Sherlock – 4×00 – The Abominable Bride (Christmas Special)

Séries como the mentalist para maratonar
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Imagem: BBC One

 

O episódio especial de Sherlock é uma ponte muito bem elaborada da terceira temporada para a quarta, e ao mesmo tempo não passou de um caso criado dentro da mente do detetive mais ousado e inteligente da literatura. Game on, porque Moriarty voltou e temos que saber como. São tantas referências ao trabalho de Conan Doyle que ficamos até um pouco tontos.

Começamos com a noiva fantasma abominável, que foi mencionada por Sherlock ao explicar um caso no conto O Ritual Musgrave, o nome Ricoletti foi lá mencionado, mas o caso não foi explicado, portanto o roteiro é original nesse aspecto, usado inteiramente para chegar a resposta para a pergunta fundamental, Moriarty está vivo, ou não?! O romance As cinco sementes de laranja chegou a piscar quando vimos o conteúdo do envelope que levou Lady Carmichael procurar Sherlock. E se a introdução dos personagens pareceu familiar, fique tranquilo, isso já aconteceu lá em 2010 e vem do romance Estudo em Vermelho, de Doyle, mas não podemos esquecer do real confronto entre Sherlock e Moriarty, retratado em O problema final, e representado como as Reichenbach Falls.

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Expressões como “elementary, my dear Watson!“, “miss me?” – dito pelo Moriarty – e “the game is afoot” – análogo ao game on – também nos mostram o quanto esse roteiro foi pesquisado e cuidadosamente escrito para a era vitoriana e para os fãs. O uso dos personagens que já estavam na série também foi um dos pontos altos, principalmente o de Molly Hooper, totalmente engajada com um dos desfechos do episódio e criada para a friendzone na mente do detetive. Como o Mind Palace de Sherlock é interessante, e como ele usa dele para investigar. Rostos conhecidos é mais um truque da sua mente.

Mas como poderia Emilia voltar dos mortos para assombrar e matar os homens? Quais os objetivos? Um total paralelo com Moriarty, mas teremos que esperar a quarta temporada pra saber esse “como?”. O de Emilia Ricoletti foi muito surpreendente, mas algumas pistas, durante do episódio, podem ser utilizadas para chegar ao desfecho. Os fatos de que Mary falou que fazia parte de um movimento “Votos para as mulheres!” (e para quem viu As Sufragistas essa semana…), junto com Mycroft admitindo que o lado dos “bandidos” estava na verdade correto, poderiam nos levar à suspeitas adiantadas. O Mind Palace de Sherlock estava no século XIX, mas o tema central do crime era bem atual, direito das mulheres.

Preciso falar dos artifícios de cena, sem todas aquelas letras flutuando, com apenas algumas datilografadas e cenários pousando dentro de outros. Acredito que podemos aplaudir de pé a produção desse especial que conseguiu juntar mitologia e suspense com muita propriedade. Tirando o fato de que ver a química entre Benedict Cumberbatch e Martin Freeman é extremamente agradável, sempre.

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Imagem: Arquivo pessoal

Agonizando, no caso, durante meses, e com alguns empurrões de Mycroft (versão pré medida certa, o que eu achei fantástico porque estamos dentro da mente de Sherlock, que odeia “um pouco” o irmão), Mary ajuda Sherlock e o marido a chegarem a um culto secreto, que a primeira vista você grita Ku Klux Kan, mas que não passa de outra referência ao conto das sementes, onde originalmente no envelope estava escrito “KKK”. Nem Capitão América conseguiu pegar tanta referência, e aposto que esqueci de algumas. As Sufragistas, SIM SIM SIM, para quem não sabe, um grupo de muita coragem, composto por mulheres que lutavam por direitos iguais começando pelo direito ao voto. E então Sherlock teve seu momento e explicou que Emilia, primeiramente, fingiu sua morte, matou o marido onde foi identificada, foi sacrificada pela causa e levada ao necrotério para a identificação correta do corpo, e muitas mulheres começaram a se passar pela noiva fantasma. Nada como um toque sobrenatural para tirar até marmanjo do sério, Watson era um que estava nos espinhos.

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Imagem: Arquivo pessoal

Conclusão, estamos em um novo hiato eterno de doer. Mentira, a conclusão foi de que Moriarty está Morto da Silva, e temos que saber como, com que poder e ajuda ele “retornou” ao caos da vida de Sherlock. Outra pulga atrás da orelha são as anotações na caderneta de Mycroft: “Redbeard”, números, “vernet?”. A ansiedade para solução destes mistérios na quarta temporada só aumenta.

Se não foi o melhor episódio da série, foi um dos melhores, mesmo sendo um especial somente fiquei bem empolgada. A cena do confronto entre Sherlock e Moriarty, com empurrão de Watson nas Reichenbach Falls foi incrível, não consegui amar mais porque faltou espaço. Se depender do Palácio Mental de Sherlock Holmes, teremos histórias para o resto da vida.

Colaboração: Paula Reis

Caroline Marques

Caroline Marques

Engenheira de Alimentos, mestre em química de alimentos, um tanto quanto viciada em séries, filmes e livros. Fã de Hannibal, Dexter, Grey's Anatomy, Demolidor, Sherlock e Stranger Things. Reviewer de Chicago PD.

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