Stranger Things – 1×05 – Chapter Five: The Flea and the Acrobat

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Imagem: Arquivo pessoal

Parece oficial: estamos falando sobre portais para outras dimensões. Ao que podemos ver logo no início e, depois, na explicação do professor dos meninos, Stranger Things é realmente sobre este e outro mundo, separados por um sinistro portal. Como você deve saber contudo, a graça não é descobrir um portal para outra dimensão/realidade, mas cruzar tal portal. Foi assim em Fringe, por exemplo, e em todos os projetos semelhantes. O grande barato de uma história envolvendo esse tipo de ideia é trabalhar com os dois lados e como passar de uma ponta à outra. Somos o acrobata, mas queremos ser a pulga.

A historinha contada para explicar os universos e como atravessar deste para o outro lado é interessante. Simples, serve para esclarecer as novidades tanto para os personagens quanto para o público. Stranger Things, aliás, merece elogios para os diálogos expositivos que não soam forçados. É uma falha grave de diversos filmes e séries, principalmente de ficção, explicar coisas em demasia, ou então subestimar a inteligência da audiência. ST explica o necessário e, quando o faz, de forma orgânica.

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Algo que vale apontar é a inteligência dos garotos. Independentes dos adultos, as crianças recorrem aos mais velhos apenas em último caso e nunca contando o verdadeiro propósito de suas perguntas. Assim, é ótimo ver Dustin (reafirmo: o melhor personagem) chegando às suas próprias conclusões acerca dos problemas das bússolas. Além disso, a rapidez com que a trama avança é elogiável. Comentei anteriormente, mas é realmente interessante o modo como os irmãos Duffer e seus roteiristas tocam a trama adiante, sem ficar muito tempo em um só lugar ou ideia. Na maioria dos casos isso é ótimo, mas em outros acaba soando anticlimático. O tempo de Hopper na instalação secreta é muito curto. Embora o desfecho seja interessante (ele acorda diretamente em casa), seria positivo ver o personagem caminhando e conhecendo mais sobre o misterioso lugar.

Um núcleo que tem agradado é o dos adolescentes Nancy e Jonathan. Embora alguns possam encarar os personagens e suas peripécias com má vontade, a dupla tem tido bons momentos na série até agora. A caminhada noturna pela floresta, por exemplo, evoca os melhores horrores oitentistas. Não há nada mais Evil Dead do que uma caminhada solitária entre árvores seculares e folhas caídas. A coisa também vai bem entre os adultos. Depois de ganhar espaço, Winona e Joyce saem um pouco de cena, deixando que Harbour e Hopper possam mergulhar em neurose. Depois de ser agredido e levado para casa, o xerife acha uma escuta e fica cada vez mais decidido a descobrir as respostas por trás do mistério. Quase tão esperto quanto os moleques.

Depois de uma sequência de episódios impecáveis, ST dá uma relaxada, entregando um capítulo igualmente bom, mas mais contido. É hora de ajeitar a casa para os episódios finais. Se seguirem com a mesma intensidade da primeira metade da temporada, teremos definitivamente uma das melhores estreias da Netflix ever. Dúvida? Acha que não? Então você não está vendo a mesma série que eu.

Como sempre, segue a música do episódio. Desta vez, trata-se de Nocturnal Me – Echo & Bunnymen:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=jVR5t8f53rI[/youtube]

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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