A Apple TV+ mergulha de cabeça no universo dos ricos decadentes com Seus Amigos e Vizinhos (Your Friends and Neighbors), nova série estrelada por Jon Hamm, que retorna ao drama após anos flertando com a comédia.
Nos dois primeiros episódios, somos apresentados a um protagonista em espiral, envolto em escândalos, perdas e escolhas morais questionáveis — tudo embalado por um roteiro ágil e uma atmosfera que mistura The White Lotus, Desperate Housewives e Breaking Bad. E sim, Jon Hamm está mais Don Draper do que nunca.
O início do fim: um corpo, um terno ensanguentado e um mergulho na decadência em Seus Amigos e Vizinhos
Logo na cena de abertura, vemos Andrew Cooper, ou simplesmente Coop, acordando ao lado de um cadáver em uma casa desconhecida. Antes mesmo de entendermos o que está acontecendo, ele tenta apagar seus rastros e escapa pela porta dos fundos, mas acaba tropeçando e caindo na piscina — uma metáfora visual clara de que esse homem está se afundando, literalmente e figurativamente. A partir daí, a série volta quatro meses no tempo para nos mostrar como Coop chegou a esse ponto.
Coop perde tudo — e começa a roubar de seus vizinhos ricos
Coop é um ex-gestor de fundos de investimento que, após se envolver com uma colega mais jovem, Liv, acaba sendo demitido sem direito a clientes ou bônus. Divorciado, ele vive num aluguel modesto e ainda banca os luxos da ex-esposa Mel (Amanda Peet) e dos filhos — mesmo tendo sido traído por ela com um ex-jogador da NBA, Nick Brandes.
Sem emprego e com as contas acumulando, Coop tenta de tudo: conselhos do contador, entrevistas de emprego e até sexo casual com Samantha, uma vizinha igualmente divorciada. Nada dá certo. O estopim acontece em uma festa, onde ele observa seus vizinhos desfilando riqueza — e decide furtar um maço de notas de 100 dólares escondido no quarto do casal Miller. Aos poucos, Coop mergulha num ciclo de pequenos roubos que refletem não só seu desespero, mas também sua revolta contra a elite hipócrita que o cerca.


Lu entra em cena — e pode mudar tudo
No segundo episódio, após tentar penhorar um relógio caro roubado, Coop conhece Lu, dona de uma loja clandestina que rapidamente entende quem ele é: um homem acostumado a ditar regras, mas que agora vive à mercê dos outros. Ela o compra barato — literalmente e simbolicamente. Mas o mais importante: ao final do episódio, Lu liga para alguém pedindo uma investigação completa sobre Coop, sugerindo que ela pode tanto ser sua ruína quanto sua salvação.
Vida pessoal em ruínas: filhos, ex-mulher e uma irmã à deriva
Enquanto tenta manter uma aparência de pai presente — comprando uma bateria para o filho e treinando a filha para um torneio de tênis — Coop também precisa lidar com Ali, sua irmã que foge do hospital psiquiátrico. Depois de constatar que os pais continuam sendo um desastre, Coop acolhe a irmã em casa, mesmo com espaço e recursos limitados.
Ao mesmo tempo, Mel se mostra uma personagem ainda mais perturbadora: ela é uma terapeuta infantil que se inspira no relato de um paciente com distúrbios de raiva para… arranhar um carro na rua como forma de catarse pessoal. O contraste entre o comportamento dela e a rigidez com que trata Coop só reforça o desequilíbrio moral da série.
Um futuro sombrio (e promissor) para Coop
Apesar de ainda estar no início, Seus Amigos e Vizinhos já mostra aonde quer chegar: construir uma narrativa sobre um homem comum que, ao perder seus privilégios, se transforma num criminoso movido pela desesperança — e talvez por uma sede de justiça torta. O mistério do corpo no chão está posto, e a cada furto, cada erro e cada decisão impulsiva, o espectador se aproxima do momento fatídico da abertura.
Com atuações afiadas, destaque para Jon Hamm e a sempre magnética Amanda Peet, os dois primeiros episódios estabelecem um universo moralmente ambíguo, onde a decadência é o ponto de partida e a empatia, uma moeda cada vez mais rara. E com Lu agora observando Coop de perto, é bem possível que essa história ainda tenha muitas reviravoltas — e mais sangue — pelo caminho.