Sense8 – 1×03 – Smart Money's on the Skinny Bitch

sense8103

Imagem: Arquivo pessoal

Sense8 começa a se solidificar e confirmar ainda mais a ideia de que ela não é uma série, mas um longo filme dividido em doze partes. Os produtores, aliás, afirmaram recentemente que a primeira temporada é um filme de 12 horas dividido em três atos com quatro episódios cada. E o que se vê, olhando o quadro geral, é exatamente isso. Estes três primeiros episódios tratam de apresentar a trama e os personagens para, então, desenvolver a relação entre eles. Este terceiro capítulo dá pequenas pistas de como os sensates podem se conectar, mas o importante ainda é estabelecer as peças do tabuleiro.

Depois de abordar com propriedade seis dos oito protagonistas, Sense8 finalmente reserva um tempo para Sun e Capheus. E os núcleos dos dois não começam muito bem. De início, Sun não tem o mesmo carisma que os outros sensates. Capheus, por outro lado, tem carisma de sobra, mas sua parte da história começa mal delineada. O que, afinal, querem mostrar os roteiristas?

O problema é que eu não havia aprendido algo básico para se curtir Sense8: paciência. Desde o primeiro minuto, a série tem exigido paciência de quem assiste. Não por ser uma série chata, longe disso, mas o que os criadores do programa querem dizer é: “fiquem calmos, relaxem, nós sabemos o que estamos fazendo”. E realmente sabem. Depois de um início um tanto incerto, as tramas envolvendo Sun e Capheus começam a melhorar e atingem o clímax, quando suas mentes se conectam. É interessante, aliás, que justamente os dois personagens, que até então não haviam sido explorados com propriedade, sejam aqueles que se unam e nos revelam como os sensates podem agir juntos.

E a sequência é ótima: enquanto Capheus está em perigo na quente e árida Nairobi, Sun luta na fria e azulada Seoul. A “magrela” surge como uma surpresa e o “Van Damme” de Nairobi nasce. Fica claro que a luta de Sun é uma forma da personagem fugir da própria realidade. Enquanto uns fazem yoga, a “magrela” decide bater e apanhar. Não é à toa que ela se envolve em uma disputa difícil que pode levá-la à derrota. Mas a skinny bitch é boa de briga e além de vencer a própria luta, ainda ajuda Capheus a se livrar das ameaças. É uma cena que avança na trama, já que nos dá uma dica de como as conexões funcionam, e mostra, mais uma vez, a qualidade técnica do show. Novos elogios à direção de Andy e Lana Wachowski e à edição ágil.

De ressalva, apenas o fato de que Nomi aparece pouco, e que o humor envolvendo Lito, às vezes não funciona. Não entenda mal: Miguel Ángel Silvestre (Lito) é um ótimo ator e seu núcleo é interessante, além de ser o que mais dá espaço ao humor. Ainda assim, os Wachowski, que nunca foram muito adeptos à comédia, acabam exagerando no tom. Podemos perdoá-los, porém, já que o núcleo mexicano, como dito na última review, vem sendo retrato com uma pegada bem mais exagerada, que se rende ao dramalhão e à comédia escrachada.

Sense1: Estou gostando de como o núcleo de Kala vem sendo desenvolvido. Um ponto interessante é quando a vemos na reunião: enquanto todos vestem roupas em tons de preto, cinza ou branco, Kala aparece trajando um verde vivo, que contrasta com a monotonia ao seu redor.

Sense2: Quando Sun chega ao lugar onde irá lutar, podemos ver algumas pessoas que vestem roupas parecidas com aquelas vistas no filme Tron: Legacy. Para quem não sabe, Tron acompanha pessoas que estão presas a um universo digital. Algumas pessoas são programas, alguns são reais, e alguns programas tentam escapar para o mundo real. Toda essa história de realidade, universo digital e programas lembram, claro, Matrix, dos Wachowski.

Sense3: É impossível não rir da “Van Damn” e os olhos de Jean Claude pintados na frente do veículo.

Tags Sense8

Share this post

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.