crianças enxeridas” a lugares incríveis: de casas mal-assombradas a navios fantasmas, de cidades assoladas por grandes perigos a ilhas desabitadas. Scooby-Doo conta com uma fórmula que parece não desgastar: no início de cada episódio é estabelecido o perigo e/ou vilão; a partir daí, a equipe chega ao local do crime ou evento ao ser chamada ou, como na maioria das vezes, por coincidência. Ao descobrir os problemas, o grupo passa a investigar o que está acontecendo. Há, antes da revelação final, uma perseguição ou cena envolta em suspense. Os capítulos terminam com o bandido capturado e com a identidade revelada. Sem falar, claro, do clássico “eu teria conseguido se não fosse por esse cachorro estúpido e essas crianças enxeridas”.

 

Os Personagens

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Scooby-Doo é o personagem-título da série, o que não deixa de ser surpreendente, haja vista que, caso você não tenha percebido, ele é um cachorro. Scooby-Doo é um dogue alemão que é a versão canina de seu dono e melhor amigo Salsicha. Comilão e medroso, Scooby-Doo é parte vital no grupo, já que serve de isca de bandido quase sempre.

Norville “Salsicha” Rogers é o melhor amigo de Scooby-Doo. Em algumas versões da animação fica claro que ele é, também, dono do cachorro. Salsicha é um sujeito muito magro que tem uma fome insaciável (mais sobre essa fome a seguir) e um medo incontrolável. É a paixão de Velma em algumas versões do desenho. É, junto com Scooby-Doo, a melhor isca para monstros e afins.

Fred Jones é o descolado do grupo. Bonitão, Fred tem uma paixão avassaladora por armadilhas. Líder do grupo (ao menos é ele que sempre divide o pessoal em dois para procurar pistas), Fred é corajoso e cético, nunca acreditando que os seres sobrenaturais existem de fato. É a paixonite de Daphne.

Velma Dinkley é o cérebro do grupo. A típica nerd usa óculos e um suéter laranja que lhe cobre até o pescoço. Em algumas versões da série é a amada de Salsicha, embora o sujeito não saiba ou não perceba tal paixão. Geralmente é Velma quem descobre a verdade por trás de cada acontecimento.

Daphne Blake é a bonitinha do grupo. Patricinha, Daphne é corajosa, mas também serve como a donzela em perigo. É apaixonada por Fred em praticamente todas as versões da animação. Assim como a Marie de Breaking Bad, Daphne é obcecada por roupas e objetos roxos.

 

A Estrada Até Aqui

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A primeira versão de Scooby-Doo.

 

Tudo começou em 1969. O décimo terceiro dia do mês de setembro trouxe aquele que seria imortalizado como um dos desenhos animados mais queridos de todos. O primeiro episódio foi What a Night for a Knight, que trazia uma misteriosa armadura de um cavaleiro que ganhava vida e atormentava o grupo enquanto este investigava o sumiço de um arqueólogo. O piloto, e maioria dos episódios que formaram a primeira versão de Scooby-Doo, chamada Where Are You? (Cadê Você?, no Brasil), trazem história simples e com poucos personagens. Não havia, ainda, grande interesse em construir um suspense acerca da identidade do bandido. Com um ou dois personagens coadjuvantes, ficava fácil descobrir quem estava por trás de cada máscara.

Mas Where Are You? é uma versão light da ideia inicial. Fred Silverman, executivo da CBS na época, encomendou um show que misturasse comédia, aventura e mistérios com uma pitada de terror. O resultado foram episódios muito assustadores para época e que acabaram sendo descartados. A versão final de Scooby-Doo, que tem muitos pais (os famosos William Hanna e Joseph Barbera, o já citado Fred Silverman, os roteiristas Joe Ruby e Ken Spears e o desenhista que deu vida a Scooby, Iwao Takamoto), é a que vimos na mais clássica representação da turma de investigadores. Os traços são firmes, mas a animação da época ainda estava muito distante da era digital que temos hoje. Assim, o visual da série, hoje, parece ultrapassado. Os olhos dos personagens são estranhos e os movimentos limitados. É notório, por exemplo, que os personagens mal se mexem; apenas suas bocas se movimentam quando falam.

