Stranger Things – 1×07 – Chapter Seven: The Bathtub

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Imagem: Arquivo pessoal

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Como não amar um episódio, e consequentemente a série, que começa com uma emocionante perseguição em que os fugitivos são crianças em bicicletas, ao melhor estilo ET? A sequência dos pequenos atalhando, cortando caminhos e correndo pelas ruas da cidade é excelente. Para coroar o momento, Eleven ainda evoca seu lado X-Men e faz uma van voar perante os olhos incrédulos dos amigos. Confesso que torci para que os moleques começassem a voar em suas bicicletas, escancarando ainda mais a referência a Spielberg.

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Mesmo sem bikes voadoras, toda a sequência é fantástica e muito bem orquestrada pelos irmãos Duffer. Tudo culmina em um momento intimista entre a gangue, e o retorno o mantra da série: “amigos não mentem”. O cuidado dos Duffer para com os detalhes e homenagens é louvável. É curioso descobrir, portanto, que os irmãos – que são gêmeos, aliás – não cresceram, de fato, na década de 80. Nascidos em 84, os caras cresceram mesmo na década de 90, mas sempre assistindo os estabelecidos clássicos dos anos anteriores.

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Em entrevistas recentes, a dupla revela que eram crianças normais do subúrbio, crescendo na Carolina do Norte, jogando muito RPG, lendo muita ficção e Stephen King e assistindo muita coisa bacana. Todo esse carinho com a cultura oitentista está impresso em cada frame de Stranger Things, seja em uma fala, um pôster na parede ou até mesmo em um acessório, como a bandana que Lucas usa na cabeça e remete a Os Goonies.

Mas se as crianças estão indo bem na escapada, os adultos começam a sofrer nas mãos do sujeito que Stephen King chamou de Homem Mal de Cabelos Brancos. Querendo descobrir o paradeiro de Eleven e o que os garotos sabem sobre os experimentos, Dr. Branner não poupa esforços e até mesmo vidas para conseguir o que quer. E Matthew Modine, outra estrela dos anos 80, tem feito um excelente trabalho, embora merecesse mais tempo em tela.

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No núcleo dos adolescentes, mais um ponto positivo: em uma de minhas reviews anteriores, comentei que Stevie precisava crescer como personagem. Isto porque o rapaz era tratado no roteiro como um mero valentão, não tendo muita profundidade. Salientei, inclusive, que Stranger Things utilizava inúmeros clichês, mas que isso não significava superficialidade de seus personagens.

Pois neste penúltimo capítulo o jovem parece enveredar para um lado positivo. Depois de provar-se um babaca em episódios anteriores, Stevie parece arrependido, e começa a mostrar outra faceta. É clichê? Sem dúvida. Redenção de valentões é outra característica dos idos de 80, mas ainda assim é um desenvolvimento, um aprofundamento das características do personagem. E isso sempre é válido.

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O melhor de tudo, talvez, seja a esperada reunião de todos os personagens principais. Depois de juntar os últimos pontos de um mistério que começa a se esclarecer, Hopper finalmente consegue contato com as crianças e Joyce enfim pode ver um fiapo de esperança no horizonte. E por falar nela, é linda a relação que a mãe de Will logo estabelece com Eleven. Toda a dinâmica entre as duas não só é emocionante como lógica. Joyce precisa de seu filho e Eleven precisa de uma figura materna, alguém para amar e receber amor de volta.

Assim, a poderosa menina decide ir ao Upside Down por conta própria, visando encontrar Will. E a sequência é visualmente deslumbrante. E é impossível não relembrar Sob a Pele novamente, principalmente quando Eleven caminha em uma superfície absurdamente negra e líquida. O lugar que a menina acessa aparentemente não é Upside Down literalmente. Já vimos que a outra dimensão é semelhante a nossa, e não um imenso vazio negro como o ambiente que Eleven acessa. De todo modo, a garota encontra Will e o conforta, afirmando que sua mãe está indo buscá-lo.

Como sempre, o episódio termina com um ótimo gancho que deixa diversas possibilidades no ar. Será que visitaremos o outro lado definitivamente? Será que Will voltará para casa? Enquanto os adultos seguem em uma jornada, os adolescentes se arriscam em outra, enquanto as crianças esperam para ver o que pode acontecer. Todos separados novamente. Todos em perigo.

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Coisas Estranhas 1: O Enigma de Outro Mundo é novamente referenciado. Desta vez, uma cena do filme aparece na TV, enquanto os efeitos práticos são elogiados em uma fala que é, também, uma carta de amor aberta ao modo como se faziam filme antigamente: com raça, coragem, borracha e chiclete.

Coisas Estranhas 2: Alguém na internet – não lembro quem – comentou que o Homem Mal de Cabelos Brancos lembra David Cronenberg. Grande sacada. A referência agora parece óbvia, visto que o diretor é outro grande nome da produção de ficção, horror e piração da época.

Coisas Estranhas 3: A música de hoje é “Fields of Coral”, do mestre Vangelis. Escute e me diga: tem coisa mais Stranger Things do que isso?

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