Stay in the car, Chuck!

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Chuck é uma das séries mais gostosas de se assistir. Durante suas cinco temporadas, tivemos altos e baixos quanto a qualidade, mas nada que alterasse o status de série guilty pleasure de muita gente. Produzida por Josh Schwartz (Gossip Girl, The OC) e Chris Fedak, a série moveu multidões ao redor do globo em campanhas contra seu cancelamento, mostrando ser um sucesso de público, e que em pouco tempo trouxe um retorno para a NBC. Francamente, não perdi nenhum minuto da minha vida vendo os 91 episódios da série.

Chuck conta a história de Charles “Chuck” Bartowski (Zachary Levi), um gênio dos computadores frustrado na vida. Ele trabalha em um balcão de atendimento para problemas eletrônicos na Buy More. Apesar de ter estudado em Standford, foi traído por seu melhor amigo na faculdade, ocasionando sua expulsão da universidade. Desde então, ele trabalha sendo supervisor no estande da Nerd Herd dentro do Buy More.

Ao receber um e-mail encriptado de Bryce Larkin (Matt Bomer), o amigo que causou sua expulsão, que continha a última cópia que resta dos maiores segredos do mundo da espionagem, Chuck viu sua vida mudar completamente após a mensagem instalar todas as informações em seu cérebro, tornando-o um banco de dados humano das agências de segurança americana. Para não correr risco de vida, a NSA e a CIA enviaram seus melhores agentes para proteger Chuck e as informações. A NSA envia o Coronel John Casey (Adam Baldwin), um truculento e misterioso agente, porém muito gente boa, e a CIA envia Sarah Walker (Yvonne Strahovski), uma linda e talentosa agente secreta, cheia de recursos.

Seu piloto foi exibido em 24 de setembro de 2007, e atingiu cerca de 9,21 milhões, a maior audiência da série. De certa forma, esse número acabou sendo um bom presságio para uma temporada de arranque, com 13 episódios. Entretanto, as demais temporadas não seguiram a mesma linha de audiência, tendo quedas grandes até a temporada final. A NBC, emissora que exibiu a série, nunca deu confiança total que a série pudesse se estabelecer. Durante a sua segunda temporada, os fãs, tentando reverter um possível cancelamento, lançaram a campanha #SaveChuck. Em uma gama de ações que envolviam grandes movimentações em redes sociais como o Twitter até mesmo a compra de um sanduíche específico no Subway, patrocinador oficial da série. A movimentação surtiu efeito na emissora, que renovou a série para sua terceira temporada. Porém a campanha nunca terminou completamente, sempre com a intenção de mostrar para a emissora que os fãs continuam suportando a série. Porém, aqui no Brasil ela não teve um fandom tão pró-ativo. Sendo exibida em um horário controverso na TV aberta, a série não emplacou o sucesso de Smallville ou One Tree Hill no SBT, ficando na geladeira da emissora por muito tempo.

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Quando assisti o primeiro episódio, algo me intrigou no enredo. Acostumada com séries policiais, quando assisti a series premiere de Chuck, tive uma visão completamente procedural, com casos da semana indiferentes ao enredo. Mas me enganei redondamente. A série segue uma linearidade no roteiro, sempre buscando um plot quando o mesmo fica abafado pela importância dos episódios. Essa forma nova de enredo, com uma ação-comédia-drama bem dosada me arrebatou logo na primeira temporada. Durante a mesma, fomos apresentados aos personagens da série e como o Intersect, o supercomputador que está no cérebro de Chuck se comporta. Logo vimos que Chuck vai se meter em muita confusão por conta dos lampejos de memória que as informações traçam em seu cérebro (o que ele chama de flash). Ao longo da série, tivemos importantes interações do passado de Chuck, como a aparição de Stephen Bartowski (Scott Bakula), pai de Chuck que sumiu durante muito tempo; e Mary Elizabeth Bartowski, mãe de Chuck, que tinha sido dada como morta. A terceira e quarta temporadas foram o auge da série, com Chuck virando um espião ficando junto com Sarah e lutando contra o mal. A descoberta de um vilão, e as consequências do embate entre as duas forças conseguiram dar um um de qualidade que estava perdida na segunda temporada.

 

“Chuck, did you just flash?”

 

A escolha dos atores para os personagens foi primordial para se ter personificado o enredo da série. Zachary Levi, com seu tom de humor nerd entrou perfeitamente no papel de Chuck, sem pensar em qualquer outro ator para o papel. Adam Baldwin também foi escolhido a dedo. Seus personagens parrudos, como Jayne Cobb, de Firefly, lhe deram uma vantagem para interpretar John Casey, um mal-humorado agente do NSA. A novata Yvonne Strahovski foi escolhida pelos criadores e veio direto da Austrália, sua terra natal, brilhar no papel da linda e perigosa Sarah Walker. Aliás, a química dos três atores é vista de longe já nos primeiros episódios da série. O tom de comédia dado por Levi se une à beleza e boa atuação de Yvonne e aos tons de ação que Baldwin invoca, fechando um hat-trick perfeito para o sucesso da série.

O elenco da série teve poucas mudanças. As participações de Scott Bakula, Linda Hamilton e Brandon Routh foram as únicas que realmente foram impactantes para a série. Alguns personagens recorrentes apareciam, mas a base da série, com Zachary Levi, Yvonne Strahovski, Adam Baldwin, Joshua Gomez, Sarah Lancaster, Ryan McPartlin, Mark Christopher Lawrence, Scott Krinsky, Vik Sahay e Bonita Friedericy foi mantida por todas as cinco temporadas exibidas.

Em 27 de janeiro de 2012, o último episódio da série, intitulado “Chuck Versus the Goodbye” foi exibido, encerrando um legado interessante nas séries do gênero. Com um desenrolar impressionante na quinta temporada, Sarah acaba em apuros, e Chuck, que já não tinha o Intersect mais consigo, faz o download da última cópia do supercomputador, salvando o dia, mas não conseguindo salvar Sarah de uma longa e grande recuperação.

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Chuck jamais vai se encaixar em apenas drama ou apenas comédia. A criação de Josh Schwartz e Chris Fedak conseguiu trazer leveza e drama na medida certa para a nossa televisão. E mesmo tanto tempo depois de seu encerramento, a série continua levando fãs a painéis especiais na San Diego Comic Con, o maior reduto de nerds nos Estados Unidos. Zachary Levi, inclusive, faz painéis com atores da série anualmente na feira, em benefício de crianças com fissura palatina e lábio leporino.

Apesar de encerrar com apenas 13 episódios em sua última temporada, Chuck encerrou com um final dúbio, que poderia muito bem dar em um filme ou acabando por ali, deixando um gosto de quero mais. Por mais que a audiência não tenha agradado a emissora, a confiança dos fãs na série foi o fator decisivo para que ela fosse um carro chefe da emissora na San Diego Comic Con. Jamais olharei qualquer outra produção que fale de espiões e supercomputadores de outra forma a não ser escutando Short Skirt/Long Jacket e escutando a incessante frase dita por Sarah e Casey durante os cinco anos da série: STAY IN THE CAR, CHUCK!

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Ana Maria de Oliveira

Ana Maria de Oliveira

Jornalista e uma decepção como digital influencer e youtuber. Desde 1993 sendo trouxa e shippando quem não deve. Aqui no Mix de Séries é editora e tradutora de notícias e escreve reviews de The Last Ship e The Rookie.

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