Where Are You? foi um sucesso enorme. E como tudo que é sucesso é repetido ou readaptado, várias versões do personagem foram criadas com o passar dos anos. Vários queriam copiar Scooby, até mesmo seus criadores. De 1972 a 1974 as coisas saíram um pouco do controle e o grupo de crianças enxeridas se encontraram com Dick Van Dyke, Os Globetrotters, A Família Addams, O Gordo e o Magro e até mesmo com o Batman e o Robin. O visual é muito parecido com a versão inicial e o foco da animação ficou muito dividido entre tantos “astros” animados. Em 76, Scooby-Doo fez parte de outro desenho, o Dinamite, o Bionicão. Aqui, teve a parceria de Scooby-Dão e Scooby-Dee. Apenas uma temporada foi produzida, e apesar de ser uma versão pouco conhecida, é provável que você tenha assistido ao menos um dos capítulos durante a infância.

 

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Scooby-Doo e os diversos “convidados”. Dentre eles, Batman, Robin, a Família Addams, os Três Patetas e o Gordo e o Magro.

 

De 77 a 80, Scooby-Doo fez parte de Ho-Ho Límpicos, que trazia diversos personagens criados por Hanna-Barbera disputando competições olímpicas. Em 79 Scooby contou com a ajuda de Scooby-Loo, seu sobrinho. É uma versão pequena (e bem chata) de Scooby-Doo. Essa versão é uma das mais descaracterizadas da animação. Ao perceber que o excesso (e o mal trato com o personagem) estava desgastando a fórmula, os produtores resolveram repaginar tudo: Fred, Velma e Daphne quase nunca aparecem e grande atenção é dada à Scooby-Loo. Entre 88 e 91, os produtores resolveram seguir a moda e realizaram a versão infantil dos personagens com O Pequeno Scooby-Doo. Scooby filhotinho não é ruim e o visual da animação é bem mais caprichado que aquela vista em 79. Tem a qualidade visual, mas não o charme.

Depois de esgotarem todas as energias da trupe em diversas animações, Scooby-Doo entrou em hiato. Apenas em 2002, no mesmo ano de lançamento do filme em live-action, estreou O Que Há de Novo, Scooby-Doo. A animação já havia avançado consideravelmente e o visual se encontra bem mais arrojado. O visual melhorou e o charme da série clássica retorna. Com episódios inéditos e algumas referências às versões anteriores, a nova versão trouxe Scooby-Doo e a turma a uma nova geração. O número de personagens aumenta, as tramas ficam um pouco mais complexas e as investigações mais interessantes. Descobrir a identidade dos bandidos passa a ser um divertimento até mesmo para o espectador.

Em 2007 é lançada Salsicha e Scooby Atrás das Pistas. É uma versão pouco conhecida no Brasil e inseriu uma novidade: episódios interligados que formam uma longa sequência de acontecimentos. Esta viria a ser uma das principais características da versão mais recente da animação: Scooby-Doo: Mistério S/A. Lançada em 2009, a nova versão traz um visual bem diferente do visto até então. O estilo da nova série, aliás, é irrepreensível: as cores saltam os olhos e há todo um cuidado com a “fotografia” dos episódios, revelando cuidado com o uso de luzes e sombras. Mistério S/A não só é a visualmente mais bela versão como uma das animações mais bem feitas da atualidade.

Os traços da versão mais recente trazem personagens com rostos mais quadrados e retos. Além disso, há uma riqueza de detalhes elogiável. Ainda assim, muitas características clássicas ainda permanecem: o figurino segue setentista. Estão lá as sais e as calças boca-de-sino de Fred e Salsicha. Há a modernização geral do desenho animado, mas os personagens seguem os mesmos. Outra característica elogiável de Mistério S/A é a utilização de easter-eggs e referências à cultura pop. A nova versão ainda traz os pais dos personagens, romances mais evidentes e um trama intrincada, onde cada episódio acrescenta algo novo à mitologia.

