O encerramento de Stranger Things encontrou na música a forma mais simbólica de fechar o ciclo iniciado quase uma década atrás. Nos créditos do último episódio da série, a escolha de “Heroes”, de David Bowie, não é apenas emocionante, mas profundamente significativa.
Trata-se de um eco direto da primeira temporada, quando a mesma canção — reinterpretada por Peter Gabriel — marcou um dos momentos mais dolorosos e definidores da história.
Na 1ª Temporada de Stranger Things, “Heroes” surge de maneira contida, quase fúnebre, acompanhando a descoberta do suposto corpo de Will Byers na água. A cena é devastadora. Enquanto os jovens de Hawkins encaram a perda em silêncio, a câmera encontra Joyce abraçando Jonathan diante dos faróis do carro, um quadro de dor, incredulidade e luto.
A versão de Peter Gabriel desacelera a música, retira seu caráter épico e a transforma em um lamento, sublinhando a sensação de que aquele mundo inocente havia se quebrado para sempre.
Um retorno às origens de Stranger Things – e um novo significado
Ao retomar “Heroes” no episódio final, agora na voz original de David Bowie, Stranger Things fecha um círculo narrativo e emocional. Se na primeira temporada a música representava a perda, o medo e o começo de uma jornada traumática, nos créditos finais ela soa como redenção.
A versão de Bowie carrega força, esperança e uma melancolia mais luminosa, sugerindo que, apesar de tudo, aqueles personagens conseguiram resistir, lutar e sobreviver.
A escolha não é aleatória. “Heroes” sempre falou sobre pessoas comuns que, mesmo por um instante, conseguem ser heroicas. É exatamente isso que Stranger Things sempre contou: a história de crianças, adolescentes e adultos imperfeitos que enfrentaram o impossível.
Ao levar a canção do luto ao encerramento, a série transforma dor em memória e sofrimento em legado, oferecendo uma despedida à altura de tudo o que Hawkins representou.