Sense8 – 1×05 – Art Is Like Religion

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Imagem: Arquivo pessoal

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Alguém já parou para pensar em como deve ter sido difícil escrever e filmar Sense8? Comecemos pelo óbvio que é repetir as cenas em ambientes diferentes. Afinal, quando há a conexão entre dois ou mais sensitivos, o encontro acontece em mais de um local. Imagine então a sequência do terceiro episódio, quando Sun ajudava Capheus em uma briga. Ora Sun estava em Seul, ora em Nairobi, tudo dentro da mesma cena. O mesmo serve para as cenas mais calmas, envolvendo diálogos. Pense agora, em como deve ser complicada acertar o fuso-horário de cada núcleo. É um trabalho delicado de continuidade. Séries e filmes que se passam em apenas um local já costumam errar na continuidade e pular do dia para a noite, imagine uma trama fragmentada em oito cidades diferentes! É um esforço notável por parte da produção que muitas vezes não damos valor.

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Dirigido por James McTeigue (V de Vingança, O Corvo), o quinto episódio acaba por dar uma esfriada na trama. Ainda que os personagens sigam com um bom desenvolvimento (à exceção de Kala e Wolfgang), os roteiristas pisam no freio para não gastar todas as ideias muito cedo. Como comentado anteriormente, Sense8 basicamente é dividida em três atos de quatro episódios cada. Assim, o ato introdutório acabou no episódio quatro, e o segundo ato, de desenvolvimento, que liga e estabelece tudo, começa neste quinto capítulo. Nada mais aceitável, portanto, que Art Is Like Religion seja uma ponte entre o que já foi mostrado e o que ainda está por vir. Nada de grandiosas sequências de ação ou catarse. O objetivo desta vez é ir desenvolvendo o que se tem e inserir mais detalhes à imensa colcha de retalhos.

Para não dizer que não houve nenhuma sequência de ação, devemos lembrar a cena em que Lito abraça o lado heroico da profissão de ator e começa a dar tiros para todos os lados. Além de divertida, a sequência ainda presta uma pequena homenagem a Matrix, ao trazer o personagem se curvando, enquanto pedaços de concreto saltam pelos ares e as acrobacias são auxiliadas por cabos. Por falar em Lito, aliás, as cenas de humor envolvendo o personagem melhoraram, o que indica que o problema era com os Wachowski que não são tão adeptos do humor. As crises do sujeito surtem algumas risadas e quebram o sentimento de urgência de toda a série.

Quem ainda não achou o caminho das pedras são Wolfgang e Kala. Ambos possuem núcleos interessantíssimos que podem ser desenvolvidos com propriedade. O problema é que parece que os dois não se conectam com o resto dos personagens. Enquanto os outros seis sensitivos estão relacionados em maior ou menor grau, Kala e Wolfgang parecem correr por fora da pista. É possível que tudo se encaixe depois, mas no momento suas histórias, ainda que agradem, não mostraram o real valor.

Sense1: Will e Riley são os típicos personagens que parecem protagonistas, mas acabam perdendo espaço para aqueles que supostamente deveriam ser coadjuvantes.

Sense2: O diretor de fotografia da série é John Toll, responsável pelas belíssimas fotografias de Coração Valente, O Último Samurai, Além da Linha Vermelha, Lendas da Paixão e do piloto de Breaking Bad. O cara é um dos melhores no que faz.

Sense3: De acordo com curiosidades do IMDb, a série foi dirigida da seguinte maneira: os Wachowski dirigiram todas as cenas de Chicago e São Francisco; McTeigue dirigiu as cenas do México, Reykjavik e Mumbai; Dan Glass ficou responsável pelas sequências em Seoul; e Tom Tykwer pelos núcleos de Berlim e Nairobi. Não posso confirmar a veracidade da informação, mas isso iria contra as aberturas dos episódios que indicam diretores específicos para cada capítulo.

Tags Sense8
Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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