Shades of Blue – 2×01 – Unforgiven

Imagem: NBC

Na última segunda-feira (06), tive a oportunidade de ler as análises da audiência da Season Premiere de Shades of Blue. É verdade que é um pouco presunçoso da minha parte qualificar uma mera frase de “análise”, mas o diagnóstico foi de que os números foram os mesmos da Season Finale da primeira temporada. O que deve ser muito bom para a NBC perceber que acertou em renovar uma série para lhe trazer estabilidade, entretanto, sabia que uma coisa não poderia continuar a mesma, o lado criativo.

Imagem: NBC

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A má notícia é que, infelizmente, o roteiro voltou da mesma forma que saiu – perdido, sem ideias, completamente avesso a ousadia e apegado as velhas fórmulas do procedural policial que funcionaram muito bem na década de 1950. Não serei leviano em afirmar que esperava algo na linha de Broadchurch ou The Killing, bem porque os padrões da TV aberta não permitem, mas desejava um sinal de que mesmo trazendo algo mais simples, o roteiro conseguia entregar tramas sofisticadas, interessantes e ágeis, seguindo a linha de Blue Bloods na CBS.

Desde o dia primeiro de janeiro de 2016 até o início das gravações da segunda temporada de Shades of Blue, no dia 14 de junho de 2016, alguns fatos muito relevantes à segurança da cidade de Nova York foram reportados pela imprensa. Em março de 2016, a Bloomberg trouxe que os números de esfaqueamentos cresceram 20% em relação ao mesmo período de 2015, já o New York Daily News reportou em maio do mesmo ano uma noite muito violenta na cidade.

Trago essas poucas informações para mostrar o tamanho do material que o roteiro tinha para trabalhar. É claro que Nova York não é a turbulenta Chicago que Dick Wolf continuará retratando por muitos anos, mas há um vasto conteúdo para se trabalhar aqui enquanto os roteiristas decidiram continuar nesse imbróglio novelesco interminável e vazio. Jennifer Lopez e Ray Liotta, surpreendentemente, estavam com tanta preguiça e uma falta de forma tão impressionante que me perguntei algumas vezes se não tinha confundido a primeira leitura do roteiro com o episódio propriamente dito.

É verdade que nós temos aqui o início da participação de ninguém menos que Anna Gunn, que sempre me animou, principalmente depois que tive a oportunidade de vê-la recentemente no sensacional Mercado de Capitais. A atriz entregou uma performance boa, como é de costume, mas o roteiro precisa contribuir, fazê-la crescer e caprichar nos diálogos, até porque por mais que ela esteja em cena um conjunto da obra ruim não pode ser salvo, a esquecível Gracepoint está aí para não me deixar mentir.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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