A segunda temporada de Superfície (Surface), série do Apple TV+, retorna mergulhando ainda mais fundo na identidade de sua protagonista. Se no primeiro ano acompanhamos Sophie Ellis tentando entender quem realmente era, agora, como Tess Caldwell, ela assume o controle da própria história.
Os dois primeiros episódios dessa nova fase trazem um ritmo mais ágil, trocando a atmosfera de incerteza pela determinação da protagonista em desvendar seu passado. Mas será que essa nova abordagem funciona?
Episódio 1 da 2ª temporada de Superfície – “New Money”
A estreia da temporada não perde tempo em nos situar no novo cenário: Londres, onde Tess agora busca respostas sobre sua mãe e sua antiga vida. Gugu Mbatha-Raw continua brilhante no papel, mostrando uma versão mais segura e estratégica da personagem.
O episódio começa com Tess executando uma movimentação financeira arriscada com criptomoedas, deixando claro que ela não está mais à mercê dos acontecimentos—agora, ela joga de igual para igual no jogo da elite. O roteiro estabelece que o dinheiro e a influência serão fatores cruciais na busca pela verdade.
O primeiro grande evento acontece em um luxuoso leilão de caridade da Fundação Huntley, onde Tess reencontra Eliza Huntley (Millie Brady). A tensão na conversa entre as duas deixa no ar que Tess pode ter retornado para muito mais do que apenas encontrar sua mãe. Mas é Quinn Huntley (Phil Dunster) quem rouba a cena, exalando uma arrogância sofisticada que o coloca como um possível adversário da protagonista.
Outro nome importante que surge é Callum Walsh (Gavin Drea), um jornalista investigativo que a conheceu como Sophie Ellis antes de sua perda de memória. Seu ceticismo sobre o retorno dela é um bom contraste com a confiança que Tess demonstra. Ele pode ser um aliado valioso ou um obstáculo inesperado.
A fotografia do episódio também merece destaque, reforçando a dualidade da história. Londres aparece dividida entre a sofisticação de sua alta sociedade e os ambientes sombrios e misteriosos que escondem segredos. Essa estética ajuda a intensificar a sensação de perigo iminente, combinando com a narrativa cheia de jogos de poder e mistério.
Embora seja um retorno envolvente, o episódio sofre um pouco com o ritmo, tentando apresentar todos os novos personagens rapidamente. Algumas introduções poderiam ter sido mais espaçadas para aumentar a tensão.
Destaques:
- Gugu Mbatha-Raw entrega uma protagonista mais determinada e calculista.
- O visual da série continua impecável, explorando Londres como um personagem próprio.
- Quinn Huntley se apresenta como um antagonista interessante.
- A história foca mais em manipulação e segredos do que no mistério da amnésia da primeira temporada.
Pontos fracos:
- Algumas cenas são apressadas, especialmente a introdução de Callum.
- A trama poderia segurar um pouco mais as revelações para construir maior impacto.
Veredito: Um episódio sólido, que muda a dinâmica da série e estabelece um novo mistério envolvente.

Episódio 2 – “Speak of the Devil”
Se o primeiro episódio focou em estabelecer o novo cenário e apresentar os personagens, o segundo mergulha no que realmente importa: os conflitos emocionais e os segredos do passado de Tess.
O evento central do episódio é o baile de noivado de Quinn e Grace, um ambiente de pura ostentação, mas que rapidamente se transforma no palco de uma nova reviravolta. Aqui, Tess se aproxima ainda mais de Eliza, e o subtexto entre as duas é forte, deixando claro que a relação delas esconde um passado que ainda será explorado.
A grande virada acontece quando um convidado inesperado surge, trazendo caos ao evento. Esse momento reforça a sensação de que Tess está brincando com forças muito além do seu controle. Os ricos e poderosos que ela enfrenta sabem jogar sujo, e cada movimento em falso pode custar caro.
A atuação de Gugu Mbatha-Raw e Millie Brady é o grande ponto alto desse episódio. Elas criam uma dinâmica carregada de tensão e cumplicidade, tornando cada cena entre Tess e Eliza instigante.
A direção continua explorando o contraste visual de Londres, com cenas ricas e vibrantes nos eventos sociais e momentos mais claustrofóbicos quando Tess investiga pistas sobre sua mãe. Essa alternância mantém a atmosfera de mistério sempre presente.
Por outro lado, algumas escolhas de roteiro parecem um pouco convenientes demais. A chegada do intruso no baile acontece de maneira abrupta e sem um desenvolvimento prévio, o que tira um pouco do impacto da cena. Além disso, certos personagens secundários poderiam ter mais espaço para serem desenvolvidos.
Destaques:
- A relação entre Tess e Eliza adiciona profundidade à trama.
- O episódio tem um ótimo equilíbrio entre diálogos carregados de subtexto e momentos de tensão.
- A direção continua impecável, usando a ambientação de Londres para reforçar a narrativa.
Pontos fracos:
- A reviravolta no baile de noivado poderia ter sido mais bem construída.
- Alguns personagens secundários ainda não tiveram espaço suficiente para se destacarem.
Veredito: Um episódio envolvente, que avança o mistério e aprofunda os conflitos emocionais da protagonista.
Surface retorna com mais mistério e uma protagonista transformada
A segunda temporada de Superfície começa com um tom diferente do primeiro ano. A história não gira mais em torno da identidade de Sophie, mas sim das consequências de seu passado e do perigo de mergulhar em segredos poderosos.
Os dois primeiros episódios estabelecem bem essa nova abordagem, com um ritmo mais dinâmico, diálogos carregados de tensão e atuações fortes, especialmente de Gugu Mbatha-Raw e Millie Brady. A série continua investindo em uma estética elegante e uma narrativa que equilibra drama psicológico e suspense.
Se a temporada seguir crescendo a partir desses episódios iniciais, podemos estar diante de uma história ainda mais impactante do que a primeira. Resta saber até onde Tess está disposta a ir para descobrir a verdade—e se ela conseguirá sair ilesa dessa jornada.