Supernatural – 11×11 – Into the Mystic

Fonte: spoilersguide.com

Já ouviu falar de episódio filler? Aquele que não acrescenta nada para a estória principal? Pois é, “Into the Mystic” é um episódio desses, mesmo tendo sido até realmente bom. Um episódio com uma discreta crítica social, nele pudemos ver mais uma legado dos Homens de Letras, uma nova criatura, Lúcifer imitando o Castiel e um momento dos irmãos, como sempre.

Depois de um tempo assistindo uma série, a gente aprende a pegar algumas coisas no ar, alguns debates que foram abertos, alguns diálogos com múltiplos sentidos, referências a episódios anteriores. E nesse episódio eu pude ver claramente alguns bons momentos que aumentaram minha empolgação com essa série que ultimamente vinha meio arrastada, mas que nos últimos episódios conseguiu se reerguer e mostrar o porquê de ter um fandom tão ativo e leal.

Ver o Sam interagindo com a Marlene/Eileen foi muito bacana para mim. Ao meu ver, foi uma crítica social bem discreta, que serviu para mostrar o quanto as pessoas portadoras de necessidades especiais ainda são invisibilizadas na sociedade, não recebem o devido foco, algo sutilmente comprovado na cena em que Sam usa a linguagem de sinais de forma errada e Eileen o corrige, mas agradece o esforço, pois, como ela mesma disse, a maioria das pessoas não se dá nem ao trabalho de aprender. Uma mudança inesperada de eventos foi o fato de ela ser caçadora. Excelente plot twist.

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Outra coisa que esse episódio trouxe foi uma reflexão sobre a vida, em especial a vida dos protagonistas e, de certa forma, dos caçadores em geral. O fato de eles, Sam e Dean, terem sobrevivido por tanto tempo e superado a expectativa de vida de um caçador não tirou de Sam o cinismo com o qual ele observa o ofício que pratica. Ele sabe que aquilo vai matá-lo (novamente, e, dessa vez, para sempre) mas continua a fazê-lo, para manter a segurança das pessoas que desconhecem o mundo sobrenatural. Incrível também foi o diálogo entre eles no cemitério. Dean pergunta a Sam sobre a falta de perspectiva de futuro que Sam demostra e ele apenas concorda. Certamente Dean se sente com a consciência pesada, por ter trazido Sam de volta ao mundo caçador no início da série. Dean, sempre o protetor.

Ainda nos pontos positivos temos a participação de Lúcifer no episódio. Ele continua com aquela forma condescendente de falar com todos, mas chega a ser divertido, pois contrasta bem com o comportamento quase robótico que o Cas sempre teve. O fato de que Lúcifer não revelou estar no corpo de Cas serve para mostrar que ele passou a ter um certo respeito pelos irmãos Winchester, ou ele vê neles bons aliados na luta contra Amara. De qualquer forma, parece que nem o rei das mentiras consegue enganar Dean, o melhor amigo de todos os tempo, mas isso é bem compreensível, uma vez que falta ao Lúcifer interpretando Castiel a sensibilidade e humanidade que Cas desenvolveu ao longo das temporadas. A menção à época do Sam na faculdade foi ótima, serviu para mostrar que o background do personagem não foi esquecido e deu um tom mais saudosista a Sam, que parece sentir falta da época em que sua maior preocupação era não tirar notas baixas.

Por fim, devo falar do que achei sobre Dean ser a presa da Banshee, sobre ele ser vulnerável. Eu entendi a referência que fizeram ao episódio anterior, em que Rowena fala para Crowley que amor é fraqueza. São dadas leves dicas de que Dean está apaixonado ou pelo menos sente algo por Amara pelo episódio inteiro e neste desfecho do ataque da Banshee me ficou claro isso. Fantástica (e bem peculiar) referência a uma das frases icônicas da série e proferida logo ali, um episódio antes. Uma metalinguagem espetacular.

No espectro negativo tenho duas críticas. Uma em relação aos atores do elenco de apoio. Os dois primeiros personagens do episódio não foram bem escolhidos, não transmitiam veracidade, sorte que a cena foi curta e envolvia muito mais o momento das mortes que a atuação em si, mas isso não foi o que teve de pior no episódio. O ponto mais negativo, sem dúvidas, foi a falta de desenvolvimento da trama principal. Nos últimos dois episódios com exceção deste tivemos mais do desenrolar da trama que na temporada inteira, o que acaba por dar a sensação de infinitos fillers, de um plot que não sai do lugar, não evolui.

Sopesando tudo, foi um episódio muito bom, por mais que não tenha acrescentado em quase nada o plot original. Foi simplesmente fantástico ver que Supernatural ainda tem muito a explorar, muito espaço a desbravar e muita mitologia criar. Entre erros e acertos, SPN conseguiu progredir muito desde a primeira temporada e, com o andar de sua audiência, muito provavelmente terá a oportunidade que muitas séries não tiveram: partir em seus próprios termos. Esperemos apenas que haja um desenvolvimento mais concreto da temporada, para dar um aspecto mais serializado à série, que ultimamente tem lembrado a primeira temporada, que só era baseada em “qual é o monstro do dia?”.

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Roger Olly

Virginiano com ascendente em gêmeos. Fã de The Magicians e Imposters. Faço reviews de New Girl, Teen Wolf e escrevo a coluna Spoiler Alert.

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