Stranger Things – 1×03 – Chapter Three: Holly, Jolly

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Imagem: Arquivo pessoal

Stranger Things segue com sua ambientação impecável e parece estar disposta a abraçar seus absurdos sem medos. Tudo caminha cada vez mais longe da ideia de alienígenas. Sendo uma homenagem aos anos 80, com grande enfoque na obra de Steven Spielberg, o primeiro pensamento lógico era que a ameaça da série eram extraterrestres. As coisas estão andando mais próximas de universos paralelos e outras dimensões. E aqui volto a salientar o nome de Stephen King como uma das maiores e melhores influências da série. Tanto a ambientação quanto o suspense acentuado são muito semelhantes aos que o escritor está acostumado a imprimir em suas histórias. Vale apontar, inclusive, que o autor já se manifestou sobre a série em seu Twitter, e seus apontamentos são alguns dos mais retweetados recentemente. O povo já percebeu a semelhança e está compartilhando o que o mestre falou.

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Este terceiro episódio funciona melhor que o segundo e é tão bom quanto o primeiro por um simples fato: dá tempo e espaço para alguns de seus melhores personagens. A começar por Winona Ryder. Minha paixão secreta desde que me conquistara há anos com Edward Mãos de Tesoura, a atriz andou os últimos anos ou sumida ou presa a papeis que não eram justos nem com sua beleza e muito menos com seu talento. É claro que, em Stranger Things, Ryder está longe de encarnar os tipos sexy que vivera no passado, mas sua performance impecável está lá. Diria, aliás, que seu papel em ST é um dos melhores de sua carreira, capaz, inclusive, de levá-la de volta aos holofotes do cinemão hollywoodiano.

Além dela, o roteiro aproveita para dar mais espaço para os amigos Dustin e Lucas. E não me canso de elogiar essas crianças. Algumas vezes ocorrem casos de elencos perfeitamente escolhidos. É o caso de Stranger Things. Quem quer que tenha achado esse grupo, merece um prêmio. Daqui pra frente, todos os roteiristas que pensarem em não trabalhar com crianças, vão pensar duas vezes. É possível ver um futuro brilhante para cada um deles e será realmente interessante vê-los crescer conforme a série avança.

Um núcleo que precisa ser levado com cuidado é o dos adolescentes. A série inteira brinca com clichês, mas tem controle sobre isso. Com os adolescentes, contudo, a atenção precisa ser redobrada. Isso porque Stevie e sua turma, novos amigos de Nancy, são o cúmulo do estereótipo, e isso pode se virar contra a série. O ponto é que todos os personagens são, em menor ou maior grau, compostos por clichês. A diferença é que enquanto alguns possuem diversas camadas e são complexos, Stevie e sua gangue são rasos. O namoradinho de Nancy, por exemplo, é só um valentão atleta interessado em sexo. Seria interessante que algo mais fosse dito sobre ele.

Não posso deixar de citar as referências a Contatos Imediatos de 3º Grau, um dos clássicos de Spielberg. Uma delas é quando a irmã caçula de Mike e Nancy entra no quarto de Joyce e as lâmpadas piscam em um ritmo preciso, assim como as luzes no clássico setentista. Vale lembrar que os personagens no filme se comunicavam com os extraterrestres através dessas luzes e de sons, o que também ocorre em Stranger Things. Além disso, a garotinha parada frente a parede do quarto lembra e muito o garotinho do filme que também encarava o desconhecido.

O capítulo termina com a descoberta do corpo de Will. Ou ao menos é o que parece. Já não acredito que o Dr. Branner seja realmente “pai” de Eleven, e tampouco acredito que Will esteja morto. Para completar o desfecho surpreendente e emocionante, ainda temos outro grande momento musical da série: um cover lindo de Heroes, aquele classicão de Bowie. O vídeo da música, cantada aqui por Peter Gabriel, segue abaixo:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=LsvuipGq2ns[/youtube]

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

1 comment

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  1. Anderson Narciso
    Anderson Narciso 18 julho, 2016 at 21:25 Responder

    Muito bom episódio. Concordo que Winona está se superando. Acho que esse episódio, até agora, foi o que mais deu espaço pra seus personagens. A vibe anos 80 é muito intensa… Que nostalgico aquele comercial da Coca.

    Cada vez mais curioso pela “11”, e intrigado pelo o que possa ser esta ameaça. Aliens descartados. Espíritos? Muito menos. Bizarro mesmo…

    E o final, broken heart. Espero que não seja o corpo de Will, que se comunicou nessa belíssima cena da Winona e as luzes…

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