Star Trek: Discovery – 1×09 – Into the Forest I Go

Imagem: SpoilerTV/CBS/Divulgação

Em “Into the Forest I Go“, Star Trek: Discovery encerra seu primeiro arco com o seu melhor episódio até agora.

Enfim, tivemos o embate final entre a Nave dos Mortos dos Klingon e a USS Discovery. Após tentativas frustradas nos episódios anteriores, os membros da Frota Estelar finalmente conseguiram atingir um golpe poderoso na investida de Kol. E isso só foi possível graças à, principalmente, teimosia de três personagens: Lorca, Stamets e, a rainha da teimosia, Burnham.

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Como já havia mostrado em episódios anteriores, Lorca não gosta de se submeter às ordens do alto escalão da Frota. Inclusive, tal desobediência que o levou a discutir com a almirante Cornwell no sétimo episódio (“Magic to Make the Sanest Man Go Mad“), agora o fez ignorar a ordem de ir direto para a base 46 em troca de tentar por um fim na guerra.

Tal característica do capitão não pode ser vista como um simples ato de rebeldia. O personagem, embora pareça, em certos momentos, possuir motivos particulares para suas decisões, no geral acaba procurando o bem maior e harmonia no espaço da Federação. Sua preocupação com a segurança de Burnham mostra, ainda, um outro lado de Lorca, o paternal. A ex-oficial foi escolhida a dedo por ele para fazer parte de sua tripulação e parece ter gerado um sentimento paternal no personagem.

É interessante que essa preocupação só é excessiva quando se trata de Michael. Com Stamets, por exemplo, o capitão não se mostrou tão preocupado em sugerir os mais de 100 saltos. Ele, inclusive, usou de sua capacidade de oratória para convencer o cientista de que aquilo era não só necessário, mas um passo importante na carreira exploratória de Stamets.

Como não seria diferente, Stamets aceitou e foi parte fundamental na vitória sobre Kol. Mas, os efeitos colaterais parecem ter se agravado numa intensidade muito grande. Em certo momento do episódio, as chances de sobrevivência do personagem não pareciam das mais altas, mas não foi dessa vez, ainda, que Discovery matou um personagem do elenco principal. Entretanto, sua condição física e mental parece estar em estado crítico após o “último salto”. Era muito cedo para imaginar que Stamets e Culber teriam seu feliz para sempre e um bom descanso dessa vida desgastante a bordo da Discovery.

Michael Burnham mostrou, mais uma vez, porque é peça fundamental da Federação no embate com os Klingons. Além de possuir um conhecimento muito grande, fruto de sua educação na Academia Vulcana, a personagem possui grandes habilidades de luta e estratégia e tudo isso foi visto mais uma vez nesse episódio. Mas a teimosia é a característica da personagem que mais se destaca, seja negativa ou positivamente.

É claro que foi essa mesma teimosia e desobediência que levou à morte de Georgiou e ao início dessa guerra, mas é inegável que sem ela, será impossível vencer os Klingon. Michael não consegue deixar ninguém para trás e foi graças a isso que a almirante foi salva. Porque se dependesse de Tyler, a missão teria sido cumprida sem que objetivos alternativos fossem atingidos. A personagem mostrou, também, um senso de bem maior muito grande. Mesmo confiante de sua capacidade de luta, era evidente que, durante a luta contra Kol, a personagem estava mais preocupada no bem maior (conseguir reverter a tecnologia de camuflagem Klingon) do que com sua própria sobrevivência.

Falando do restante do episódio, uma teoria na internet defende que Tyler pode ser, na verdade, Voq (o Klingon exilado por Kol) camuflado como humano. Embora pareça, ainda, pouco provável, algumas pistas disso podem ser observadas. A última aparição de Voq aconteceu no quarto episódio (“The Butcher’s Knife Cares Not for the Lamb’s Cry“), enquanto Ash Tyler aparece, curiosamente, pela primeira vez no episódio seguinte (“Choose Your Pain“). Além disso, o humano tem relação íntima com L’Rell, que era próxima a Voq. Acho a teoria um pouco fraca, mas achei interessante comentar sobre ela.

Ainda sobre Tyler, os flashbacks mostraram o tamanho do sofrimento a que o personagem esteve sujeito durante seus mais de 200 dias sendo torturado. Pela primeira vez, foi mostrado que o personagem não está bem psicologicamente, e Michael pode ver isso de perto. É cedo para saber como isso vai afetar a relação entre os dois, mas uma coisa é certa: a ligação entre Tyler e L’Rell ainda vai ter muita história pela frente. Será possível o nascimento de um híbrido (meio humano, meio Klingon) fruto da relação abusiva entre os dois durante o cativeiro? Isso pode dar um twist nas relações entre as duas raças.

Por fim, vamos falar do final do episódio. Com Stamets usando quase que todas suas forças para garantir a vitória da Discovery, era esperado que alguma consequência não tão positiva viesse de tamanho esforço. E foi exatamente isso que aconteceu. A espaçonave está num ambiente completamente desconhecido e, potencialmente, perigoso. Há grande possibilidade deles terem cruzado o limite que separa um universo de outro, mostrando a existência dos universos paralelos em Star Trek, algo que pode ser visto em outras séries da franquia.

Mirrorverse (do inglês “universo espelho”) é um universo alternativo semelhante ao universo normal, com os mesmos personagens e lugares. Entretanto, a personalidade dos personagens é a história de exploração e conquista espacial é diferente. Os personagens tendem a ser mais agressivos e desconfiados e, ao invés de uma Terra mais pacífica e exploratória, o universo espelho mostra uma Terra mais militarista. No lugar da Federação dos Planetas Unidos, há um império que age sem piedade e utiliza-se de guerras e métodos não tão ortodoxos para expandir sua soberania.

A série entra em hiato e a segunda parte da primeira temporada retorna em 07 de janeiro de 2018. Até lá, continue acompanhando as notícias e novidades sobre a série aqui no Mix de Séries. E que todos tenham uma vida longa e próspera!

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Matheus Ronconi

Paulista, nerd, viciado em séries e fã do Rei Leão e do Homem-Aranha. No Mix escrevo sobre The Big Bang Theory e Star Trek: Discovery.

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