Sense8 – 2×11 – Você quer uma guerra?

Imagem: Netflix/Divulgação

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Sense8 chegou ao fim, e mesmo que a finale venha repleta de ação, o sentimento que fica é de frustração. Em uma temporada que dedicada à construção e solidificação de uma mitologia, é triste que o principal da trama seja tratado de forma apressada nos últimos minutos do episódio. A trama de Sun perseguindo o irmão, algo que pouco despertava interesse, tomou conta de mais da metade do capítulo, deixando Sussurros e todo o mistério para o fim. Assim, o que se viu neste desfecho, embora divertido, foi muita coisa amarrada sem cuidado, nas mais esdrúxulas desculpas.

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Vejamos Kala e Wolf. Quer dizer que todo aquele vai e vem dela com o marido resultou numa revelação besta que serve apenas para tirar Kala de um país e isolá-la em outro, só para que o roteiro una ela com o alemão. Pois não se engane: fraco do jeito que sempre foi, o núcleo de Kala na Índia deve ser esquecido e todo o papo do marido e das investigações deve sumir. Tudo aconteceu para amarrar a trama de forma preguiçosa: ao invés de contar a verdade ou pedir o divórcio, Kala teve a “sorte” de ser exilada para Paris.

Lito sequer teve um desfecho inicial. A única coisa que podemos considerar como uma ponta amarrada é o fato do ator estar empregado novamente. Nem sequer a trama de Sun, que tomou conta do episódio, foi terminada. A sensação que fica é que faltou coragem ou simplesmente sinceridade com o público. Várias portas foram aberta e nenhuma foi fechada ou deixada aberta ao menos de forma digna. Então depois de toda essa novela ainda teremos que aturar mais episódios de Sun fugindo/perseguindo o irmão? Haja paciência!

Se podemos dizer que alguém teve seu núcleo satisfatoriamente amarrado, esta foi Nomi. O pedido de casamento dela para Amanita e vice versa foi divertido, e costurou sua trama temporariamente até a próxima temporada. Ainda assim, é triste que os roteiristas tenham criado um mistério enorme em torno do Cara mascarado para que este não seja sequer citado no final. Já Will, ao menos, foi peça chave nas cenas finais, dando uma lição em sussurros. De resto, Riley e Capheus passaram tão despercebidos que mal são lembrados ao fim do episódio, o que é uma pena.

Apesar de todos esse problemas, a finale é um bom episódio, um ótimo, na verdade. Mas é um bom capítulo de meio de temporada, e não como season finale. A ação é bacana e as sequências são muito bem filmadas, coisa de cinema. Mas isso é algo que sabemos que Sense8 consegue e sabe fazer bem, não precisamos mais de provas. O que precisamos é de consistência, algo que, infelizmente, a série não soube entregar em nenhum dos anos até aqui.

De todo modo, a segunda temporada segue superior à primeira, e os eventuais tropeços não apagam o brilho de um ótimo ano. Ainda assim, falta coragem para o programa, o que é extremamente irônico. Por mais que aborde questões sociais polêmicas, nunca ou raramente tratadas pela TV, Sense8 parece fugir de qualquer decisão concreta e arriscada. Nada é certo, nenhuma ponta é realmente amarrada. Tudo fica solto, num péssimo clima de interrupção.

De tão segura de si, Sense8 acabou pestanejando no último minuto. Ainda assim, é um divertido e inteligente programa. Falta mais coragem na estrutura, no roteiro e desenvolvimento de seus personagens, e não só para lacrar.

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