Snowfall – 1×06 – A Long Time Coming

Imagem: FX/Divulgação (Reproduçã0)

Já passamos da metade da primeira temporada, mas a impressão é que nós nunca saímos do episódio piloto. A série ensaia uma reação, mas grande parte do episódio é uma mera enrolação para que o tempo passe e o roteiro possa desenvolver suas grandes ideias nos últimos instantes do ano inaugural. É verdade que muitos programas conseguem tal feito e em seguida trazem momentos primorosos e sensacionais, como foi o caso de Game of Thrones lá em 2011. Entretanto, não foi isso que tínhamos em mente quando decidimos assistir Snowfall.

Imagem: FX/Divulgação (Reproduçã0)

Lembram daquela cena robusta e impressionante de brutalidade policial? Pois bem, infelizmente isso foi esquecido mesmo que tais práticas serviram de base para decisões tão importantes como Tennessee v. Garner e Graham v. Connor anos depois pela Suprema Corte. Não há como falar de epidemia de cocaína sem traçar o mínimo de relação histórica com a retórica da “Lei & Ordem” de Richard Nixon ou o mantra vocalizado por Nancy Reagan e grupos conservadores – Just Say No.

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Ao invés de aproveitarem o imenso material à disposição, o roteiro decide seguir com uma história plana, sem desenvolver os personagens devidamente, o que implica no desperdício de um bom elenco, e continuar com um novelão moroso. É verdade que o nível de violência amentou, além do sexo e do consumo de drogas, que curiosamente não acontecia a algum tempo, mas nada que trouxesse aquela ousadia necessária para nos prender.

Gosto de um bom desenvolvimento, seja para história ou até mesmo aos personagens principais e se dermos sorte, também para os coadjuvantes. Todavia, o caminho que Snowfall seguiu foi o mesmo de The Walking Dead – uma grande quantidade de tempo investida em cenas tediosas, intermináveis e longas. Poderia citar algumas produções que fizeram mais em menos tempo, mas soaria esnobe da minha parte citar Big Little Lies, Feud: Bette and Joan ou American Crime.

Por mais frustrante que a evolução de Franklin possa ser, acredito que o processo de fragmentação que Teddy sofreu desde o episódio piloto é o que mais me impressiona. Ele apareceu como um agente da CIA um pouco atrapalhado, mas assumindo uma missão importante – investigar como que toda aquela droga chegava ao sudoeste de Los Angeles. O que temos agora? Um pai de família comprometido em satifazer as vontade da esposa e manter proximidade com o filho.

E quanto a renovação anunciada nessa semana, quero que os leitores saibam que o FX não tomou tal decisão devido a grande primeira temporada que a série vem apresentando visto que antes mesmo dela estrear, recebeu um incentivo fiscal de quase 09 milhões de dólares para manter sua produção na Califórnia.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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