Sense8 – 2×09 – O verdadeiro sentido de família

Imagem: Netflix/Divulgação

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Depois de um susto com o episódio anterior, com um roteiro fraco e equivocado em vários níveis, Sense8 recobra a forma e entrega um capítulo à altura da ótima segunda temporada. Em O verdadeiro sentido de família, a série se debruça sobre elementos puramente pessoais de seus personagens para desenvolvê-los. Aqui e ali, a mitologia cresce (principalmente quando focamos em Riley e Will), mas é realmente a intimidade de alguns sensates que movem a trama.

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Nomi, por exemplo, é a protagonista do capítulo ao participar do casamento da irmã. E não foi apenas um momento de impacto que o evento nos proporcionou; ainda no início, Nomi pega o microfone e faz um emocionado discurso, que nos ajuda não só a conhecer a família da personagem, mas a ela mesma. Numa fala cheia de mágoa, mas também repleta de amor, Nomi nos faz lembrar porque é um dos elementos mais fortes e importantes da série.

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Já no desfecho acontece a quase prisão de Nomi por um agente do FBI. Em uma sequência exageradamente dramática, Nomi quase é algemada, mas é salva por Amanita e por seu pai, que a chama de filha pela primeira vez. O momento emociona, mas soa artificial demais, com diversos personagens, intromissões e frases de efeito. Além disso, a prisão ocorrer justamente no momento da cerimônia acaba soando forçada. De todo modo, é interessante que o arco familiar de Nomi tenha se desenvolvido e se modificado no transcorrer do episódio.

Outra trama íntima que acompanhamos, desligada da mitologia central, é a de Lito. E aqui, o destaque não vai para o sensate, mas para Dani, que salva a pele do ator com conversa e inteligência irretocáveis. Lito, contudo, segue exagerado na temporada. É compreensível que, no núcleo mexicano, os roteiristas queiram destacar essa característica dramática, quase trágica, do personagem, mas seus gritos e choros já cansaram. Perderam a graça lá no início e agora só destoam das abordagens mais sutis de seus parceiros sensates.

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Para encerrar, outro breve momento pessoal encerra o capítulo de forma emocionante: Will se despede do pai sem poder estar realmente ao seu lado. Em um dos momentos mais tristes da série, podemos ver que mesmo os sensates são tão impotentes frente à morte quanto qualquer pessoa. Will pôde ver seu pai através de seus companheiros, mas nada pôde fazer. Não pôde realmente tocar a mão do pai, beijar seu rosto ou lhe confidenciar as últimas palavras.

No centro de tudo, a mitologia fica cada vez mais complicada (talvez até demais), mas espero que até o fim da temporada tudo se resolva. Uma coisa é certa: só um desastre para estragar o ótimo trabalho realizado neste segundo ano.

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.