SDCC 2016: O painel de Preacher

SDCC-Preacher

Num painel que soube trabalhar melhor o humor cru e sombrio, além de responder, justificar engajar melhor o espectador do que a série fez até agora, o painel de Preacher foi memorável, a sua maneira. Com todas as estrelas em cena e abusando do máximo de recursos possível, o  painel tentou trazer/reaproximar (mesmo que se negue isso) os espectadores, falando para o público da série, da DC e do fandon como um todo.

Estavam presentes no painel o produtor executivo e criador de “Preacher”, Garth Ennis, os produtores Seth Rogen e Evan Goldberg, além de Dominic Cooper (Jesse Custer), Ruth Negga (Tulip O’Hare), Joseph Gilgun (Cassidy), Ian Colletti (Jerome/Arsface) Graham McTavish (O Caubói). Kevin Smith, Jason Mantzouka e Danielle Panabaker também se juntaram ao elenco para uma leitura do texto do episódio que ainda será exibido neste domingo (24/07).

A leitura do roteiro assegurou que Cassidy está vivo sim e deu a Gilgun muitas oportunidades para ser ainda mais sarcástico do que a versão sua que já conhecemos como o vampiro irlandês favorito de todos. A cada nova pergunta do Q&A, a cada nova interação com a plateia, Gilgun soltava uma cantada, uma tirada qualquer, todo e qualquer trejeito que o deixasse mais perto do personagem.

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Golberg declarou no painel que a ideia original era adaptar número-a-número a HQ, mas que Garth Ennis os convenceu de que isso não seria viável. Foi dessa realização, guiada, permitida e aprovada por Ennis, que os produtores tiraram a ideia de adaptar, de mudar e remodelar a história de Jesse Custer que eles contariam. Ennis chega a acrescentar, endossado por Rogen, que se eles não tivessem abraçado as modificações, o material-base só renderia um temporada e meia – “Seria uma excelente temporada e meia”, disse Rogen sobre essa possibilidade.

Rogen foi além, e talvez para antecipar a algumas das perguntas/críticas que poderiam ser feitas, sugeriu que a idealização dos personagens envolvia que eles trilhassem caminhos que se encontram, mas separadamente, de modo a estabelecer uma estética para cada um deles antes que eles possam adentrar na trama principal. E que a sensação de estar assistindo a série errada, ou de estar assistindo algo que não consiste com a “riqueza de material” (como Cooper classificou) oriunda dos quadrinhos é uma sensação intencional, algo que eles idealizaram e até esperavam que acontecesse.

Sobre os personagens vividos por eles, Cooper declarou que acha Jesse Custer “muito mais fácil de se desgostar do que eu imaginava”. Ruth Negga se diz contente por poder viver uma personagem feminina com um lado tão sombrio e uma carga dramática tão grande, mas que, ao mesmo tempo, consegue ser bem engraçada. E Gilgun, depois de dizer três ou quatro palavrões rápidos em poucos segundos, retrucou que se alguém se ofende com uma ou duas palavras feias, não deve assistir Preacher.

O jovem Ian Colletti talvez seja o responsável por mais surpreender o público, ao revelar que não só passa até duas horas e meia na maquiagem para dar a Eugene/Arsface a aparência que já vimos, ele realmente não consegue comer enquanto usa a maquiagem, então, assim como o personagem, o ator requer smothies e canudos para de alimentar/hidratar durante as gravações.

Outra surpresa para o público foi a resposta dada por Gilgun à pergunta “o que ele ordenaria à plateia caso ele portasse o Genesis”. Sem pensar duas vezes, o ator sugeriu uma combinação de orgia e doenças venéreas que o deixou cada vez mais verossímil em seu papel de Cassidy, mesmo que fora de cena.

Garth Ennis se disse muito satisfeito com a produção e até mesmo apontou que ele gostaria de ter achado algumas das saídas criadas pela produção anteriormente. O autor ainda chegou a dizer o quanto a adaptação encontra as expectativas dele, já que até mesmo coisas que ele não considera capazes de serem realmente transcritas entre um gênero e outro acabaram encontrando espaço na série. Ainda sobre a adaptação, Ennis frisou que Preacher já considerado algo que não poderia ser adaptado, e disse esperar que a série seja um exemplo que até aquilo que se diz “inadaptável” pode ser sim ser representado em diferentes mídias.

Outras perguntas sugiram na audiência, questionando certos pontos da série e até mesmo a validade dela. Ennis foi diretamente questionado sobre como ele se sentia com relação a essa postura dos fãs, e autor retomava sempre essa noção ao responder perguntas nessa linha: “O que conta no fim do dia é o que faz a coisa funcionar”.

O painel de Preacher é encerrado assegurando os fãs de que a AMC aposta na série, que alguns dos executivos realmente gostam da série e que, se coisas piores foram feitas, Preacher veio e pretende ficar.

A primeira temporada de Precher ainda tem dois episódios a serem exibidos e a série já garantiu uma segunda temporada.

A San Diego Comic Con continua durante este final de semana e o Mix de Séries estará cobrindo os mais diversos painéis. Para saber tudo fique de olho em nossas redes sociais com a hashtag #MixNaSDCC e no nosso site com a tag SDCC.

Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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