Stranger Things – 1×02 – Chapter Two: The Weirdo on Maple Street

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Imagem: Arquivo pessoal

Uma das melhores coisas em uma série é quando os roteiristas conseguem desenvolver todos os personagens principais e seus núcleos de forma equilibrada. Um dos grandes problemas de histórias com diversos nomes e subtramas é que muitas vezes uma e outra não é desenvolvida da maneira devida. Temos, geralmente, o núcleo central do protagonista bem definido e os coadjuvantes penando para conseguir espaço. Game of Thrones, por exemplo, sabe trabalhar bem com a infinidade de personagens e ambientes, e mesmo assim sofre e erra a mão em alguns casos, esquecendo peças importantes do jogo por vários episódios. Com vários personagens encarando, cada um, seu drama pessoal, a audiência pode se dividir e ver um pouco de si mesmo em cada rosto.

Stranger Things não tem a quantidade absurda de personagens que Thrones ou Lost, por exemplo, mas merece créditos por construir suas tramas de maneira cuidadosa. Sabe aquela série em que todos são protagonistas e coadjuvantes ao mesmo tempo? Pois Stranger é assim. American Crime Story é outro exemplo recente de programa com uma galeria vasta de nomes em que todos tinham praticamente o mesmo espaço. É errado, portanto, presumir que Winona Ryder seja a protagonista da série, por David Harbour também rouba a cena. Mais do que a dupla central de adultos, ainda temos um fantástico elenco mirim que surpreende pelo talento e completo domínio. Um dos maiores atributos de um ator é a naturalidade, e as crianças de ST são absolutamente naturais, além de terem uma química quase palpável entre si.

Dustin, por exemplo, merece uma série só dele. Engraçado e desenvolto, ator e personagem lembram os bons alívios cômicos de obras-primas como Conta Comigo e Os Goonies. Lucas parece o único realista do grupo, e a segurança passada pelo pequeno ator é notável. Por fim ainda temos os virtuais protagonistas Mike e Eleven. Esta, aliás, já garantiu um bom futuro no cinema e na TV logo nos dois primeiro episódios, sem falar uma frase sequer. A atriz, Millie Bobby Brown, já encarnara uma pequena atormentada em Intruders, suspense bacana da BBC America. Em Stranger Things, contudo, Brown se mostra muito mais contida e segura de seu papel do que em seu outro trabalho.

O grande barato desse quarteto é que ele não deve nada aos amáveis companheiros de ET, Os Goonies, Conta Comigo, e tantos outros que trouxeram grupos de crianças e adolescentes no centro da história. Os atores são talentosos e os personagens bem escritos e carismáticos. Algo que ST não pega de algumas de suas fontes, contudo, é a ausência ou a visão negativa com relação aos adultos. À exceção dos vilões, claro, os adultos do elenco são pessoas normais, passando por dificuldades ou novas etapas da vida. Os homens e mulheres não são uma ameaça, tampouco elementos descartáveis.

É bem verdade que este segundo capítulo não teve o mesmo impacto ou qualidade do primeiro, mas serviu para firmar Stranger como uma estreia imperdível. Os clichês são inúmeros e constantes, mas como comentado na última review, os irmãos Duffer, criadores do projeto, sabem como usar esses clichês e os usam conscientemente. Clichês aqui são homenagens e servem à trama, o que outro feito elogiável da série. O melhor do episódio talvez seja a revelação de alguns detalhes sobre o passado de Eleven, principalmente o fato de que o Dr. Brenner (Matthew Modine) é, aparentemente, seu pai. Aos poucos vamos nos aprofundando nesse mistério envolvendo o governo (ou seria uma organização à parte?) e criaturas de outro mundo – ou seriam de outra dimensão?

Coisas Estranhas 1: O climão “anos 80” segue firme e belo, amparado por uma fotografia impecável. Spielberg deve estar orgulhoso.
Coisas Estranhas 2: A partir de agora, em todas as reviews, selecionarei uma música para ilustrar o texto. A canção, é claro, deve ter tocado no episódio em questão. Como não inseri nenhuma na crítica do primeiro capítulo, colocarei duas músicas do post de hoje.

A primeira é White Rabbit”, da Jefferson Airplane. Essa joia toca no piloto, na cena em que o dono do restaurante é assassinado pela organização secreta. A composição já foi usada em vários filmes e série, mas aqui caiu como uma luva.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=XR8LFNUr3vw[/youtube]

A segunda é a clássica Should I Stay or Should I Go”, da The Clash. É outra que combina perfeitamente com o clima da série.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=cLQJVKP3YlM[/youtube]

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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