Sense8 – 2×03 – Mutualismos obrigatórios

Imagem: Netflix/Reprodução
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Como é bom respirar aliviado. Sense8 respira aliviada. É possível sentir em cada cena uma naturalidade e uma segurança que encontrávamos na primeira temporada. É muito cedo para afirmar se o segundo ano é superior ao primeiro, mas o fato é que a série retornou muito mais segura de si e com ideias mais envolventes e excitantes. Todo desenvolvimento da ideia do Homo sensorium, e de que os sensates são o novo estágio da evolução humana, traz inúmeras questões à mesa, pontos que não só enriquecem a trama como elevam o programa, tornando-o muito mais instigante.

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Agora sabemos que Sussurros é muito menor do que parece e que está inserido num contexto muito maior do que o inicial. Além disso, a ideia de diversos outros sensates espalhados pelo mundo finalmente fica clara, e com um ótimo adendo: nem todos querem ser um Homo sensorium. E um dos melhores momentos deste segundo capítulo é quando descobrimos um pouco mais sobre o grupo de Angelica. Um dos sensates não aceitava sua condição, e a imagem que revela um terço nas mãos do sujeito torna-se um explícito protesto por parte dos realizadores. A metáfora fica clara demais, é verdade, jogando a sutileza pela janela, mas ainda é válido traçar os paralelos: o homem nasceu sensate, mas não aceita sua realidade (muito devido à religião), chegando ao ponto de afirmar: “eles podem nos curar”. Como se algo precisasse de cura.

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Essa ideia de sensates maus torna tudo mais interessante, afinal, o perigo torna-se muito maior e imprevisível. Mas não é só de más notícias que vive o universo da série: ao fim do episódio, descobrimos que há um grupo resistente dentro da OPB que planeja acabar com a ideia de destruição aos sensates. Enquanto Sussurros vê a evolução como uma ameaça, outros veem como o futuro.

Assim, com apenas dois episódios, Sense8 avança e rearranja suas peças mais e muito melhor do que em toda a primeira temporada e o especial de Natal juntos. O grupo parece mais seguro em suas habilidades e tudo ocorre de forma mais orgânica. Vale apontar, contudo, que o roteiro ainda precisa trabalhar mais no polimento de alguns diálogos: muitos surgem expositivos e consideravelmente artificiais, o que pode quebrar a imersão do público naquele universo.

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O segundo episódio ainda compensa algumas falhas do capítulo de estreia ao dar mais atenção a Sun e Wolf. A fuga da coreana da prisão, aliás, é a prova de que Sense8 sabe muito bem entregar cenas de ação bem feitas e editadas. Essa liberdade de dedicar um bom tempo à sequencia de ação, inclusive, prova o quão confortável os realizadores da série se encontram com o próprio material. No processo, percebemos que, talvez, Sense8 esteja melhor do que nunca.

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.