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A última versão de Scooby-Doo.

O Curioso Mundo de Scooby-Doo

As curiosidades, teorias e referências são infinitas em Scooby-Doo. Para começar, a série levanta algumas teorias interessantes. Várias vezes foi comentado que Salsicha é um compulsivo usuário de drogas (maconha, mas precisamente); essa “teoria” é até piada no filme em live-action de 2002: Salsicha e Scooby-Doo vivem juntos, num estilo bem hippie, na Máquina Mistério; a câmera se aproxima enquanto uma sugestiva fumaça sai por uma abertura no teto da van, enquanto os dois personagens riem como loucos dentro do veículo. Aos poucos descobrimos que eles estão apenas cozinhando. Além dessa piada, as pistas não enganam: Salsicha, desde o início, foi inspirado pelo movimento hippie da década de 60; suas roupas e seu jeito moroso indicam o seu perfil. Além disso, Salsicha é o único que conversa com o cachorro Scooby-Doo em diversas versões do desenho animado. Todos sabem, claro, que pessoas em plena consciência não conversam com cães. Sem falar na fome descomunal do sujeito. A referência foi plantada e perdura até hoje.

A última versão é um prato cheio de referência: uma casa repleta de armadilhas lembra Jogos Mortais; Vincent Price é citado, bem como outros nomes conhecidos no universo do horror e da ficção científica. Um dos primeiros episódios da primeira temporada, por exemplo, traz várias referências a H.P. Lovecraft e suas obras. A ameaça do episódio é um monstro gigante, ao estilo cthulhu. O próprio nome do capítulo, The Shrieking Madness, faz referência à obra mais conhecida do autor, In the Mouth of Madness. Para completar, um personagem é chamado de H.P. HATEcraft, antítese de LOVEcraft.

Scooby-Doo, enfim, é uma das maiores criações da animação. Atravessando gerações e se renovando a cada nova investida, a turma nunca envelhece. Eles divertiram seus pais, você e provavelmente vão encantar seus filhos. O valor cultural destes personagens é incomensurável. Além disso, são alguns de seus amigos mais leais, pois te acompanharão pra sempre e sempre serão renovados. E o melhor de tudo, trazem o charme e a inocência que muitas das animações de hoje esqueceram. Scooby Do Bi Doooo.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

2 comments

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  1. Avatar
    Michele 12 fevereiro, 2015 at 12:28 Responder

    Gente, tá começando a ficar chato esses textos do Matheus tão completos, tão bem escritos, com tantos detalhes e eu sempre elogiando da mesma maneira hahahahaha Vou ter que começar a inventar elogios exclusivos pra vc, sweetie.

    <3 Scooby-Doo fez parte da minha infância, assisto até hoje (sempre que possível) e com certeza meus filhos assitirão (assim como assistirão vários desenhos e séries). Acredito que foi com a turma do Scooby que comecei a gostar de histórias de detetives, mistérios, suspense e ainda hoje é meu tema favorito.

    Texto impecável, como sempre, Matheus. 😉 Scooby Do Bi Doooo.

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 12 fevereiro, 2015 at 20:46 Responder

      Ah, que isso! hauheauhea muito, muito obrigado, Michele! Mesmo. Scooby-Doo não merecia nada menos que uma boa pesquisa e dedicação. É, acredito, a melhor série de animação criada; por um simples motivo: o tempo não a derrubou. Imagine que o programa começou em 69!!! Outros tempos, outras mentalidades… e de lá pra cá, só melhorou. Outra prova de sua qualidade é que até hoje, se passar um episódio na TV, nós paramos e matamos a saudade não só do desenho, mas de nossa própria infância. Scooby-Doo >>>>> vida

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