Star Trek: Sem Fronteiras prova que J.J. Abrams não faz a menor falta

STAR-TREK-BEYOND-620x350

Continua após publicidade

Star Trek: Sem Fronteiras é com certeza o melhor blockbuster do verão americano deste ano. Se Esquadrão Suicida, do diretor David Ayer, não conseguiu suprir as expectativas do público, o terceiro filme do recomeço da franquia de Star Trek não só surpreendeu como confirmou que um bom roteiro realmente faz a diferença.

Continua após a publicidade

O diretor Justin Lin, que substitui J. J. Abrams responsável pelos dois filmes anteriores, consegue atrelar perfeitamente uma espécie de “lapidação” dos personagens a cenas de ação bastante palpáveis. Além de se preocupar bastante com todo o aspecto gráfico do longa, desde os detalhes impecáveis da destruição da USS Enterprise até o visual dos personagens.

Continua após publicidade

star-trek-beyond-2-620x350Dessa vez a tripulação da Enterprise liderada pelo Capitão Kirk (Chris Pine), atendem ao pedido de socorro de uma alienígena misteriosa que diz ter perdido sua equipe em uma nebulosa misteriosa. Tudo não passa de uma armadilha e a nave é atacada. A partir daí a trupe é dividida em equipes menores e passam a enfrentar inimigos em um planeta desconhecido.

Com isso podemos acompanhar de forma mais intensa a luta de cada personagem. Claro que não houve tempo de trabalhar de forma igualitária cada núcleo, por isso é impossível não destacar a relação de Spock (Zachary Quinto) e McCoy (Karl Urban) que também tinham essa espécie de conexão na série original e era sempre regada de muita camaradagem e rivalidade ao mesmo tempo.

Continua após publicidade

Scott (Simon Pegg – que inclusive é o roteirista do filme) e Jaylah (Sofia Boutella) também tem uma dinâmica fantástica. A personagem foi um belíssimo acerto e ainda possui as melhores cenas de ação do filme. Destaque para quando ela usa uma espécie de “multiplicador” e cria cópias de si mesmo. É fantástico, meus amigos!

Sulu (John Cho), Uhura (Zoe Saldana) e Chekov (Anton Yelchin) ficam um pouco apagados. Destaque pelo toque sutil e perfeito de como a produção abordou a sexualidade de Sulu, mais uma vez provando que a franquia realmente se preocupa com a diversidade e mais uma forma de homenagear o ator George Takei que é gay e interpretou o personagem na série clássica.

Em Star Trek: Sem Fronteiras tudo é muito bem explicado e a trama é bem redonda, não deixando espaço para dúvidas ou para explicações muito complexas, diferente do sempre presente clima de mistério das produções do J.J. Chris Pine entrega o melhor Kirk dos três filmes, um líder nato que monta sua estratégia com ajuda da sua equipe. O personagem não tem muito espaço para dramas pessoais e funciona muito melhor do que nos longas anteriores.

star-trek-beyond-idris-elba-as-krallO vilão Krall (Idris Elba) é outro destaque do filme. Nem tanto pelo atuação de seu intérprete (que só funciona bem, mas não é tão boa assim) mas sim por suas artimanhas trabalhadas no roteiro, como o uso de armas biológicas e o estresse pós-traumático de soldados. Sem precisar repaginar um vilão antigo, como foi o caso de Khan no filme anterior, Star Trek: Sem Fronteiras tem os seus dois lados muito bem aperfeiçoados.

Outro destaque é a belíssima cena do clímax ao som de Sabotage dos Beastie Boys. O visual do enxame de abelhas se dissipando em pleno espaço sideral ao som das batidas frenéticas do rock são de arrepiar.

A história é simples e a trama segue com uma boa dose de ação sem perder de vista os personagens e dar eles o tratamento digno que merecem. Eu, um trekker de carteirinha, me senti assistindo um episódio da série clássica. Afinal era sempre assim: uma missão, alguns atrelamentos filosóficos e sociais, mas depois só ficávamos curtindo ver Kirk dar umas porradas em alguém.

Star Trek: Sem Fronteiras não precisou se apoiar em um grande suspense muito menos em infinitas referências ao passado para ser um filme divertido. Respeitou de forma honrosa a obra que deu origem a tudo, mas não teve medo de mudar e surpreender a todos.

Não fica claro se ainda teremos uma sequência, mas esse clima de série de TV que o filme tem mostra que podemos esperar algo de qualidade vindo do projeto da CBS. É notável o quão todo mundo está com gás para homenagear e estender o legado de Star Trek.

Vida longa e próspera a Star Trek!

Imagens: Forbes