Depois de anos em silêncio, o lendário agente Sam Fisher está de volta — mas de um jeito que ninguém esperava. A Netflix estreia em 14 de outubro a série animada Splinter Cell: Deathwatch, uma adaptação ambiciosa baseada na icônica franquia de videogames da Ubisoft.
Com Liev Schreiber dublando o protagonista e Derek Kolstad, criador de John Wick, à frente do roteiro, a produção promete devolver à série seu DNA de espionagem tática, suspense e realismo brutal, com uma nova abordagem mais madura e melancólica.
Do game à série: uma nova missão para Sam Fisher
Lançada pela primeira vez em 2002, a franquia Splinter Cell redefiniu o gênero de ação e espionagem ao priorizar a infiltração e a inteligência no lugar da violência gratuita. Sam Fisher — o agente secreto de visão noturna inconfundível — tornou-se sinônimo de paciência e precisão: um predador das sombras que atacava apenas quando necessário.
Mas após sete jogos e mais de uma década sem novos lançamentos (o último, Blacklist, é de 2013), os fãs estavam convencidos de que o personagem havia desaparecido.
Foi então que a Netflix entrou em cena, transformando o universo do game em uma série animada canônica, com todos os jogos anteriores servindo como passado oficial do protagonista.
“Quisemos capturar os rituais solitários de um Sam Fisher envelhecido, isolado do mundo, mas ainda mortal”, explica o diretor Guillaume Dousse, de Love, Death + Robots.
A história de Splinter Cell: Deathwatch
Em Deathwatch, Sam Fisher vive seus últimos anos em reclusão, aposentado em uma fazenda remota na Polônia, cercado por neve e silêncio. O agente está envelhecido, cansado e tentando se adaptar a uma vida sem ordens nem inimigos.
Mas a tranquilidade acaba quando Zinnia McKenna (dublada por Kirby Howell-Baptiste, de Killing Eve), uma jovem operativa da divisão Fourth Echelon, surge gravemente ferida e precisa ser resgatada — um chamado que Fisher não pode ignorar.
Ao aceitar ajudá-la, Sam é lançado novamente no submundo da espionagem global. A missão revela um complô internacional ligado à Displace International, empresa de tecnologia militar criada por Douglas Shetland, antigo amigo e rival de Fisher. Agora, quem comanda a organização é Diana Shetland, filha de Douglas — e a mente por trás de uma operação mortal.
As pistas da investigação são enigmáticas: um dente arrancado, um relógio de pulso e uma música de 1989 — “Eternal Flame”, da banda The Bangles, que ganha novo significado conforme a conspiração se desenrola.

Um Sam Fisher envelhecido, mas ainda letal
Deathwatch apresenta um Sam Fisher diferente: mais humano, vulnerável e introspectivo. Liev Schreiber dá voz a um herói que sente o peso dos anos e das mortes que carrega. Ele se cansa, se fere, hesita — mas continua sendo o mesmo estrategista letal que fez história nos games.
“Queríamos mostrar o que acontece quando um guerreiro lendário precisa lidar com a própria mortalidade”, diz Kolstad. “É o nosso ‘Old Man Logan’ da espionagem.”
A série também reflete o isolamento emocional do personagem. Sam vive entre fantasmas do passado, e as cenas de flashback — em preto e branco — mostram seu relacionamento conturbado com Shetland e o colapso moral que o transformou.
Dousse explica que a estética é deliberadamente contida:
“Usamos movimentos de câmera mínimos e diálogos curtos. O silêncio é tão importante quanto a ação.”
Visual e atmosfera: uma animação de luz e sombra
Fiel à estética dos jogos, a série faz da luz e da escuridão os personagens centrais da narrativa. A fotografia aposta em contrastes intensos, com cenários neo-noir e um uso de sombras que reflete tanto a natureza secreta da espionagem quanto o estado emocional do protagonista.
“A luz em Splinter Cell sempre foi uma questão de sobrevivência — se te veem, você morre”, explica Dousse. “Queríamos que essa linguagem visual guiasse toda a série.”
As sequências de ação são cuidadosamente coreografadas, com toques de realismo brutal. Nada é gratuito: quando a violência explode, ela é curta, precisa e devastadora, como nos filmes que inspiraram Kolstad e Dousse — Unforgiven, The Chaser, Eastern Promises e A History of Violence.
Zinnia McKenna: a nova geração
Ao lado de Fisher, Zinnia McKenna traz energia e impulsividade à trama. Enquanto Sam é um mestre do controle e da espera, Zinnia age por instinto e emoção, guiada por uma dor pessoal. Essa dualidade entre o veterano e a novata cria um contraste poderoso, que move a narrativa tanto em ação quanto em emoção.
Kolstad afirma que a personagem foi essencial para modernizar a história:
“Nos games, é empolgante esperar cinco minutos escondido. Em uma série, não. Zinnia é quem dá ritmo e fogo a essa nova fase.”
Uma homenagem à era de ouro do stealth
Splinter Cell: Deathwatch honra o legado da franquia criada por Clint Hocking sob o selo de Tom Clancy, mas também se reinventa.
Todas as aventuras anteriores são tratadas como história oficial do personagem, e referências aos jogos clássicos — do icônico equipamento de visão noturna às operações secretas da NSA — estão espalhadas por toda parte.
Os criadores assumem abertamente as influências de clássicos do cinema de ação e espionagem: O Atirador, John Wick, O Profissional e até Logan. Mas, no coração, Deathwatch é sobre algo maior — o preço da lealdade e o silêncio de quem viveu demais nas sombras.
Uma produção à altura de um clássico
Com oito episódios dirigidos por Dousse e roteiro de Kolstad, Splinter Cell: Deathwatch aposta em ação contida, visual cinematográfico e tensão psicológica.
Cada capítulo promete revelar um novo fragmento da mente de Fisher, um homem dividido entre o dever e a culpa.
Mesmo sem cenas intermináveis de tiroteio, a série mantém o público em suspense — fiel ao espírito do jogo: esperar, observar, agir.
Veredito: o retorno que os fãs esperavam
Depois de mais de uma década de espera, Splinter Cell renasce não como um game, mas como uma das adaptações mais promissoras do catálogo da Netflix.
Com Liev Schreiber em sua melhor forma, Derek Kolstad no comando e uma direção visual arrebatadora, Deathwatch não é apenas um tributo — é uma nova leitura sobre envelhecimento, dever e redenção.
Prepare-se para mergulhar nas sombras novamente. Splinter Cell: Deathwatch estreia em 14 de outubro na Netflix, e promete provar que, mesmo cansado e ferido, Sam Fisher ainda é o espião mais letal do mundo.