Sense8 – 2×10 – Se o mundo todo é um palco, a identidade nada mais é do que uma fantasia

Sense8 Season 2
Imagem: Netflix/Divulgação

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No penúltimo episódio da segunda temporada de Sense8, algumas coisas já vão ficando claras: Wolf é disparado o pior e menos desenvolvido dos sensates. Chega a ser vergonhosa a forma como os roteiristas trabalharam o personagem. Embora o conjunto da temporada seja bom, o tratamento dado a Wolfgang é péssimo, digno das mais duras críticas. Em nove capítulos (tirando o especial de fim de ano), Lana Wachowski e sua equipe não conseguiram criar uma trama interessante para o alemão, e sequer deram tempo de tela ao sujeito. O fato é que ela aparece pouco, quando aparece não agrega e o episódio em que ele mais participa acaba sendo, ironicamente, o pior da temporada.

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Não entendam mal: o personagem tem muito potencial, e o ator é talentoso. Há carisma e várias possibilidades ali, mas os roteiristas não aproveitaram. No fim, Wolf parece que foi criado apenas para fazer número, para o trocadilho com o número oito; fora isso, não serve para mais nada. Façamos um exercício: o que o personagem fez de realmente importante nessa temporada? Você pode citar o caso de Lila, mas lembre-se que apenas isso aconteceu. Ele ficou nove capítulos nisso, nessa trama que não avança nem o seu núcleo nem a mitologia central.

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Por falar em mitologia, as irmãs Wachowski são ótimas em criar mundos e mitologias inteiras. Todos os seus filmes, em maior ou menos grau, possuem um enorme background que enchem os olhos e a mente. Até o mais criticado de suas obras, como O Destino de Jupiter, possui conceitos e ideias interessantíssimas, além de material suficiente para um par de temporadas televisivas. O mesmo ocorre com A Viagem, uma espécie de ensaio para Sense8. No filme, pessoas estão conectadas através dos tempos de formas inexplicáveis. Há muito de Cloud Atlas na série da Netflix, e quem assistiu o longa-metragem sabe que aquela mitologia é riquíssima.

Dito isso, era de se esperar uma mitologia incrível das irmãs na TV, já que o tempo é quase ilimitado. Não é bem o que acontece: embora a base de Sense8 seja ótima e tenha crescido muito na segunda temporada, é inegável que ainda não é algo da dimensão de Matrix, obra que em três filmes entregou uma mitologia riquíssima e mais complexa do que vimos aqui em dois anos. Não estou fazendo comparações, pois estas seriam injustas; o que quero dizer, contudo, é que a mitologia de Sense8 cresce a passos lentos e torna-se complexa quando, na verdade, é muito simples.

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Uma das maiores decepções do penúltimo capítulo, portanto, é ver que o gancho principal deixado para a finale é o confronto entre Sun e seu irmão. Quer dizer que depois de tantas descobertas, viagens e brigas, o final focará no perrengue de Sun? Espero que vejamos um encerramento mais satisfatório e geral, para todos os personagens, e não para alguns.

De todo modo, o décimo episódio foi mais um ponto bacana no segundo ano. Da festa em que Lito conhece seus novos colegas de trabalho ao comício de Capheus, tudo funcionou bem, embora não tenha evoluído na mitologia. No fim, o episódios surge para preparar o terreno para o desfecho. Espero que não decepcione.

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.