A relação entre Stranger Things e o universo de Stephen King nunca foi segredo, mas poucos sabem que a origem da série está diretamente ligada ao desejo dos irmãos Matt e Ross Duffer de adaptar IT: A Coisa.
Antes mesmo de sonharem com Hawkins, Demogorgons e o Mundo Invertido, os criadores tentaram convencer a Warner Bros. a deixá-los dirigir uma nova versão cinematográfica do clássico de terror. A resposta negativa do estúdio não só mudou os rumos da carreira dos dois, como acabou dando vida a um dos maiores fenômenos da Netflix.
O projeto recusado que deu origem a um sucesso mundial
Os Duffer Brothers já haviam chamado a atenção de Hollywood com seu primeiro roteiro, disputado em um leilão de estúdios. Empolgados com a possibilidade de dirigir IT, eles se candidataram ao cargo quando o estúdio começou a planejar uma nova adaptação.
No entanto, a Warner considerou a dupla “não testada” demais para assumir um filme dessa escala. A vaga acabou indo para Cary Fukunaga, então celebrado por seu trabalho em True Detective. Enquanto observavam o projeto de longe, os irmãos começaram a discutir uma pergunta essencial: como adaptar uma história tão densa em apenas duas horas de filme?
A visão que acabou moldando Stranger Things

Durante essas conversas, os Duffers chegaram a uma conclusão que mudaria tudo: IT seria mais fiel ao espírito do livro se fosse transformado em uma minissérie de oito ou dez horas. Essa ideia — de acompanhar crianças vulneráveis enfrentando o sobrenatural dentro de uma comunidade aparentemente tranquila — se tornou o ponto de partida para o que viria a ser Stranger Things.
A série nasceu como uma forma de canalizar toda a energia criativa que eles teriam colocado em IT, mas agora com liberdade total para criar um novo elenco, uma nova cidade e novos horrores.
A curiosa coincidência envolvendo Finn Wolfhard
A conexão entre os dois universos ficou ainda mais evidente quando Finn Wolfhard, escolhido para viver Mike Wheeler em Stranger Things, foi escalado também para interpretar Richie Tozier na adaptação de IT dirigida por Andrés Muschietti.
A situação quase tirou o ator da série, já que o filme estava meses à frente na produção. Quando o projeto com Fukunaga desmoronou, Finn pô pôde voltar para Hawkins — e depois acabou reprisando o papel em IT, consolidando um dos cruzamentos mais curiosos entre cinema e televisão recente.
O “não” que mudou tudo
Hoje, fica claro que a recusa da Warner Bros. foi decisiva. Ao não conseguirem adaptar IT, os irmãos Duffer acabaram criando um dos universos mais queridos do entretenimento moderno. E, ironicamente, Stranger Things ainda se tornou a maior homenagem que Stephen King poderia receber sem ter escrito uma única linha do roteiro.