Sense8 – 1×12 – I Can't Leave Her [Season Finale]

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Imagem: Arquivo pessoal

 

Sense8 chegou de mansinho. A Netflix, sempre competente com o marketing de suas séries, falhou na divulgação do programa. Talvez fosse uma decisão dos produtores manter o show no escuro, mas o fato é que pouca gente sabia realmente sobre o que a trama se tratava. Além disso, não era muita gente que aguardava ou confiava piamente na primeira incursão dos irmãos Wachowski pelo universo televisivo. Pegue, por exemplo, Demolidor, da Marvel. Vários fãs aguardavam a série e a cultuaram instantaneamente. Sense8, por outro lado, teve que crescer aos poucos, muito devido ao boca a boca.

O boca a boca, aliás, prova que a Netflix talvez seja a melhor plataforma para a série. Imagine o programa na televisão, aberta ou fechada. Temos de concordar, primeiro, que o piloto de Sense8 não é dos mais convidativos ou mesmo dos mais bem estruturados. Logo, neste primeiro episódio, a série provavelmente perderia grande parte da audiência que não retornaria na semana seguinte. A série seria prejudicada, já que cresce exponencialmente a cada novo capítulo.

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Ser disponibilizada na íntegra na Netflix, portanto, foi a melhor forma de conquistar o público. Quem assistiu o piloto e gostou, continuou sem pestanejar. Quem não curtiu também pôde dar uma nova chance, já que o próximo episódio estava a um clique de distância, ou melhor, a poucos segundos, já que o site nos joga diretamente à parte seguinte. O falatório, então, foi certeiro. Quem continuou assistindo o programa insistiu para aqueles desistentes que dessem mais uma chance, além de clamar aos outros que ainda não conheciam a série, que começassem a assistir logo. O sucesso foi crescendo e Sense8 surpreendentemente tornou-se uma das maiores e mais bem sucedidas surpresas do ano. No processo, provou mais uma vez que a Netflix talvez seja, realmente, o futuro da TV.

É só nesse formato, por exemplo, que Sense8 pôde encarnar sem medo o seu perfil cinematográfico. Já comentei várias vezes nas reviews que a série é, na verdade, um longo filme de 12 horas. Com este conceito em mente, até mesmo os poucos defeitos do programa caem por terra. Em alguns capítulos, por exemplo, alguns personagens quase não apareciam, ou ficavam relegados ao segundo plano. Analisando os episódios separadamente, seria ilógico deixar um personagem como Lito totalmente de fora durante um capítulo inteiro. Se aceitarmos a série como uma história contínua, contudo, é fácil entender que todos têm praticamente o mesmo tempo em tela, o que muda é o momento em que aparecem.

Neste episódio final, dois personagens que tiveram destaque nos últimos dois episódios aparecem pouco: Lito e Capheus. Depois de terem seus núcleos amarrados anteriormente, os personagens apareceram apenas para se despedir e ajudar no resgate de Riley. Assim, I Can’t Leave Her dá espaço a alguns elementos que a série não havia mostrado ou desenvolvido até então. O primeiro e mais claro é o humor. Sense8 se sai bem na ação, no drama, romance, ficção-científica e até mesmo como musical (What’s Up? e a dança indiana comprovam), mas a comédia nunca foi o forte do programa. No capítulo final, porém, justamente quando o perigo é explícito e a urgência presente, a série resolve investir em algumas piadas e gags visuais.

Além do humor, quem ganha um espaço tardio é Wolfgang. A sequência da invasão traz inúmeros tiros e até mesmo uma bomba caseira feita por Kala. A indiana, aliás, entrou coadjuvante e saiu figurante da série. Enquanto Wolf ganhou certo espaço com o final do programa, Kala seguiu como uma personagem marginalizada. Seu núcleo começou e terminou desinteressante e ao final, enquanto os sensates interagem de forma orgânica, Kala parece deslocada, fora de contexto e quase irrelevante.

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Imagem: Arquivo pessoal

O Resgate

A season finale girou basicamente em torno do resgate de Riley e o que houve de melhor nisso foi a interação gradativa dos sensates. Will, retornando ao centro da trama, vai pessoalmente até a Islândia para salvar a amada. Ajudando efetivamente está Nomi, com todo o seu talento como hacker. Não demora para Sun chegar e ajudar com suas habilidades de lutadora. Lito empresta seu talento como ator e engana uma funcionária de Sussurros em uma cena hilária. Kala, veja só, é uma das mais úteis, ao fazer Riley acordar do “coma”. O carismático Capheus aparece no momento em que todos esperam que ele apareça: quando a ambulância não tem chaves, o sujeito surge para fazer o veículo andar. O único que ficou meio deslocado e sem muito propósito foi Wolf. Quer dizer que o alemão apareceu apenas por ter coragem de encarar um helicóptero?

O fato inegável é: os sensates interagem de forma orgânica e sempre é ótimo vê-los em ação. Espero, inclusive, que numa possível segunda temporada os personagens interajam e se ajudem ainda mais. Além disso, seria interessante que outros sensates aparecessem. Os oito sensitivos claramente não são os únicos, e seria interessante conhecer outros personagens com as mesmas habilidades. Espero que a mitologia também cresça ainda mais e que Sussurros seja mais presente.

Sense8 chegou ao fim de forma impecável. O que começou sem muito alarde, terminou como uma das grandes surpresas do ano. A série termina como uma das melhores do ano e a melhor estreia da Netflix em 2015 (sorry, Daredevil…). Este parece ter sido o ano em que bons roteiristas e diretores voltaram à forma através das séries. M. Night Shyamalan encontrou o caminho da luz com a excelente Wayward Pines e os Wachowski com Sense8. O resumo da ópera é aquilo que já sabemos: a TV é um universo aberto, sem preconceitos. Não importa se ela esteja em um aparelho televisivo convencional ou em um computador, a televisão não tem as amarras que o Cinema anda mostrando. Sense8 prova isso não só por dar espaço aos Wachowski e a um elenco completamente desconhecido, mas por trazer uma história versada pela diversidade, pelo amor a todos, sem distinções. Todos podemos e devemos estar em harmonia com todos, e não precisamos ser sensates para isso.

Sense1: O início do episódio com Will e Riley se “conectando” ainda crianças é ótimo.

Sense2: Amanita ajudou mais no resgate do que Kala.

Sense3: Hernando e Daniella não apareceram, mas merecem, e muito, retornar para um possível segundo ano.

Sense4: Muito, muito obrigado a todos que acompanharam minhas reviews para Sense8. Foi um prazer escrever sobre a série e dividir pontos de vista com você, leitor. O que mais quero, portanto, é que a série seja renovada e ano que vem eu possa resenhá-la aqui no Mix. Até lá!

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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