Se Não Fosse Você é um dos PIORES filmes dos últimos tempos | Review

Se Não Fosse Você: romance da Paramount+ tenta emocionar, mas vira um dos piores filmes recentes

Nem todo filme romântico consegue ser, de fato, romântico. Se Não Fosse Você, nova aposta da Paramount+ baseada na obra de Colleen Hoover, é a prova mais clara disso. O longa até parte de uma premissa interessante, cheia de conflitos e emoções intensas, mas se perde completamente na execução.

O resultado é um melodrama exagerado, confuso e, em vários momentos, involuntariamente cômico. Em vez de emocionar, o filme acaba cansando e até irritando com decisões narrativas que parecem não levar a lugar nenhum.

Uma história que tinha potencial, mas vira bagunça

A trama acompanha duas famílias conectadas desde a juventude. Anos depois, tudo parece estável, até que uma tragédia muda completamente o rumo da história. Morgan vive com o marido e a filha adolescente, Clara, enquanto sua irmã Jenny está prestes a se casar e acaba de ter um filho. O problema é que uma revelação devastadora destrói esse equilíbrio.

Os parceiros das duas mantinham um caso há anos e morrem juntos em um acidente de carro. A partir daí, o filme tenta explorar luto, traição e recomeços. Só que, em vez de aprofundar esses temas, a narrativa se perde em excesso de acontecimentos, segredos mal desenvolvidos e decisões dramáticas que parecem forçadas.

Um melodrama que exagera e não convence

O maior problema de Se Não Fosse Você está no tom. O filme tenta ser intenso o tempo todo, mas acaba exagerando tanto que as emoções deixam de parecer reais.

As cenas são carregadas de música dramática, diálogos artificiais e situações que parecem mais pensadas para chocar do que para construir uma história consistente. Existe até uma tentativa de trabalhar conflitos familiares e traumas, mas tudo é tratado de forma superficial. Em vez de explorar as consequências do caso extraconjugal, o filme simplesmente ignora questões importantes.

Os personagens sofrem, choram e tomam decisões questionáveis, mas raramente param para refletir sobre o que aconteceu.

Romance principal não funciona

Um dos pontos centrais da história é o relacionamento entre Morgan e Jonah, dois personagens que já tinham sentimentos no passado e se aproximam após a tragédia. A ideia poderia render um romance complexo e interessante. No entanto, falta algo essencial: química.

As interações entre os dois são frias e pouco convincentes. O filme insiste em tratar essa relação como algo profundo e inevitável, mas nunca constrói isso de forma convincente. Para piorar, a história tenta transformar esse romance em algo “puro”, enquanto demoniza o relacionamento entre os personagens que morreram. Essa abordagem simplista enfraquece ainda mais a narrativa.



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Falta de aprofundamento prejudica a história

Outro grande problema em Se Não Fosse Você é a falta de desenvolvimento dos conflitos. Morgan e Jonah descobrem cartas de amor escondidas que poderiam explicar o caso extraconjugal. No entanto, o filme simplesmente ignora esse material.

Essa escolha impede que o público entenda melhor os personagens que morreram e cria um vazio na história. Fica a sensação de que partes importantes foram deixadas de lado.

Ao mesmo tempo, decisões importantes são tomadas sem o devido peso emocional, o que torna tudo ainda mais artificial.

Núcleo jovem é o único que funciona

Se existe um ponto positivo em Se Não Fosse Você, ele está na história de Clara e seu namorado Miller.

Os dois têm uma dinâmica mais natural e conseguem trazer momentos que realmente parecem humanos dentro de uma narrativa tão exagerada. Clara enfrenta o luto e a confusão emocional após a morte do pai e da tia, enquanto tenta entender seu próprio relacionamento.

Já Miller surpreende ao apresentar uma postura mais sensível e madura, especialmente em uma cena em que questiona decisões impulsivas de Clara. Esse núcleo é o único que realmente consegue transmitir emoção de forma genuína.

Atuações irregulares e momentos constrangedores

As atuações também não ajudam muito a salvar o filme. Allison Williams até tenta dar profundidade à protagonista, especialmente nos momentos em que Morgan lida com a traição do marido. No entanto, o roteiro não oferece espaço suficiente para que essa complexidade seja explorada.

Dave Franco, por outro lado, entrega uma performance apagada, que contribui para a falta de química no romance principal. Já Mckenna Grace se destaca como Clara, trazendo mais nuances e autenticidade do que grande parte do elenco adulto.

Mesmo assim, nem as boas atuações conseguem sustentar o peso de um roteiro tão problemático.

Um filme que beira o “tão ruim que é bom”

Em alguns momentos, Se Não Fosse Você quase entra na categoria de filme “tão ruim que é bom”.

As situações exageradas, os diálogos estranhos e algumas escolhas criativas curiosas acabam gerando cenas que provocam mais riso do que emoção. Há momentos que parecem completamente deslocados, como referências aleatórias a outros filmes e decisões de roteiro que não fazem sentido dentro da história.

Ainda assim, o filme não abraça esse lado mais absurdo o suficiente para se tornar divertido de verdade.

Vale a pena assistir?

Se Não Fosse Você tinha todos os elementos para ser um drama romântico impactante. A história envolve traição, luto, família e recomeços, temas que poderiam render uma narrativa poderosa. No entanto, a execução falha em praticamente todos os aspectos.

O roteiro é confuso, os personagens são pouco desenvolvidos e o romance principal não funciona. O resultado é um filme que tenta emocionar, mas acaba frustrando. No fim das contas, Se Não Fosse Você se torna um exemplo claro de como um bom material de origem pode ser desperdiçado.

Para quem gosta de dramas intensos, pode até valer a curiosidade. Mas é difícil não sair com a sensação de que o filme é um dos mais decepcionantes dos últimos tempos.



Se Não Fosse Você é um dos PIORES filmes dos últimos tempos | Review
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.
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