Stranger Things – 1×04 – Chapter Four: The Body

strangerthings4

Imagem: Arquivo pessoal

O Corpo, conto escrito por Stephen King e publicado na antologia Quatro Estações, foi adaptado ao cinema por Rob Reiner com o título Stand By Me, conhecido por Conta Comigo no Brasil. Virou clássico. Um dos mais reprisados da Sessão da Tarde, Conta Comigo está no mesmo patamar que Os Goonies e ET. Como um de meus filmes favoritos, arrisco em categorizá-lo como um dos melhores – talvez o melhor – da década de oitenta. Na história, quatro garotos fogem de casa e, juntos, percorrem quilômetros para encontrar o corpo de um menino que morrera atropelado por um trem. É uma das mais belas e catárticas histórias de crescimento que a literatura e o cinema já produziram. Se em ET o pequeno Elliot crescia e se tornava outra pessoa com a visita do extraterrestre bonzinho, os meninos de Conta Comigo crescem de forma mais triste e dura, com o surgimento do corpo de uma criança, tão jovem quanto eles. Além de ser uma trama sobre crescimento, é sobre amizade, finitude, família, luto e amor. Algo que só Stephen King seria capaz de tratar com tanto talento.

Stranger Things divide algumas destas características com Conta Comigo. O cerne, na verdade, é muito semelhante. Neste quarto capítulo, The Body (uma referência direta, talvez), a família e os amigos de Will tentam lidar com a notícia da morte do garoto. O mais interessante é que os meninos, amigos fieis do desaparecido, seguem em sua busca, como se soubessem que Will não morreu. Segue à procura do corpo, à procura de Will, vivo ou morto. No caminho há o crescimento inexorável da jornada, amizade, finitude, etc. Se podemos ver a mudança nos garotos de Stand By Me em pouco mais de noventa minutos, imagine o que Stranger Things pode fazer em oito horas, duas ou cinco temporadas…

Continua após a publicidade

O quarto capítulo reafirma uma das melhores características da série: os roteiristas não estão interessados em enrolar o público por muito tempo e nem abraçar um mistério mais do que o necessário. Assim, além de descobrirmos a verdade acerca o suposto corpo de Will, ainda temos mais algumas pistas sobre as criaturas e de onde elas vêm. Tem ficado cada vez mais claro que estamos acompanhando uma história sobre dimensões paralelas. E isso é fantástico! Além de ser um tema excelente, poderemos ter diversas ideias circulando daqui para frente. Na outra dimensão existem versões de nós mesmos? Trata-se de um universo completamente distinto?

Tudo isso lembra outro conto de King: O Nevoeiro. No conto e no filme (uma obra-prima de Frank Darabont), tudo indica que um experimento do governo abriu uma fenda entre a nossa e outra dimensão. De lá, criaturas monstruosas saíram, acompanhadas de um denso nevoeiro. ST parece caminhar por aí: ao que podemos ver, a organização secreta ou abriu um portal intencionalmente ou descobriu algum já aberto. De todo modo, não vejo a hora de visitar a tal dimensão, e de ver a série apostando nas histórias mais loucas envolvendo dimensões paralelas e universos alternativos.

Quem está cada vez melhor é Winona Ryder. Ganhando cada vez mais espaço, a atriz emociona e nos faz torcer por ela. Tão bem quanto está David Harbour, abraçando com determinação sua posição como protagonista e herói da trama. Do ponto de vista técnico, vale apontar a direção de Shawn Levy (Gigantes de Aço, Uma Noite no Museu). Mais contido do que os irmãos Duffer, Levy não chama muita atenção para si, mas respeita o visual estabelecido pelos criadores/diretores nos dois primeiros capítulos. Repare como a câmera raramente para, estando sempre em movimento, seja para frente, atrás ou para os lados. A abordagem dá uma dinamismo às sequências e ainda destacam a impecável ambientação oitentista. Para completar, a trilha sonora (original e adaptada) segue irretocável.

Como de hábito, aí vai a “Música do episódio/review“. Trata-se de Atmosphere, da Joy Division:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=1EdUjlawLJM[/youtube]

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

No comments

Add yours