Depois de quase uma década acompanhando os mistérios de Hawkins, a 5ª temporada de Stranger Things chegou cercada de expectativa, promessas grandiosas e a responsabilidade de encerrar uma das séries mais populares da história da Netflix.
O problema é que, apesar de momentos pontuais emocionantes, o resultado final ficou aquém do que os fãs esperavam. Não foi um desastre completo, mas foi uma despedida irregular, excessivamente explicativa e, em muitos momentos, frustrante.
Excesso de explicações em Stranger Things matou o ritmo da temporada
Uma das críticas mais recorrentes à temporada final é o abuso da exposição. Stranger Things 5 parecia mais preocupada em explicar tudo do que em fazer o público sentir. Longos diálogos repetiam informações que o espectador já havia compreendido ao longo dos anos, transformando episódios inteiros em verdadeiras aulas teóricas sobre o Mundo Invertido.
O caso mais emblemático é o episódio 7, “The Bridge”, que acabou se tornando o pior avaliado da série no IMDb. Mesmo trazendo respostas definitivas sobre a origem do Upside Down, o episódio sacrificou tensão, ação e emoção em favor de explicações didáticas. Para muitos fãs, a sensação era de estar assistindo a um resumo comentado da própria série, não a um capítulo decisivo de uma história que caminhava para o fim.

Personagens queridos ficaram em segundo plano
Outro erro difícil de ignorar foi a forma como personagens centrais foram subaproveitados. Em uma temporada final, o esperado era que todos tivessem momentos marcantes de despedida. Não foi o que aconteceu.
Joyce, por exemplo, passou boa parte da temporada reagindo aos acontecimentos em vez de conduzi-los, algo bem distante da personagem ativa e intensa que marcou as primeiras temporadas. Steve, Hopper e Lucas também sofreram com arcos pouco desenvolvidos, aparecendo mais como peças de apoio do que protagonistas de fato.
Enquanto isso, novos personagens e figuras secundárias ganharam destaque excessivo. Holly teve uma participação relevante e até interessante, mas isso custou tempo precioso que poderia ter sido dedicado aos personagens que o público acompanhou por anos. Em uma despedida, isso pesa.
Promessas de impacto que não se cumpriram

A divulgação da temporada vendeu a ideia de perdas irreversíveis e consequências devastadoras. A expectativa de mortes importantes pairava sobre todos os episódios. No entanto, a série hesitou em ir até o fim com suas próprias decisões.
O confronto final contra o Mind Flayer, aguardado desde a primeira temporada, impressiona visualmente, mas termina rápido demais e com uma resolução considerada fácil por muitos fãs. A presença militar, construída como uma grande ameaça, se mostrou pouco relevante, servindo basicamente como gatilho para a morte de Kali.
O maior exemplo dessa indecisão está no destino de Eleven. A série flerta com sua morte, recua, deixa tudo em aberto e encerra sua jornada de forma ambígua. Para parte do público, isso soou como covardia narrativa: em vez de assumir um final trágico ou esperançoso, a série escolheu não escolher.
Um final impossível, mas ainda assim decepcionante
Encerrar Stranger Things nunca seria simples. As expectativas eram altas demais, o carinho do público era imenso e qualquer decisão dividiria opiniões. Ainda assim, a 5ª temporada parece ter se perdido tentando agradar a todos.
O episódio final, “The Rightside Up”, entrega momentos emocionais genuínos, como o último jogo de Dungeons & Dragons e o salto temporal mostrando o futuro dos personagens. Mas esses acertos não apagam a sensação de que a série passou mais tempo se explicando do que se despedindo.
No fim, Stranger Things 5 não destrói o legado da série, mas também não o engrandece. É uma temporada que acerta em sentimentos pontuais, erra no ritmo, falha no foco e deixa a impressão de que Hawkins merecia uma despedida mais corajosa. Para muitos fãs, o adeus foi correto… mas longe de inesquecível.