Stranger Things – 1×06 – Chapter Six: The Monster

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Imagem: HitFix

Já deu para perceber que os roteiristas de Stranger Things gostam de brincar com os títulos de seus episódios. Uma referência a um clássico aqui, outra metáfora ali, etc. “The Monster”, sexto capítulo da temporada, vai neste caminho. Desta vez, contudo, a brincadeira é interna: o “monstro” do título seria a criatura do “mundo invertido”? Ou então seria Eleven, que já fora tratada como “monstro” anteriormente? Ao que podemos ver no fim do episódio, o título realmente se referia à garota com superpoderes. Até porque a visita de Nancy ao outro lado é um tanto decepcionante. ST aposta novamente nas resoluções rápidas, e não permite que a jovem fique muito tempo em “upside down”. Podemos perdoar o roteiro por um simples fato: é muito provável que visitemos a outra dimensão nos últimos capítulos, então não seria produtivo explorar aquele universo antes do clímax, resguardando, assim, a surpresa. Ainda assim, Nancy poderia ter passado uns minutos a mais conhecendo o ambiente.

O romance de Jonathan e Nancy, óbvio desde o primeiro minuto, começa a florescer. E é realmente interessante vê-los descobrindo coisas importantes sobre os mistérios que os envolvem. Aos invés de deixar as descobertas apenas com as crianças ou com os adultos, todos os personagens acabam chegando a conclusões diferentes, fazendo com que a trama avance e todos participem do quadro geral. Essa abordagem, aliás, é uma das melhores coisas do roteiro de ST. Comentei em outras reviews a excelente maneira que Stranger acha para distribuir o tempo e o espaço dos personagens de forma igualitária. É ainda melhor, portanto, ver todos seguindo suas próprias investigações, agregando informações à histórias.

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A grande teoria da dupla de adolescentes é que as criaturas da outra dimensão são atraídos ao nosso mundo pelo sangue, assim como tubarões. Sacou a referência? Assim como monstruoso tubarão branco criado por Steven Spielberg em Tubarão, as criaturas do “upside down” conseguem detectar uma pequena gota de sangue em um vasto território e a uma distância absurda. A teoria já faz com que os dois pensem em uma forma de atrair os vizinhos da outra dimensão, algo que devemos ver em breve. A questão do sangue levanta algumas dúvidas: a “parede” entre o nosso e o outro mundo é mais frágil naquela região? As criaturas podem transitar entre uma dimensão e outra em qualquer parte do mundo? As criaturas sempre aparecem quando há sangue, mesmo que seja apenas uma gota? Isso faria com que eles nos visitassem muito mais do que pensamos.

Os adultos também seguem em suas investigações, e as descobertas são tão importantes quanto as outras. Joyce e Hopper encontram a família de Eleven, cujo nome verdadeiro é Jane. A conversa entre eles e a mãe da garota confirmam algumas suspeitas: os experimentos são muito maiores e mais antigos do que parecem. Jane/Eleven, aliás, é fruto dessa enorme rede de intrigas. Além de descobrirmos um pouco sobre a origem da menina, bem como os experimentos, a investigação de Joyce e Hopper acaba ligando os pontos que irão reunir todos os personagens e linhas investigativas no final.

Para encerrar, ainda temos Lucas em sua busca solitária por Will, além de Mike e Dustin procurando por Eleven. Sobre Lucas, não podemos culpá-lo pela sua revolta. Ele sempre foi o mais sensato do grupo. Embora, como espectadores, sempre optemos por ficar do lado da aventura, é impossível negar que Lucas muitas vezes foi a voz da razão da gangue. Depois de ser atacado por Eleven, ainda que não fosse intenção da garota, Lucas decide seguir em sua própria jornada. É com a dupla Mike e Dustin, contudo, que a melhor parte acontece. E a cena dos valentões contra os mocinhos, que são salvos na última hora por alguém especial, é clássica. Aqui vale emocionar tanto os efeitos visuais na cena do salto quanto a carga emocional construída na sequência. Mais um ponto para o brilhante elenco mirim, que surpreende a cada novo episódio.

Faltam dois capítulos para o fim, e se por um lado eu gostaria de mais episódios, por outro, acredito que oito são suficientes. Isso porque Stranger Things tem se desenvolvido rapidamente e não houve momento ruim até agora. A regularidade da série até aqui, inclusive, é elogiável. Os irmãos Duffer, ainda novatos no meio (seja cinematográfico ou televisivo), têm total controle sobre sua criação, e é de se admirar, também, o fato de que os dois dirigiram seis dois oito capítulos da primeira temporada. Serviço de primeira!

Coisas Estranhas 1: É notável a forma como os Duffer nos mostram a origem do portal para a outra dimensão sem tornar a cena explícita ou forçada. Trata-se de um momento rápido, e ao que tudo indica foram os poderes descontrolados de Eleven que abriram uma fissura entre o nosso mundo e o deles.
Coisas Estranhas 2: No momento musical de hoje, “Sunglasses at Night”, de Corey Heart. Caso você não conheça a música, repare na introdução e veja como a trilha sonora original da série fez um ótimo trabalho ao se basear na onda rock/eletrônica oitentista.

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Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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