Lançado no Disney+, e exibido na TV Globo, o filme Sociedade Secreta dos Segundos Filhos Reais parte de uma premissa irresistível: e se os “segundos na linha de sucessão” fossem, na verdade, jovens com superpoderes treinados para proteger o mundo? A proposta é criativa, atual e flerta com o universo de heróis que domina o entretenimento juvenil. O problema é que o filme nunca consegue ir além da embalagem.
Sociedade Secreta dos Segundos Filhos Reais traz uma história promissora que não se liberta das amarras
A trama de Sociedade Secreta dos Segundos Filhos Reais acompanha Sam, uma princesa rebelde que rejeita o peso da realeza até descobrir que faz parte de uma sociedade secreta formada por outros segundos filhos reais, todos dotados de habilidades especiais. A ideia subverte o conto de fadas clássico e tenta dialogar com uma geração que não se identifica mais com princesas à espera de resgate.
No papel, funciona. Na prática, o roteiro tropeça ao optar por soluções fáceis e conflitos artificiais. Muitos problemas só existem porque os personagens não conversam entre si, enquanto subtramas surgem e desaparecem sem consequências reais. Há missões e montagens que parecem deslocadas, mais interessadas em cumprir uma “cartilha Disney Channel” do que em fazer a história avançar.

Elenco carismático salva parte da experiência
O elenco jovem entrega mais do que o esperado para esse tipo de produção. Peyton Elizabeth Lee se destaca como Sam, trazendo carisma e empatia a uma personagem que poderia facilmente soar genérica. Ela consegue transmitir o sentimento de deslocamento da protagonista dentro da própria família e dá alguma densidade emocional ao arco central.
Skylar Astin, como o instrutor da sociedade secreta, é outro ponto positivo. Seu timing cômico funciona bem e ele recebe mais espaço do que o habitual para algo além de piadas rápidas, ajudando a sustentar o tom leve da narrativa.
Visual irregular e identidade confusa
Os efeitos visuais começam surpreendentes, com sequências que remetem ao cinema de super-heróis, mas perdem qualidade conforme o filme avança. A direção opta por uma fotografia genérica, sem identidade clara, e o design de produção falha em criar a sensação de um país europeu fictício. Em muitos momentos, o cenário parece uma mistura aleatória de locações americanas, quebrando a imersão.
Vale a pena assistir?
Sociedade Secreta dos Segundos Filhos Reais funciona como entretenimento juvenil despretensioso e pode agradar crianças e adolescentes fãs de histórias com superpoderes. Para o público mais velho, porém, o filme acaba sendo um exemplo claro de como o formato clássico dos filmes do Disney Channel já não acompanha as ambições do streaming. A ideia é boa, o potencial existe, mas falta coragem para ir além do básico.